O artigo As facções das fake news devem ser enfrentadas nos pântanos em que vivem, de Moisés Mendes, publicado no Brasil 247 neste domingo (11), é mais uma ação para suprimir a liberdade de expressão.
Não existe combate às fake news, isso é apenas um artifício utilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para aprofundar a censura no País.
Moisés Mendes escreve que “Circula pelas redes sociais e pelos grupos de zap mais um abaixo-assinado para que a Câmara abra processo de cassação de Nikolas Ferreira por disseminação de fake news”. Em sua opinião, “é preciso, mas é pouco”.
A grande imprensa mente descaradamente, manipula informações o tempo todo e ninguém diz nada. Os grandes meios de comunicação, quando não mentem, tratam de abafar escândalos, ou impedem que as pessoas tenham acesso aos fatos. Sabotam o País, fazem campanha, por exemplo, contra a exploração de petróleo; apoiam os crimes praticados pelo imperialismo, bem como apoiam golpes de Estado como o de 1964 e o de 2016. Nikolas Ferreira é inofensivo diante dessa gente.
Nenhum grande grupo jornalístico será alvo de qualquer “inquérito das fake news”, pois o objetivo é calar as pessoas.
Mendes diz ainda que “não serão os recursos formais e as instituições que irão conter hoje um Nikolas Ferreira e outros das mesmas facções. Não serão o sistema de Justiça nem as normas de conduta do Congresso. Se fossem, eles já teriam sido contidos”. O articulista tem a ilusão de que a Justiça e as instituições estão aí para conter a mentira.
Para o articulista, “hoje, Nikolas é muito mais um caso para a guerrilha das redes sociais, e menos para o governo ou para as autoridades das polícias, do Ministério Público e do Judiciário. As estruturas institucionais não têm nenhuma efetividade nessa guerra, com decisões pontuais apenas na área eleitoral” – grifo nosso.
Por que “hoje”? Isso nunca foi assunto para autoridades etc. E cabe outra pergunta, se as estruturas institucionais são ineficazes, por que apoiar, e para que existem inquéritos como o da fake news?
É ridículo, mas Mendes escreve que “nenhum Hugo Motta levará adiante uma proposta de cassação do mandato do deputado da peruca, se ele não for visto como galinha morta do fascismo. Essa é uma briga de rua, na barra pesada da esfera pública que eles dominam”. É isso, querem cassar um deputado porque utilizou uma peruca, e dentro do Parlamente, onde, supostamente, poderia falar o que bem entendesse.
“Fascismo”
Moisés Mendes deveria tomar cuidado com o que diz. Afirmar que “mentira é a arma a ser usada sem medo por um fascista” pode fazer com que seja processado por algum órgão da grande imprensa
O medo do jornalista é que, para ele, “o esforço de desmentir ou contrapor à mentira” não é suficiente. Na cabeça dele, as pessoas precisam ser protegidas, tuteladas, pois são incapazes de raciocinar sozinhas.
Eleições
Toda essa gritaria tem um motivo: ano eleitoral. Boa parte da esquerda acredita que o Fernando Haddad não venceu as eleições contra Jairo Bolsonaro porque um dia antes das eleições houve disparos massivos de mentiras pelo WhatsApp.
Não foi a perseguição e as mentias inventadas da imprensa, a prisão ilegal de Lula, o STF ter impedido Lula de aparecer no material de campanha que elegeram Bolsonaro, foram disparos em um aplicativo.
A histeria da maioria da esquerda contra os aplicativos serviu de apoio para a burguesia, por meio do Judiciário, implementar a censura nas redes. Existe uma grande pressão, no mundo todo, para que plataformas mandem dados de usuários, conversas privadas, e até espionem. Tudo em nome da democracia e da verdade.
14 mil pessoas presas no Reino Unido por postagens em favor da Palestinas, ou de participar de protestos, mostra para que servem essas “leis para o nosso bem”.
Mendes escreve que “os criadores de fake news precisam ser expostos no mesmo ambiente em que se reproduzem, para que só assim os recursos convencionais com algum sentido de justiça funcionem, se é que irão funcionar”. E está esperando o quê? A esquerda já deveria estar há muito tempo nas redes sociais. No entanto, uma live do presidente Lula praticamente não tinha visualizações. A culpa é de quem?
De que adianta dizer que “os fabricantes de mentiras não serão alcançados em ano de eleição pelos contrapesos da política antiga, pelo sistema de Justiça e pelas táticas pré-tiktok”. Se antes do TikTok já havia, por exemplo, a Revista Veja, que às vésperas de eleições publicava capas incriminando o petista da vez?
Mais leis
Para Mendes, se os mentirosos “fossem alcançados, se tivéssemos regras e leis funcionando, se as big techs temessem punições, não existiriam Nikolas Ferreiras e já teriam sido indiciados, julgados e condenados os investigados no inquérito das fakes news, que completa sete anos em 2026”.
É um erro grotesco querer resolver diferenças políticas com polícia; ou acreditar que as diferenças podem ser revolvidas com regras e leis. Aliás, estas servem apenas para aumentar o poder das plataformas digitais. O STF está terceirizando suas atribuições para as redes sociais, que poderão retirar do ar mensagens ou canais que julgarem ofensivas, e tudo isso sem que haja um processo. Quem sairá perdendo é o usuário.
Talvez Moisés Mendes não tenha se dado conta, mas bater no peito orgulhoso e dizer que o inquérito das fake news completa sete anos. É uma verdadeira aberração. A própria Constituição diz que inquéritos precisam durar um tempo razoável.
Os defensores da verdade e da “democracia” apoiam uma ação que é extremamente autoritária e fere justamente os direitos democráticos. Mas como cobrar coerência de pessoas que são contra a liberdade de expressão e que acreditam que o STF combate fascistas?





