Conforme explicado claramente pelos porta-vozes do regime revolucionário iraniano, os protestos organizados pelo Departamento de Estado norte-americano no país persa nada têm a ver com uma insatisfação popular. Ainda que haja um descontentamento com a situação econômica devido à criminosa política de sanções imposta pelo imperialismo, as manifestações impulsionadas pela imprensa imperialista são apenas uma cobertura para uma tentativa de golpe de Estado.
A situação não permite ambiguidades: a República Islâmica do Irã, para além de todas as conquistas para a sua população, é o sustentáculo logístico e militar do Eixo da Resistência. O apoio da nação persa é o que permite à resistência palestina, liderada pelo Hamas, impor derrotas humilhantes ao exército sionista. Por isso, é preciso dizer com clareza: defender a queda do regime hoje é trabalhar diretamente para o genocídio em Gaza.
A esquerda pequena-burguesa, papagaio da propaganda imperialista, ataca o Irã sob o pretexto de combater uma “teocracia”. O conteúdo social de um regime, no entanto, é muito mais importante que sua ideologia. O regime iraniano é o resultado de uma das maiores revoluções de toda a história, que destruiu a ditadura fascista de Reza Pahlavi e tomou o controle das riquezas nacionais das mãos do capital estrangeiro.
A questão religiosa é secundária. O que importa é que o Irã é um Estado nacional que enfrenta o imperialismo. Se o governo iraniano colapsa, a estrutura que sustenta o Hesbolá no Líbano e os grupos combatentes na Palestina sofreria um golpe duríssimo. O Irã é o único país da região com uma indústria de defesa autônoma e vontade política de enviar armas e financiamento para quem realmente luta.
Sem o receio de uma retaliação regional coordenada pelo Irã, o Estado terrorista de “Israel” e os Estados Unidos teriam o caminho facilitado para acelerar a limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia. Embora a resistência palestina tenha força própria e não vá desaparecer, a perda do aliado iraniano tornaria a luta muito mais difícil e sangrenta. O Irã atua como um freio real à sanha genocida sionista.
O imperialismo não ataca o Irã por falta de “direitos civis” — basta ver como o imperialismo é cúmplice das monarquias absolutistas da Arábia Saudita. O ataque ao Irã ocorre porque o país é o exemplo vivo de que um povo oprimido pode sobreviver e se armar sem baixar sua cabeça para a ditadura do grande capital.
Defender a estabilidade do governo de Khamenei contra as tentativas de “revolução colorida” e sabotagem externa é, em primeiro lugar, defender o país e o povo que nele vive. O Irã, ao manter um Estado centralizado e militarmente forte, impede o controle absoluto de imperialismo sobre o Oriente Próximo.
Quem pede o fim do governo iraniano enquanto Gaza é bombardeada está, na prática, pedindo o desarmamento da resistência. A derrota do imperialismo é a prioridade absoluta para a esquerda. Defender o Irã é defender o direito de todos os povos oprimidos à autodeterminação e à luta armada.





