Neste domingo (11), o presidente do FED (Federal Reserve), o Banco Central dos Estados Unidos, Jerome Powell, disse em vídeo nos canais oficiais da instituição ter recebido uma intimação do grande júri do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com a ameaça de uma acusação criminal contra ele.
A investigação, revelada em 11 de janeiro de 2026, trata oficialmente de se Powell mentiu ao Congresso sobre o escopo e os detalhes das obras de renovação da sede do FED em Washington, um projeto de US$2,5 bilhões iniciado em 2022, com conclusão prevista para 2027 e um estouro orçamentário de cerca de US$ 700 milhões.
A verdadeira raiz do embate: a disputa pelas taxas de juros
No cerne do confronto está a política monetária. Desde o retorno de Trump à presidência, o mandatário pressiona insistentemente o FED (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) por cortes expressivos nas taxas de juros, argumentando que os níveis atuais (considerados elevados pelo mercado para controlar a inflação) freiam o crescimento econômico, prejudicam o setor imobiliário e limitam o “boom” que ele promete aos eleitores. Powell e a maioria do Federal Open Market Committee (FOMC) defendem juros altos supostamente para o combate à inflação.
Trump, que indicou Powell em 2017, mas agora o acusa de “incompetência”, já ameaçou demiti-lo, processá-lo e nomear um sucessor mais alinhado (com Kevin Hassett como favorito). A investigação, aprovada pela promotora Jeanine Pirro, aliada de Trump, surge semanas antes do fim do mandato de Powell como presidente do FED (em maio de 2026), embora ele possa permanecer como um dos 7 governadores até janeiro de 2028.
O Banco Central dos EUA tem uma estrutura com 7 governadores, que votam nas políticas monetárias, inclusive para fixar a taxa de juros, e um presidente, chamado em inglês de Chair. Os cargos de governador e presidente são cumuláveis. Há de se destacar que existe uma tradição não obrigatória entre os presidentes do FED, ao encerrarem seus mandatos, de deixarem também o cargo de governador.
Powell reagiu de forma rara e direta: em vídeo divulgado no domingo, chamou a ação de “sem precedentes” e afirmou que se trata de um pretexto para intimidar o FED. “A ameaça de acusações criminais é consequência de definirmos juros com base no que serve ao público, e não nas preferências do presidente”, disse ele, em um esforço para defender sua política monetária condizente com os interesses do mercado financeiro dos avanços de Trump.
O New York Times, que publicou a notícia em primeira mão, adota em sua cobertura um tom claramente favorável a Powell e à autonomia institucional do FED. Trump é retratado como o agressor, usando o sistema judiciário para pressionar por juros mais baixos, uma política que o jornal associa a interesses políticos eleitoreiros de curto prazo, em contraste com uma política econômica defendida pelo FED supostamente estabilizadora e baseada em dados.





