Oriente Próximo

30 policiais foram assassinados por manifestantes da CIA no Irã

Governador de Isfahan diz que 30 agentes morreram em motins armados; Teerã atribui ações a rede ligada à CIA e ao Mossad e convoca atos de unidade nacional nesta segunda

O governador da província de Isfahan, Ali Ahmadi, afirmou no domingo que 30 integrantes das forças de segurança foram assassinados nos recentes motins armados no território provincial. Segundo Ahmadi, um cortejo fúnebre para os agentes assassinados foi marcado para esta segunda-feira (12), em meio à mobilização convocada pelas autoridades iranianas contra os ataques armados e ações de sabotagem atribuídas a grupos vinculados ao imperialismo.

Ainda de acordo com o governador, um bebê de dois meses está entre as vítimas civis da onda de violência. Ahmadi também mencionou a extensão dos danos materiais, com incêndios e depredações, incluindo o ataque a 10 mesquitas em Isfahan, atribuído a grupos armados que, segundo as autoridades, se aproveitaram de protestos por dificuldades econômicas para impor ações de terror.

Outras províncias também relataram baixas entre as forças de segurança. Em Fars, o diretor-geral do departamento provincial da Fundação dos Mártires, Ibrahim Bayani, disse que ao menos 12 agentes foram assassinados. Já o comandante-geral das Unidades Especiais da Polícia, Masoud Modaqq, declarou que oito integrantes de seu comando foram assassinados nos confrontos. As autoridades afirmaram, contudo, que o número total de civis e agentes mortos no país ainda não foi divulgado.

Além das mortes, foram reportados ataques contra centros médicos e de socorro. No norte do país, na província de Gilan, uma pessoa voluntária do Crescente Vermelho foi morta durante um desses ataques; outras cinco pessoas da organização teriam ficado feridas em diferentes localidades, segundo informações divulgadas pelas autoridades.

Autoridades iranianas vêm insistindo na distinção entre protestos pacíficos por problemas econômicos e os motins armados. Segundo Teerã, a alta do custo de vida e a desvalorização do rial foram agravadas pelas sanções unilaterais dos Estados Unidos, em especial contra o banco central e as exportações de petróleo, e passaram a ser instrumentalizadas por grupos organizados para ações violentas. Nesse sentido, órgãos de segurança e do Judiciário anunciaram o desmonte de células armadas e a prisão de operadores ligados ao estrangeiro.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou haver “evidências claras” de ligação entre a violência e grupos associados ao serviço secreto de “Israel”, o Mossad. Ele citou uma publicação do ex-secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, na qual este mencionou agentes do Mossad circulando no Irã, e afirmou que policiais iranianos estariam sendo executados por “terroristas reais”, sob coordenação desses agentes. Em um alerta dirigido a Washington e ao regime sionista, Araghchi escreveu que a admissão pública de Pompeo desmonta a acusação de que o Irã estaria “delirando” ao denunciar a participação de Telavive e dos Estados Unidos nos ataques.

No mesmo sentido, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, disse à Tasnim que uma “rede destrutiva e organizada” infiltrou os protestos e passou a realizar ações que ele comparou às táticas da organização terrorista Daesh, com assassinatos e incêndios. A agência iraniana informou, por sua vez, que 109 integrantes das forças de segurança teriam sido mortos nos motins em todo o país.

Em entrevista televisionada, o presidente Masoud Pezeshkian declarou que o governo tem o dever de ouvir as reivindicações populares, mas sustentou que “protestar é diferente de tumultuar”. Ele pediu que a população se afaste de “tumultuadores e terroristas” e afirmou que Estados Unidos e “Israel” estariam conduzindo a violência para “semear caos e desordem”, com grupos “treinados” para destruir propriedades públicas e privadas e matar civis.

No Parlamento, o presidente da Casa, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o país reconhece protestos pacíficos, mas que enfrentará “terroristas armados” com medidas severas. Qalibaf também dirigiu um aviso a Donald Trump, dizendo que qualquer ataque ao Irã tornaria “os territórios ocupados” e centros militares norte-americanos na região alvos legítimos. Já o aiatolá Saied Ali Khamenei declarou na sexta-feira que a República Islâmica “não recuará diante de vândalos” e não tolerará aqueles que atuam como mercenários de potências estrangeiras.

O governo iraniano convocou para esta segunda-feira atos nacionais de solidariedade e manifestações contra os ataques armados, ao mesmo tempo em que reiterou que as queixas econômicas serão tratadas. Em algumas províncias, como Kermanshah, foram registradas mobilizações com palavras de ordem contra a interferência estrangeira, enquanto cerimônias públicas de despedida de agentes mortos se espalharam pelo país.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.