Não falha nunca. Basta a imprensa imperialista espernear contra o “autoritarismo” de qualquer regime rebelde que a esquerda pequeno-burguesa brasileira começa a babar de entusiasmo. Desta vez, o espetáculo de cretinice política veio com os acontecimentos no Irã. A verdade, no entanto, veio rápido, e a esquerda pequeno-burguesa acabou ficando com o mico na mão.
Durante semanas, o consórcio da imprensa imperialista vendeu ao mundo a imagem de uma insurreição popular iminente no Irã. Os atos de vandalismo, orquestrados por agentes infiltrados e financiados pelo Departamento de Estado norte-americano e pelo sionismo, foram apresentados como o “despertar de um povo”.
E o que fez a nossa esquerda “bem pensante”? Mergulhou de cabeça no movimento golpista. Do Tudeh (o Partido Comunista Iraniano, há muito descolado da realidade do seu país) ao exemplo mais aloprado em terras brasileiras, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), a ordem foi uma só: “Abaixo o regime”. O PSTU chegou ao ridículo de pedir a derrubada do líder revolucionário Ali Khamenei, o homem mais importante do único regime a impulsionar a luta armada contra “Israel”.
A farsa, porém, tinha pernas curtas. Nos últimos dias, viram-se mobilizações gigantescas, talvez de milhões de pessoas, não para derrubar o regime, mas para defendê-lo contra a agressão estrangeira. Ficou claro que os “protestos” iniciais eram artificiais, localizados e movidos por uma engrenagem de espionagem externa.
O regime iraniano não apenas resistiu, como provou que estava sob ataque de potências estrangeiras. A esquerda pequeno-burguesa, que se acha muito astuta, ficou com o pincel na mão após o imperialismo levar a escada. Que vergonha.
Um capítulo à parte merece a imprensa burguesa. São os mesmos jornais e emissoras que, diariamente, fazem uma campanha demagógica contra as “fake news” para justificar a censura na Internet e o controle das redes sociais. No entanto, são eles os maiores fabricantes de mentiras do planeta. Inventam “revoluções”, escondem massacres cometidos por seus aliados e criam pretextos para destruir países inteiros. A grande imprensa é, em última instância, o ministério da propaganda da CIA.
A esquerda que se diz “revolucionária”, mas que não consegue distinguir um golpe de Estado impulsionado por essa fábrica de mentiras de uma mobilização popular, perdeu completamente o rumo.





