No último dia 12 de janeiro, o colunista e sociólogo Emir Sader publicou um texto em sua coluna no Brasil 247 intitulado O passado que não passa, em que tece elogios ao filme O Agente Secreto, que conta uma história ambientada na ditadura militar brasileira e que venceu duas categorias no prêmio Globo de Ouro.
O ponto central da matéria, no entanto, é contraditório dentro do próprio texto, pois, a ideia é a de que a ditadura ainda é um tema muito recorrente, com golpes como o de 2016 e a suposta tentativa de golpe de Estado de 2023, com o colunista hora dizendo que a democracia brasileira é consolidada, hora dizendo que o passado da ditadura militar ainda é muito presente:
“60 anos depois do golpe militar e 40 do final da ditadura militar no Brasil, os dois filmes premiados sucessivamente no Globo de Ouro – “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” – têm como tema a ditadura militar.”
O problema é que a propaganda de que a democracia no Brasil está consolidada e que os tempos mudaram, como vemos no parágrafo abaixo, é que esse argumento já havia sido utilizado pela esquerda brasileira que não percebeu o golpe em Dilma Rousseff em 2016 e, hoje, visa fazer propaganda das ações completamente antidemocráticas do STF por se tratar de uma perseguição ao bolsonarismo e ao próprio Jair Bolsonaro.
“Para não ir tão longe, em 8 de janeiro de 2023 houve uma tentativa de um novo golpe, que buscava reinstalar no país uma ditadura, que foi rapidamente derrotada, demonstrando que os tempos são outros, que a democracia que temos veio para ficar.”
Com a perseguição ao bolsonarismo, uma grande parte da esquerda brasileira acabou por criar uma aliança com os principais golpistas do País e com aqueles que apoiaram a ditadura militar, mas que hoje fazem propaganda contra o período justamente para atacar Bolsonaro e contribuir com o clima de repressão generalizada.
A Rede Globo, por exemplo, se transformou em um monopólio da informação no Brasil justamente durante a ditadura militar, apoiando as ações do governo, escondendo informações do público e contribuindo para o clima de repressão.
Hoje, no entanto, tenta fazer propaganda da ala que se diz democrática do imperialismo, defendendo pessoas como Kamala Harris, Joe Biden e Macron, alguns dos responsáveis pelo genocídio na Palestina e pela guerra contra a Rússia, apoiando os grupos nazistas na Ucrânia, escondendo, obviamente, essa última informação.
Já aqui no Brasil, artistas globais são utilizados em peças de propaganda que denunciam de forma leve o período da ditadura militar, ao mesmo tempo em que promovem a ideia de que o que faltou após o fim da ditadura foi a repressão às ideias antidemocráticas.
Emir Sader cai nessa, apoiando as ações do STF por se tratar de uma perseguição ao bolsonarismo, mesmo após o órgão ter sido um dos pilares do golpe de 2016. Sader chega a dizer que o problema do Brasil foi que o país não fez como a Argentina, se referindo à prisão de nove membros da ditadura, incluindo o general Videla, o que em nada contribuiu para o atual estado do país, já que a Argentina vive uma nova ditadura, apoiada pelos meios de comunicação brasileiros que dizem ser democráticos e que apontam o país vizinho como modelo para o Brasil.
“É certo que o país não passou a limpo tudo o que viveu durante a ditadura militar, os 21 anos que fazem da ditadura brasileira a mais longa de todas na América Latina. Não tivemos a alegria que os argentinos tiveram de ver seu principal ditador – Jorge Videla – ser julgado, preso e morrer na prisão.”
A única luta real contra a ditadura é a luta pelos direitos democráticos da população. Enquanto manifestações públicas forem proibidas, o direito à liberdade de expressão for suprimido, e o direito de reunião e vários outros direitos do povo não existirem, mesmo que previstos na Constituição, sob o pretexto da perseguição ao bolsonarismo e, pior, ao lado daqueles que realmente deram o golpe de 2016 e foram parte importante da ditadura, a única coisa que se conquista é uma nova ditadura.





