Nesta segunda-feira (12), foram divulgados relatos de pacientes sobre maus-tratos e demora no atendimento no Hospital Municipal Fernando Magalhães, no Rio de Janeiro, unidade que mantém serviço de aborto nas hipóteses previstas em lei. As denúncias aparecem em um vídeo gravado dentro do hospital na sexta-feira (9) e publicado nas redes sociais.
Na gravação, uma mulher que se identifica como paciente diz estar internada há quatro dias aguardando a realização de um aborto e filma outras pacientes. Em um dos trechos, ela afirma que uma das mulheres registradas seria menor de idade. A autora do vídeo também relata que procurou uma médica no serviço e que a profissional teria se negado a atendê-la e às demais pacientes.
O vídeo menciona tanto mulheres em busca de aborto nas hipóteses permitidas quanto pacientes com perda gestacional, o chamado “aborto retido”, situação em que pode ser necessária intervenção médica para a expulsão do feto. A demora para concluir o procedimento é apontada, no próprio relato, como fator que aumenta o risco de infecção.
Foi protocolado um pedido de esclarecimentos dirigido à Prefeitura do Rio de Janeiro, à superintendência do hospital e à Secretaria Municipal de Saúde, com questionamentos sobre as denúncias e os protocolos adotados.
Em nota divulgada na noite de segunda-feira (12), a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a mulher que grava o vídeo é uma “paciente social sem vínculos familiares conhecidos” e que apresenta “relatos imprecisos” sobre sintomas e histórico. O órgão declarou que ela teria sido atendida em novembro e recusado internação; depois, teria sido internada em 7 de janeiro, “onde vem recebendo todo o cuidado indicado” e realizando procedimentos para identificar a causa de “sangramento discreto”.
A secretaria também declarou que repudia a postagem e sustentou que a pessoa que divulgou o vídeo “não esteve na unidade” nem procurou a direção. Sobre as demais pacientes que aparecem nas imagens, o órgão afirmou que não houve queixas de falta de assistência e que elas já receberam alta.
O serviço de aborto legal do Hospital Fernando Magalhães atende desde 1996. Em junho de 2025, foi noticiado que pacientes denunciavam dificuldades de acesso e violência psicológica em serviços de aborto legal no Rio, incluindo a unidade.




