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A verdade sobre as manifestações no Irã

Ataques sistemáticos contra a população, queima de veículos e ataques a prédios públicos buscam desestabilizar o país persa

Desde 28 de dezembro, o Irã tem sido palco de manifestações violentas contra o regime e a favor da volta da monarquia iraniana.

O líder da Revolução do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, declarou no dia 3 de janeiro que existe insatisfação entre os comerciantes em relação aos índices econômicos e a desvalorização da moeda, mas diferenciou essa insatisfação, que classificou como legítima, dos protestos recentes, tumultos violentos sob orientação de mercenários estrangeiros.

Ataques em massa contra a população, veículos e infraestrutura do Irã

Somente na capital iraniana, segundo declaração oficial do prefeito Alireza Zakani, provocadores atacaram dois hospitais, 25 mesquitas, 26 bancos, incendiaram 48 veículos de bombeiros e atacaram os integrantes do corpo que tentaram apagar os incêndios. Além disso, também foram atacadas bases da unidade de voluntários da Guarda Revolucionária, Basij, e instalações policiais.

Além das declarações de autoridades, vídeos de uma coletânea da PressTV baixada e publicada por um internauta na rede social X (antigo Twitter) mostram agressões em diversas localidades: o primeiro mostra um homem queimado vivo em um edifício atacado, seguido por veículos incendiados e grades violadas, incêndios em prédios públicos e mercados locais saqueados.

Outro trecho de matéria local do Irã publicado por um internauta na rede social X mostra os relatos de paramédicos que foram atacados ao tentar socorrer pessoas agredidas nas manifestações monarquistas. Os vídeos mostram ferimentos de fogo nos profissionais de saúde e danos em seus trajes e nas ambulâncias.

Um vídeo gravado por um popular durante uma manifestação mostra o momento em que um tumultuador joga um coquetel molotov em um policial iraniano durante uma das manifestações violentas.

Imagens dos protestos apontam na mesma direção: as manifestações apresentam ataques sistemáticos contra a população e infraestrutura iraniana: 

O canal estatal de televisão iraniano mostra a queima de veículos durante protestos no dia 8 de janeiro:

Manifestantes se reúnem enquanto bloqueiam uma rua durante um protesto em Kermanshah, Irã, também em 8 de janeiro:

EUA e ‘Israel’ impulsionam protestos

Enquanto os protestos violentos acontecem, a inteligência iraniana afirmou que apreendeu armas e explosivos enviados pelos Estados Unidos para os manifestantes monarquistas em sua escalada de violência nos protestos. As armas teriam sido escondidas em diversas casas espalhadas pelo país e teriam entrado pela fronteira ao leste do Irã, conforme declaração do órgão.

Na terça-feira (13), a agência de inteligência do Irã informou ter confiscado armamento de origem norte-americana e materiais explosivos que estavam escondidos pelos manifestantes em várias casas pelo país. Além disso, o canal de televisão estatal iraniano divulgou que forças de segurança prenderam células ligadas a “Israel” na cidade de Zahedan, localizada no sudeste iraniano.

De acordo com as autoridades, os grupos teriam cruzado a fronteira oriental do país carregando armas e explosivos fabricados nos Estados Unidos, com a intenção de executar assassinatos seletivos e operações de sabotagem em território iraniano.

Em pronunciamento à parte, o chefe das Forças Armadas iranianas, general Abdolrahim Mousavi, acusou Estados Unidos e “Israel” de introduzirem elementos do grupo paramilitar Estado Islâmico (EI) para promover ataques.

As falas vêm na sequência de declarações feitas dias antes pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, em entrevista à emissora catariana Al Jazeera. Ele garantiu que o governo possui áudios captados de vozes vindas do exterior orientando agentes locais a abrirem fogo contra policiais e também contra manifestantes. “Bloqueamos a internet somente após detectarmos operações terroristas coordenadas de fora do país”, justificou Araghchi.

Ele acrescentou:

“Dispomos de gravações em que pessoas no exterior dão ordens diretas para que atirem nas forças de segurança e, quando estas não estiverem presentes, contra os próprios manifestantes. O claro propósito era causar o maior número possível de mortes.”

Ameaças de invasão ao Irã

A emissora britânica BBC noticiou ter entrevistado um funcionário anônimo do governo norte-americano que revelou que as forças armadas do país teriam fornecido as opções de intervenção no Irã para o presidente Donald Trump. Funcionários anônimos ouvidos pelo New York Times e pelo Wall Street Journal confirmam a notícia da BBC. Na mesma linha, Trump afirmou que os EUA têm opções “muito fortes” para atacar o Irã e disse que o país pretende “agir antes de negociar”.

Vários oficiais do governo norte-americano, conforme reportado pelo New York Times e Wall Street Journal em 10 e 11 de janeiro, confirmaram que o Pentágono apresentou opções de ataques militares, incluindo ataques aéreos, uso de ciber-armas secretas contra a infraestrutura de segurança interna iraniana, ampliação de sanções e suporte logístico indireto. Sobre essas apresentações formais e detalhadas, fontes internas ouvidas pela imprensa destacaram que uma ação cibernética era considerada mais provável do que ataques cinéticos em larga escala, embora qualquer intervenção estivesse “pelo menos a vários dias de distância”.

NED e Mossad nos tumultos

Conforme artigo publicado por este Diário, os protestos atuais são resultado do sequestro de manifestações iniciais contra a inflação causada por sanções impostas pelos EUA para uma insurreição violenta orquestrada por elementos externos, com participação ativa do National Endownment for Democracy (NED) e do Mossad, agência de inteligência de “Israel”.

Quanto ao sionismo, o Mossad publicamente incentivou a derrubada do governo iraniano por meio de mensagens em farsi na rede social X, afirmando estar “com vocês no terreno” e não apenas à distância.

Leia abaixo:

As ONGs financiadas pelo NED que atuam para desestabilizar o Irã

Khamenei explica os objetivos dos tumultos

Ali Khamenei explica que o Irã, durante a guerra dos 12 dias, quando “Israel” bombardeou o país e o exército iraniano retaliou com bombardeios, levando a uma rápida negociação para evitar a escalada do conflito; o país atingiu uma forte unidade nacional. Por isso, os agentes estrangeiros dos Estados Unidos e de “Israel” precisariam adotar uma política baseada em tumulto e disseminação de boatos e mentiras para tentar enfraquecer essa unidade.

“É claro que não confiamos no inimigo enganador, astuto e mentiroso. O próprio povo viu a realidade dos Estados Unidos na Guerra de 12 Dias. Até aqueles que acreditavam que negociar com eles poderia resolver os problemas do país perceberam que o governo americano estava ocupado preparando planos de guerra no meio das negociações. (…)

O objetivo deles é enfraquecer o país e perturbar a notável unidade da nação na Guerra de 12 Dias. Portanto, a questão mais importante é ter consciência da inimizade do inimigo e manter a unidade e a coesão internas”.

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