Oriente Próximo

As ONGs financiadas pelo NED que atuam para desestabilizar o Irã

Ação orquestrada pelo imperialismo junta mercenários, imprensa e ONGs na tentativa de provocar uma intervenção direta no Irã

Nesta terça-feira (13), o jornal investigativo The Grayzone publicou um artigo que mostra como a imprensa tem trabalhado para “suavizar” e alterar as informações sobre os protestos que estão acontecendo no Irã. Segundo o texto, os principais veículos nos países imperialistas têm ignorado a violência praticada por grupos golpistas e, ao mesmo tempo, têm recorrido a contagens de mortos divulgadas por organizações sediadas nos Estados Unidos e financiadas pela Fundação Nacional para a Democracia (NED), instrumento do governo norte-americano para operações de “mudança de regime”.

O editor-chefe do The Grayzone, Max Blumenthal, e o editor Waytt Reed argumentam que os principais veículos de comunicação imperialistas ignoraram as provas em vídeo cada vez mais numerosas que mostram a violência perpetrada por grupos descritos pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch como manifestantes “em grande parte pacíficos”.

As imagens que circulam nas redes sociais e na imprensa estatal iraniana mostram linchamentos públicos de guardas desarmados, ataques a mesquitas, incêndios criminosos em prédios municipais, mercados e quartéis de bombeiros, além de homens armados disparando armas de fogo em centros urbanos movimentados.

Mesmo estando bem claro nas imagens, a imprensa dos Estados Unidos e seus órgãos capachos falam apenas de supostos “abusos” cometidos pelas autoridades iranianas. De acordo com o The Grayzone, parte central dessa cobertura é sustentada por números de vítimas compilados por ONGs financiadas pela Fundação Nacional para a Democracia (NED), apontada no texto como um dos vários grupos que atuam na tentativa de desestabilização do regime no Irã.

O artigo também sustenta que a NED assumiu o crédito por ter impulsionado os protestos “Woman, Life, Freedom” que ocorreram no Irã ao longo de 2023, acrescentando que aquela onda também registrou episódios de violência que não receberam repercussão proporcional nos veículos imperialistas e em organizações de “direitos humanos” citadas no debate.

Para se ter uma base de como o imperialismo estaria atuando diretamente nas manifestações no Irã, junto com todo o aparato de propaganda da imprensa burguesa vendida, o texto afirma que a agência de espionagem e assassinatos “israelense”, Mossad, instou publicamente os iranianos a intensificarem os esforços para derrubar o governo. “Saiam juntos às ruas. Chegou a hora”, dizia mensagem na conta oficial em farsi no X. “Estamos com vocês. Não apenas à distância e em palavras. Estamos com vocês no terreno”.

O que está realmente acontecendo no Irã?

No final de dezembro de 2026, comerciantes iranianos começaram a se manifestar contra a inflação provocada pelas sanções imperialistas. De acordo com o The Grayzone, as autoridades do Irã permitiram os protestos sob proteção policial. Essas manifestações, porém, teriam se dissipado rapidamente, à medida que grupos oposicionistas passaram a utilizar o cenário para promover uma insurreição violenta, incentivada por governos de “‘Israel’” aos Estados Unidos, e por figuras como Reza Pahlavi, que classificou funcionários do governo e a imprensa estatal como “alvos legítimos”.

Em 9 de janeiro, a cidade de Mashhad tornou-se um dos principais focos dos confrontos. Autoridades municipais relataram que manifestantes incendiaram quartéis de bombeiros, queimando bombeiros vivos, além de atearem fogo a ônibus, atacarem trabalhadores municipais, vandalizarem estações de metrô e provocarem mais de 18 milhões de dólares em danos.

Na cidade de Kermanshah, grupos armados foram filmados disparando armas automáticas contra a polícia, enquanto uma menina de três anos, Melina Asadi, foi assassinada a tiros durante os distúrbios. Em diversas províncias, circularam vídeos mostrando guardas desarmados sendo espancados até a morte quando tentavam impedir ataques.

Em Teerã, manifestantes armados atacaram a histórica Mesquita Abazar, incendiando seu interior, enquanto outros grupos teriam queimado exemplares do Alcorão dentro da Grande Mesquita de Sarableh e do santuário Muhammad ibn Musa al-Kadhim, em Khuzistão. Em Karaj, edifícios municipais foram incendiados; em Rasht, um mercado central foi destruído; e, em Borujen, uma biblioteca histórica contendo manuscritos antigos teria sido queimada durante saques noturnos. O texto acrescenta que nenhum desses episódios teria provocado reações relevantes em veículos e governos imperialistas, mesmo depois de o Ministério das Relações Exteriores do Irã ter exibido imagens da violência a embaixadores de Reino Unido, França, Alemanha e Itália.

Quem define os números e como eles circulam

Sobre as vítimas, as autoridades iranianas apontam que mais de 100 policiais e agentes de segurança foram assassinados por conta dos confrontos. O The Grayzone afirma, porém, que veículos dos Estados Unidos e da Europa passaram a depender, para tratar do tema, de duas ONGs sediadas em Washington e financiadas pela NED: o Abdorrahman Boroumand Center for Human Rights in Iran e a organização Human Rights Activists in Iran (Ativistas de Direitos Humanos no Irã).

O texto diz que um comunicado de 2024 da própria NED descreveu o Abdorrahman Boroumand Center como “parceiro” da entidade. Já sobre a Human Rights Activists in Iran, o artigo afirma que uma declaração de 2021 do grupo menciona ter passado a receber apoio financeiro da NED após acusações, feitas pelo governo iraniano em 2010, de vínculos com a CIA.

Na sequência, o The Grayzone apresenta um histórico da NED, atribuindo sua criação ao período do governo Reagan, sob a supervisão do então diretor da CIA William Casey, como mecanismo para manter operações externas em meio à crise de credibilidade dos serviços de inteligência norte-americanos. O texto cita ainda Allen Weinstein, apresentado como um dos fundadores da entidade, com a frase: “muito do que fazemos hoje foi feito secretamente há 25 anos pela CIA”.

Ainda segundo o artigo, sem explicitar o financiamento da NED, The Washington Post e ABC News teriam citado o Abdorrahman Boroumand Center em suas coberturas. O The Grayzone acrescenta que Francis Fukuyama integra o conselho do centro, e o apresenta como signatário da carta fundadora do Project for a New American Century.

Os números divulgados pela Human Rights Activists in Iran circularam ainda mais amplamente, com a estimativa de 544 mortes sendo citada por dezenas de veículos norte-americanos e “israelenses”, além da empresa de inteligência Stratfor, que, de acordo com o texto, tratou os distúrbios como oportunidade para interferência dos Estados Unidos ou de “‘Israel’”.

Influenciadores e Polymarket

O artigo também sustenta que, com a dificuldade de se obter um número preciso de vítimas, influenciadores passaram a ocupar o vácuo informativo com alegações infladas e de origem pouco verificável. Entre os exemplos citados está Laura Loomer, apresentada como aliada de Donald Trump, que afirmou que “o número de mortos de manifestantes iranianos assassinados pelas forças do regime islâmico agora passa de 6.000”, alegando uma “fonte da comunidade de inteligência” não identificada.

O The Grayzone menciona ainda a plataforma de previsões Polymarket, dizendo que ela teria ampliado esses números ao afirmar, sem apresentar fontes, que “mais de 10.000” pessoas teriam sido mortas e que o Irã teria “perdido quase todo o controle” de três de suas cinco maiores cidades. O texto acrescenta que a plataforma teria recebido investimento relevante de Peter Thiel e que Donald Trump Jr. atuaria como conselheiro.

Ameaças de Trump e escalada

O relatório do The Grayzone argumenta que esse conjunto de alegações estaria contribuindo para pressionar o presidente dos Estados Unidos a uma escalada militar. “Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, disse Trump. “Estamos armados e prontos para entrar em ação.” Dias depois, voltou a ameaçar: “É melhor vocês não começarem a atirar [nos manifestantes] — porque nós também começaremos a atirar.” O artigo acrescenta que, em 12 de janeiro, Trump decretou que qualquer país que comercializasse com o Irã estaria sujeito a uma tarifa de 25% sobre bens trocados com os Estados Unidos.

Por fim, o texto afirma que Trump estaria avaliando possibilidades de ataque, de ações cibernéticas a bombardeios, mas indica que o ritmo dos protestos teria diminuído, com relativa calma retornando a grandes cidades. O The Grayzone conclui dizendo que, enquanto a situação arrefecia, milhões de iranianos teriam ido às ruas em cidades como Teerã e Mashhad para denunciar a ação de elementos estrangeiros e declarar apoio ao governo, algo que, segundo o artigo, não encontra espaço nas redações dos jornais da burguesia.

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