Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

O sucateamento no BB é um ataque neoliberal contra as estatais

Os últimos dados apontam que na última década, o BB encerrou as suas atividades em 1.557 agências bancárias em todo o território nacional

As direções dos setores da chamada Frente Ampla no governo Lula, que estão à frente das empresas públicas, executam gestões que dão continuidade à política neoliberal de privatização do patrimônio nacional. O objetivo é entregar, a preço de banana, essas valiosas empresas — as que restaram após a hecatombe econômica do governo FHC (PSDB) nos anos 1990, cujos efeitos são sentidos até hoje, com milhões de pessoas na extrema pobreza, sucateamento da indústria nacional, privatizações e enorme desigualdade social —, para favorecer meia dúzia de parasitas capitalistas e especuladores financeiros.

Um dos maiores exemplos, hoje, dessa política de privatização é o que está acontecendo com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT): sucateamento da empresa por meio da falta de pessoal, de materiais de trabalho, fechamento de setores inteiros e de agências em vários municípios brasileiros, terceirização etc. Mais recentemente, surgiu a conversa, muito mal contada, de “prejuízo”, que, na verdade, é uma política para favorecer os concorrentes privados do setor (FedEx, DHL, Mercado Livre etc.). A empresa vem reduzindo salários, cortando benefícios e promovendo demissões em massa por meio dos famigerados PDVs (Plano de Demissão Voluntária), além de atacar o plano de saúde dos trabalhadores, entre várias outras medidas que atingem seus funcionários e a própria empresa nacional.

Quando citamos os acontecimentos dos Correios, a denúncia também aponta para o que está acontecendo no Banco do Brasil (BB), cujo maior acionista é o governo federal, e cuja administração implementa essa mesma política.

Instituição bicentenária, com um patrimônio estimado em mais de R$ 2 trilhões e cobiçada por grandes capitalistas e banqueiros nacionais e internacionais, o BB, como este Diário vem denunciando sistematicamente, é conduzido por uma política de brutal ataque aos seus funcionários e, por consequência, à própria empresa, instituição pública cuja função não poderia ser outra senão atender às necessidades de toda a população com qualidade.

Ao contrário disso, adota medidas iguais e, em alguns casos, até piores que as dos bancos privados, como Itaú, Bradesco e Santander.

Recentemente, a direção do BB adotou, passando por cima da lei, a jornada de 8 horas diárias para setores de cargos comissionados. Trata-se de uma medida extremamente reacionária para uma categoria que conquistou, por meio de muita luta, a garantia das 30 horas semanais, luta que se desenvolveu justamente por conta do trabalho exaustivo e dos problemas de saúde decorrentes das condições laborais.

Na esteira dessa política de ataques e sucateamento do BB, a última denúncia feita pelo movimento sindical é a falta de pessoal nas agências do banco, o que está prejudicando o atendimento aos clientes e à população.

Segundo matéria do Sindicato dos Bancários de São Paulo: “a situação das agências de varejo do Banco do Brasil não está fácil para ninguém. As unidades — por conta de cargos vagos, os chamados ‘claros’, e da transferência de funcionários para escritórios digitais — estão com cada vez menos funcionários. Cenário este que sobrecarrega e adoece os bancários que seguem nas agências e prejudica o atendimento para os clientes e a população como um todo”. (spbancarios, 12/01/2026)

Conforme a mesma matéria, agências do BB estão trabalhando em regime de contingenciamento, ou seja: “‘o atendimento contingenciado nada mais é do que a agência permanecer de portas fechadas, sendo liberada a entrada dos clientes conforme a capacidade de atendimento. Uma situação que não pode ser normalizada de forma alguma. Flagramos clientes aguardando atendimento no sol e pessoas idosas sentadas no chão do autoatendimento’, relata o dirigente sindical e representante dos funcionários do BB na Regional Osasco do Sindicato, Diego Carvalho”. (idem)

Os dados apontam que, na última década, entre 2015 e 2025, o BB encerrou as atividades de 1.557 agências bancárias em todo o território nacional. Trata-se de uma política totalmente contrária às necessidades da população que, no mesmo período, aumentou em cerca de 10 milhões de habitantes. Uma população extremamente humilde, em sua grande maioria, que precisa ter atendidas as suas necessidades básicas. Basta visitar uma agência bancária do BB nas periferias das grandes cidades para verificar o aglomerado de pessoas nessas dependências.

Diante desses ataques da direção, que executa uma política totalmente contrária aos interesses da população em geral e dos trabalhadores bancários do Banco do Brasil, é necessário barrar tal ofensiva reacionária por meio do único método capaz de fazê-lo: uma mobilização gigantesca dos trabalhadores das empresas estatais. É preciso que as direções sindicais, em especial a CUT, rompam com essa política de imobilismo, armem politicamente os trabalhadores e organizem uma reação em defesa do patrimônio dos trabalhadores e do povo brasileiro.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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