O dirigente oposicionista baremita Ebrahim Sharif foi condenado a seis meses de prisão e multado em 200 dinares do Barém (cerca de US$ 530), após declarações em defesa da Palestina e críticas a governos árabes por relações com “Israel”. Sharif está detido desde novembro do ano passado e foi inicialmente acusado de “espalhar notícias falsas” nas redes e de fazer “declarações ofensivas” contra “países árabes irmãos” e seus líderes.
Segundo as informações divulgadas sobre o processo, a condenação menciona uma entrevista concedida por Sharif em Beirute ao canal LuaLuaTV. Na fala, ele condenou governos árabes por não apoiarem a Palestina e por fortalecerem laços com “Israel”, defendendo boicote e pressão popular. “Minha mensagem aos cidadãos árabes, aos meus irmãos no Barém: mantenham-se firmes na resistência. Ela é eficaz. E mantenham-se firmes no boicote, ele é essencial. E tentem pressionar os governos árabes para mudar seu rumo”, afirmou.
O Ministério Público afirmou que Sharif fez “declarações contendo informações falsas e ofensivas”, acusando governos de “conluio e conspiração” e conclamando seus povos a resistir e se levantar por meio de pressão pública.
Sharif integrou a Sociedade de Ação Democrática Nacional (Waad), partido secular de esquerda que reunia sunitas e xiitas e foi dissolvido pelo governo em 2017. Esta é a décima vez que ele é detido, interrogado ou processado desde 2011.
Ativistas de direitos humanos no Barém declararam preocupação com a sentença. Sayed Ahmed Alwadaei, do Bahrain Institute for Rights and Democracy (BIRD), afirmou que a condenação estabelece um precedente ao punir uma figura pública por se posicionar pela Palestina e criticar governos que normalizaram relações com “Israel” durante a ofensiva em Gaza.
O Barém normalizou relações com “Israel” em 2020, nos Acordos de Abraão mediados pelos Estados Unidos. Desde então, protestos pró-Palestina têm sido reprimidos e há relatos de prisões.





