Na 54ª edição da Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), no hotel-fazenda Estância Primavera, em Sorocaba (SP), teve início, no quinto dia do acampamento, o curso central da edição: o estudo introdutório da obra O Capital, de Karl Marx. A aula foi ministrada por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO.
O objetivo do curso, como explicou Pimenta logo no início, não é esgotar as cerca de 3.500 páginas que compõem os três primeiros livros de O Capital (aproximadamente 2.500 páginas) e as Teorias sobre a Mais-Valia (cerca de 1.000 páginas, consideradas por alguns como o quarto livro). Em apenas 25 horas de aula, tal tarefa seria impossível. O propósito é oferecer um resumo das partes principais da obra, da maneira mais simples possível, para introduzir os participantes ao estudo sistemático de O Capital.
Pimenta destacou que Lênin afirmou que quem não compreende a dialética de Hegel não conseguirá entender O Capital. Apesar de não ser essa a avaliação do palestrante, o problema da dialética será abordado, ainda que parcialmente, ao longo do curso. Cada uma das ideias apresentadas poderá ser aprofundada posteriormente, já que o próprio Marx, pela extensão da obra, não pôde tratar exaustivamente todos os aspectos dos conceitos que utiliza.
O grande desafio está no começo
O presidente do PCO enfatizou que o trecho mais difícil de O Capital encontra-se justamente no início do Livro I, onde Marx desenvolve a teoria do valor. “É aqui que se apresenta a base científica da compreensão do capitalismo”, explicou, ressaltando que a aparente simplicidade da troca de mercadorias esconde a complexidade da exploração do trabalho assalariado.
Ele lembrou que Marx cita mais de 200 economistas ao longo de toda a obra, considerando que o desenvolvimento científico da economia política culmina em O Capital. Os economistas que precederam Marx não conseguiram chegar a essa compreensão plena devido ao viés ideológico que os impede de enxergar a exploração do trabalho como o cerne do sistema capitalista.
Diferentemente do feudalismo, onde a exploração era direta e visível, o capitalismo se apresenta com uma igualdade jurídica aparente: o trabalhador “livre” vende sua força de trabalho ao patrão em troca de salário, e não parece haver roubo direto. “É necessária uma demonstração complexa para provar essa exploração, embora para o militante revolucionário isso pareça uma premissa evidente na vida cotidiana”, afirmou Pimenta.
A aula marcou o pontapé inicial do principal curso da 54ª Universidade de Férias, que promete ser histórica pela profundidade da formação marxista e pelo número recorde de participantes. O estudo de O Capital segue nos próximos dias, combinando rigor teórico com a convivência socialista e o lazer coletivo que caracterizam o tradicional acampamento da AJR.
A Universidade de Férias continua até 25 de janeiro. Ainda há tempo de participar presencialmente ou na modalidade virtual pela plataforma Universidade Marxista (unimarxista.org.br). Entre em contato: (11) 99741-0436.





