O artigo Fora o imperialismo ianque da Venezuela! Pela mobilização continental e internacional contra a agressão imperialista!, publicada no sítio Esquerda Diário neste domingo (10), tenta corrigir alguns erros grosseiros, mas, finalmente, reforça a mesma política capituladora e pró-imperialista já apresentada anteriormente pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT).
No início, o texto afirma que:
“A agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela é um salto na ofensiva imperialista sobre a América Latina. Não se trata apenas de um ataque a um país, mas de uma advertência brutal a todos os povos que desafiem os ditames de Washington. Frente a essa escalada neocolonial, não bastam as condenações diplomáticas nem os chamados abstratos à paz: é necessária uma resposta de massas, internacionalista e de classe”. Por isso, [a] Corrente Revolução Permanente – Quarta Internacional (CRP‑CI) e a Rede Internacional Esquerda Diário [colocam] no centro [da] declaração a exigência às centrais sindicais, movimentos sociais e políticos, começando por aqueles que repudiaram o ataque, de convocar uma Greve Continental da classe trabalhadora, como eixo de uma mobilização internacional capaz de frear a agressão imperialista, expulsar o imperialismo ianque da Venezuela e abrir uma perspectiva de luta para toda a América Latina”.
Parece combativo. Antes, porém, é necessário cumprir passos menores. Se essa gente não compareceu ao ato em defesa da Venezuela convocado pelo no dia 11 de janeiro, em São Paulo, como espera construir uma greve continental? No discurso, tudo é possível, até uma greve intergalática.
De que adianta declarar morte ao imperialismo se o Esquerda Diário afirma o seguinte:
Afirmamos que a derrota do imperialismo na Venezuela é um interesse vital dos explorados e oprimidos do mundo, mas alertamos que defender o regime em nome do anti imperialismo implica desarmar politicamente os povos e confundir a resistência popular com a repressão estatal”?
Ou seja, não apoiam o governo que armou o povo venezuelano para enfrentar o imperialismo. Isso significa que apoiam os agressores. Como essa gente não consegue escapar do fato de que um governo ditatorial jamais armaria a população, se utiliza de artifícios do tipo “desarmar politicamente os povos”. É ridículo.
Amigos da onça
O MRT grita: “Embora sejamos opositores pela esquerda e anti imperialistas ao governo venezuelano, exigimos a liberdade de Maduro e Flores porque não reconhecemos o mais mínimo direito ao Estado imperialista norte‑americano e à sua justiça para julgá‑los. Nos posicionamos sem ambiguidades no campo militar contra o imperialismo ianque, e chamamos à mobilização massiva da classe trabalhadora internacional e dos povos do mundo para derrotá‑lo”.
Em seguida, falam o contrário: “Fazemos isso sem conceder nenhum apoio político ao governo de Maduro, hoje continuado por Delcy Rodríguez, um governo burguês profundamente anti operário, que descarregou as crises econômicas e os efeitos das sanções sobre o povo trabalhador, reprimiu o movimento operário e os setores populares. Um governo que avançou numa guinada entreguista dos recursos nacionais, com pactos, concessões e capitulações frente ao capital e ao imperialismo…” – grifo nosso.
Sem meias palavras: nenhum apoio ao governo que enfrenta o imperialismo é defender integralmente o agressor.
Não existe uma segunda via. Basta imaginar o seguinte: se, no meio de uma guerra, um grupo passa a atacar o governo, isso só pode beneficiar o inimigo. A menos que o governo não tivesse criado milícias para resistir, o MRT poderia propor armar a população, mas isso Maduro já fez.
Esse grupo não é “opositor pela esquerda” como afirma. Está em uma frente única com o imperialismo. Por isso repete as mentiras da imprensa burguesa, que diz que o governo é entreguista.
O MRT é como um papagaio da grande imprensa, diz que o governo produz fraudes eleitorais e “práticas autoritárias”. Que fraude seria essa se o próprio governo Trump admitiu que Corina Machado e a múmia Urrutia não têm força? E, de novo, que autoritarismo é esse que arma a população? Nenhum ditador, a menos que fosse maluco, faria isso.
Mais ataques
A declaração serve para atacar de maneira virulenta o governo. Diz, por exemplo, que “diante dessa agressão imperialista de caráter excepcional, a resposta do governo venezuelano desnuda sua falência política e estratégica. O sequestro de Nicolás Maduro e a assunção de Delcy Rodríguez como figura central do Executivo não apenas expressam a gravidade do ataque externo e a extorsão imperialista”. Como se vê na palavra destacada, extorsão, acusam o governo de corrupção e traição, uma tática própria da direita.
Mais adiante, como o governo armou o povo, voltam ao truque sujo de dizer que “Maduro, a cúpula governamental e o alto comando das Forças Armadas são responsáveis por terem levado o país a uma vulnerabilidade extrema, desarmando politicamente as massas”.
Ainda no campo da direita, de usar a corrupção como arma política, o MRT escreve que “ao mesmo tempo em que caiu sobre o povo trabalhador o peso da crise e, mais tarde, das sanções imperialistas, cristalizou‑se uma casta governante integrada por altos burocratas civis e militares transformados em novos ricos”.
O grupo acusa o governo de ser responsável por uma crise, e que só depois as sanções teriam impactado sobre a qualidade de vida da população. Isso serve para diminuir a responsabilidade do bloqueio econômico. Até nisso ajudam o imperialismo. Pois a culpa mesmo é de quem se aproveitaria da situação para enriquecer.
Quinta coluna
O MRT que ficou muito mal em suas declarações iniciais, escreve uma segunda declaração; talvez com a intenção de se retratar, ou de justificar suas posições reacionárias e tentar se mostrar combativo. Mas, o que esse texto faz, em intermináveis 22 mil caracteres, é se afundar mais na lama e se colocar do lado do imperialismo. Melhor fariam se tivesse ficado quietos.





