Oriente Próximo

Povo iraniano se levanta contra infiltração sionista e imperialista

De acordo com vice-presidente, Irã enfrenta a "segunda fase" de uma guerra iniciada pelo Estado de "Israel" em junho passado

Na manhã desta segunda-feira (12), protestos massivos convocados pelo governo da República Islâmica do Irã tomaram conta das ruas sob o lema de “Solidariedade Nacional e Honra à Paz e Amizade”. Os atos são uma resposta direta aos levantes armados de agentes imperialistas e sionistas que vêm atuando nos últimos dias.

Os atos aconteceram em várias províncias, e contaram com manifestantes brandindo a bandeira da República Islâmica do Irã e gritando palavras de ordem contra os Estados Unidos e “Israel”, expressando sua rejeição à intromissão estrangeira nos assuntos de seu país. Segundo os organizadores, milhões de pessoas teriam participado das manifestações.

No dia anterior, o governo iraniano e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica haviam convocado comícios de solidariedade nacional para afirmar o apoio à estabilidade do regime e rejeitar a interferência estrangeira. Eles enfatizaram o direito ao protesto pacífico, responsabilizando os Estados Unidos e “Israel” pelos atos de sabotagem e pelas mortes de manifestantes.

No final da manifestação principal, foi lida uma declaração oficial, na qual se pede aos oficiais iranianos que tomem medidas imediatas para melhorar as condições de vida. A declaração diz ainda que os inimigos rancorosos do Irã, especialmente os Estados Unidos e o “regime israelense matador de crianças”, usaram seus mercenários organizados para destruir propriedades públicas e privadas, violar santidades islâmicas e atingir a “unidade sagrada” da nação iraniana para preparar o terreno para a interferência estrangeira.

O comunicado saúda a vigilância da nação iraniana e das forças de segurança e expressaram seu ódio em relação aos atos terroristas e criminosos.

Os comícios na maioria das províncias, incluindo a capital Teerã, começaram às 14h, horário local, na segunda-feira. No entanto, em algumas outras províncias, os comícios começaram mais cedo, às 9h e às 11h. As autoridades descreveram as manifestações nacionais como prova irrefutável de unidade e solidariedade diante dos planos do inimigo para semear o caos e a divisão através de mercenários e terroristas.

O que começou como manifestações sobre questões econômicas — reconhecidas pelo Estado como legítimas em sua origem — foi rapidamente sequestrado por uma estrutura que o governo descreve como uma “rede organizada e destrutiva”. Segundo informações detalhadas pela emissora iraniana Press TV, o governo não vê os episódios de violência urbana como “revolta popular”, mas como uma ação do imperialismo que utiliza o “terrorismo” como meio para atingir os objetivos que a via militar direta não conseguiu alcançar.

O Secretário do Conselho Nacional de Segurança, Ali Larijani, foi enfático ao traçar um paralelo entre os métodos utilizados pelos supostos “manifestantes” e os utilizados por grupos armados mercenários internacionais. Para o alto escalão de segurança, a natureza dos ataques — que incluem o incêndio de infraestruturas públicas, centros econômicos e locais religiosos — carrega a assinatura operacional do Estado Islâmico. A Press TV destaca que a inteligência iraniana identificou um padrão de violência que ignora as reivindicações econômicas e foca exclusivamente em episódios de sabotagem contra o Estado iraniano.

Larijani argumentou que a diferença entre o cidadão comum e o “agente de desestabilização” é clara: enquanto o primeiro busca soluções para a inflação e a estabilidade do mercado cambial, o segundo trabalha para destruir os próprios recursos que sustentam a economia. O secretário assinalou que a destruição de ônibus e bens municipais, pagos pelos impostos do povo, é uma estratégia deliberada para aprofundar a estagnação econômica e gerar um ciclo de miséria que alimente ainda mais o caos.

A análise do vice-presidente Mohammad-Reza Aref eleva a gravidade do cenário ao sublinhar que elas ocorrem em sincronia com as agressões externas. De acordo com Aref, o Irã enfrenta a “segunda fase” de uma guerra iniciada pelo Estado de “Israel” em junho passado. Após o fracasso das incursões militares diretas, o eixo imperialista teria acionado agentes infiltrados para atacar o país por dentro.

Os inimigos da República Islâmica estariam utilizando “agentes chave”, muitos já detidos pelas forças de segurança, para acelerar planos de insurreição armada. O apoio popular ao regime e a constante vigilância feita pela própria população foram apontados por Aref como os fatores que impediram o sucesso da conspiração. O vice-presidente, no entanto, alertou que a promessa de apoio estrangeiro e o financiamento via serviços de espionagem, como o Mossad e a CIA, cooptaram indivíduos que agora atuam como bucha de canhão para interesses que não são iranianos.

Diante das agressões realizadas pelos agentes sionistas e imperialistas, o presidente Masoud Pezeshkian decretou luto oficial de três dias em homenagem aos mortos. O governo comunicou oficialmente que os policiais e voluntários da força Basij martirizados nos últimos dias são vítimas da “resistência nacional contra o regime sionista e os Estados Unidos”. Para o governo, admitir que esses atos são protestos civis seria ignorar o apoio logístico e financeiro vindo dos Estados Unidos.

Pezeshkian deixou claro em seus pronunciamentos que a separação entre as demandas do povo e os atos de “terroristas” é o que garantirá a sobrevivência da República Islâmica. Para regime, o inimigo não está lutando por “democracia” ou por melhores preços, mas pela fragmentação do Irã, utilizando o mesmo manual de destruição aplicado em outras nações da região.

O Judiciário iraniano já sinalizou que os envolvidos na destruição de propriedades e em assassinatos enfrentarão o rigor máximo da lei, sendo tratados não como dissidentes políticos, mas como agentes a serviço de potências estrangeiras que buscam a submissão do Irã ao sistema imperialista mundial.

Agindo em total sintonia com os agentes sionistas e imperialistas, o Partido Tudeh, partido que era dirigido pela burocracia soviética durante o período do stalinismo, classificou a atual “onda de protestos” como um marco histórico para a libertação do país. A organização autodeclarada comunista afirma que o sistema político sob o comando do líder Ali Khamenei teria atingido um ponto de ruptura definitivo.

Ecoando a propaganda do imperialismo, o partido afirma que o Irã vive sob uma “monarquia absoluta” que utiliza o aparato militar para suprimir a autodeterminação dos cidadãos.

“Sem superar este regime de tirania religiosa e o domínio dos grandes capitalistas, não há esperança de melhorar a situação atual, aliviar as pressões econômicas, reduzir a pobreza e a privação.”

O partido, no entanto, não menciona nenhum dos verdadeiros motivos pelos quais o regime está sob ataque direto do imperialismo: a defesa do povo palestino e a formação do Eixo da Resistência. Apesar disso, o Tudeh foi capaz de lembrar-se de defender exatamente o mesmo método daqueles que estão a serviço dos inimigos do povo iraniano: a sabotagem econômica.

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