Segundo o jornal O Globo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o general da reserva Mario Fernandes, que se encontra preso, a trabalhar para o Exército, incluindo na área de “doutrina militar”. O general se encontra preso preventivamente e foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão pelo STF por participação na chamada “trama golpista”.
O militar teria sido responsável por elaborar o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de inimigos políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o próprio Alexandre de Moraes! Fernandes admite ter criado o plano, mas diz que não o apresentou a ninguém.
De acordo com as informações apuradas por O Globo, Mario Fernandes irá trabalhar para a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e para o Centro de Doutrina do Exército. Entre as atividades que ele irá realizar, estão coisas como “revisão de produtos doutrinários e literários” e “produção de textos técnicos sobre história militar, estrutura da Força, doutrina militar terrestre” Alexandre de Moraes, por sua vez, considerou que o trabalho de presos deve “ser estimulado como instrumento de ressocialização, disciplina e preparação para o retorno ao convívio social”.
O tratamento dado ao militar é, não por acaso, oposto ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O general pertence a uma burocracia poderosa, que vê qualquer ataque aos seus elementos como um ataque a esta burocracia. Humilhar um general é, portanto, muito mais difícil que humilhar um político, por mais bem relacionado que ele seja.
Moraes se revela, assim, como um “caçador de fascistas” covarde — ou seja, como um farsante, que afina diante da pressão dos militares. Ao mesmo tempo, escancara a perseguição política contra Bolsonaro. Afinal, se o ministro é tão “legalista” e procura atender aos direitos dos presos, por que negou tratamento médico a Bolsonaro quando este precisava realizar uma cirurgia de hérnia e quando teve suspeita de traumatismo craniano?
A explicação é simples. O arbítrio penal de Moraes cumpre unicamente um objetivo político: o de aumentar a pressão sobre ele para que apoie o plano do grande capital para as eleições presidenciais. É, além de um atropelo aos direitos democráticos, uma tentativa flagrante de manipular as eleições do país mais importante da América Latina.





