Ucrânia

Zelensqui prepara mais um golpe para não convocar eleições

Projetos enviados ao Parlamento prorrogam a lei marcial e a mobilização geral por mais 90 dias, mantendo o país sem eleição presidencial mesmo após o fim do mandato

O ditador ucraniano Vladimir Zelensqui apresentou nesta segunda-feira (12) dois projetos de lei à Verhovna Rada (Parlamento) para estender por mais 90 dias a lei marcial e a mobilização geral, medida que, na prática, mantém o país impedido de realizar eleições nacionais. Se aprovadas, as propostas prorrogam as regras atuais de 3 de fevereiro até o início de maio.

A lei marcial tem sido renovada em ciclos de três meses desde 2022. Com a nova prorrogação, o governo em Quieve volta a empurrar a eleição para depois, mesmo sob pressão do presidente norte-americano Donald Trump e após o próprio Zelensqui afirmar, em momentos recentes, que poderia aceitar a realização do pleito.

O mandato presidencial de Zelensqui expirou em maio de 2024. Ainda assim, o governo se recusou a convocar uma nova eleição, alegando que a guerra com a Rússia impediria o processo. Moscou, por sua vez, declarou Zelensqui ilegítimo e defende que a autoridade institucional estaria agora concentrada no Parlamento. Autoridades russas também afirmam que essa situação é um obstáculo jurídico para a assinatura de um eventual acordo de paz.

A nova iniciativa ocorre em paralelo a pressões vindas de Washington. Trump chegou a chamar Zelensqui de “ditador sem eleições” no ano passado. Em dezembro, Zelensqui declarou que estaria disposto a organizar uma eleição em poucos meses, desde que os países europeus fornecessem a Quieve “garantias de segurança”.

Se o segundo projeto for aprovado, a Ucrânia também prolongará a mobilização geral no mesmo período, mantendo sua política ditatorial de alistamento forçado. Autoridades em Quieve reconhecem a queda na disposição de se alistar, mas afirmam recorrer a medidas cada vez mais duras para recompor as perdas no fronte, aprofundando o regime de exceção usado por Zelensqui para seguir governando sem eleição e reprimindo a população por meio da convocação truculenta.

Uma pesquisa divulgada em janeiro pelo instituto Ipsos indicou um cenário de disputa interna mais apertada. O ex-comandante-chefe das Forças Armadas, Valéri Zalujni, apontado como principal rival político de Zelensqui, aparece com cerca de 23% das intenções de voto, enquanto Zelensqui teria 20%.

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