Polêmica

Um embelezamento do imperialismo travestido de antitrumpismo

Não há nada que Donald Trump tenha feito que seus antecessores já fizeram e, na maioria das vezes, crimes ainda mais graves, como a destruição de países inteiros

Imperialismo

A entrevista Fernando Horta, publicada com título O mundo de leis e tratados acabou no dia em que Trump sequestrou Maduro, publicada no Brasil247 nesta quarta-feira (7), nos faz pensar: havia leis e tratados antes do sequestro do presidente venezuelano?

Os Estados Unidos, há décadas, apoiam todos os crimes que “Israel” comete, bem como veta quaisquer penalizações aprovadas contra esse Estado na ONU. Apoiar os sionistas significa financiar armas, atender com logística, inteligência e soldados para atacar o Líbano, a Palestina, a Síria, o Irã.

Todos se lembram da mentira grotesca sobre as “armas de destruição em massa” que estariam em posse do Iraque e que foi utilizada como pretexto para invadir o país, mesmo sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.

De 1991 para cá, todos os presidentes americanos bombardearam o Iraque, apesar de que as “armas de destruição em massa” nunca terem sido encontradas. Saddam Husseim, presidente iraquiano, não foi sequestrado, mas assassinado na forca após uma julgamento-farsa.

Muamar Gadafi, presidente da Líbia, também foi assassinado pelos Estados Unidos. A Síria foi sistematicamente bombardeada desde 2011 (mesmo ano da morte de Gadafi), sofreu bloqueio econômico e seu presidente, Bashar al-Assad, só não foi morto porque fugiu do país.

Aqui, na América Latina, temos o caso da prisão de Manuel Noriega, presidente do Panamá. Os EUA mandaram mais de 27 mil soldados para “defender vidas americanas, restaurar a democracia e combater o narcotráfico”. Nessa operação, matou milhares de panamenhos e destruiu bairros pobres como El Chorrillo.

Esse bairro pobre e tradicional, símbolo cultural panamenho, com construções construídas de madeira nos séculos XIX e início do XX, foi bombardeado com bombas incendiárias. O fogo se alastrou rapidamente há relatos de que pelo menos 4 mil pessoas morreram, além de 20 mil desabrigados. Corpos foram recolhidos durante semanas, muitos enterrados em valas comuns. Onde ficam as regras?

Os EUA/OTAN destruíram a Iugoslávia; despejaram 15 toneladas de bombas com urânio empobrecido sobre o país, que com isso se tornou o campeão europeu de casos de câncer e crianças nascidas com má-formação genética.

De Ronald Reagan para cá – apenas no continente africano –, além da Líbia, bombardearam a Somália, Sudão, Mali, Níger, Burkina Faso, Chade, Uganda, República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Etiópia.

Há ainda a invasão do Afeganistão, os inúmeros golpes de Estado, inclusive no Brasil, as agressões à China. A lista de crimes é gigantesca. Perto dessa gente, Donald Trump é ainda um aprendiz. Não há nada que Trump tenha feito que os outros, incluindo os democratas “bonzinhos” como o Obama, já não tenham feito.

E é preciso lembrar um detalhe, o “democrático” Reino Unido esteve na operação contra Maduro, assim como estiveram no Iraque, Gaza, Afeganistão etc. É o velho e bom imperialismo.

Horta afirmou na entrevista que “Donald Trump jogou todo esse mundo no lixo no dia 4”, e que teria sido “rompido não apenas o arcabouço jurídico do pós-guerra, mas toda a lógica que organiza as relações entre países desde o século XVIII”. Qual lógica? O “democrata” Joe Biden jogou o mundo em direção à Terceira Guerra Mundial, o que entrevistado tem a dizer sobre isso?

Adiante, Horta diz que “Não é só violação ao direito internacional. É violação a todos os preceitos da diplomacia que a gente conhece desde o século XVIII e XIX”. O único preceito que tem valido, desde sempre, é a força. Algumas pessoas podem se iludir com a tal diplomacia. Ninguém sabe o que ocorre nas negociações atrás das portas; mas, seguramente, as potências sempre negociam com o revólver sobre a mesa.

Por que o juiz?

Horta diz que, “se puderam fazer essa operação no Maduro do jeito que fizeram, eu pediria para avisar o Alexandre de Moraes, o Lula e o pessoal que, a partir de agora, ninguém mais está seguro”. Mas, por que essa preocupação com ministro? O STF nunca teve problema no Brasil. Moraes, se volta a se comportar como em 2016, quando votou pela prisão de Lula e parar de se meter com o grande capital, não tem o que temer.

Conforme diz o artigo, “o comentário foi feito após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, atual presidente do país, recuar da acusação de que Maduro chefiava o chamado Cartel de los Soles, abandonando a tese de uma organização criminosa estruturada e passando a tratá-lo apenas como alguém que ‘atua dentro dessas estruturas’”. Como se vê, os americanos até agem como um STF. Já têm o criminoso, só precisam inventar o crime.

Para Horta, a mudança confirma que a prisão não teve base jurídica real. ‘Aquela narrativa do narcoterrorismo era para convencer o mundo de que as ações eram legítimas. Agora, eles não precisam convencer mais nada e ninguém’”. Também não havia, como dissemos acima, as tais armas no Iraque. Os EUA também arranjaram um ataque de armas químicas na Síria e colocaram a culpa em Al-Assad. Até aí, nada de novo.

Eleições

Fernando Horta considera que as eleições de 2026 estão sob risco. Para ele, “a ofensiva contra a Venezuela inaugura uma nova fase de interferência internacional. ‘As eleições de dois mil e vinte e seis começam a partir de agora a ter necessariamente um componente internacional’”. E o que dizer das eleições na Ucrânia pós Euromaidan? E a prisão de Lula, que possibilitou a eleição de Bolsonaro?

Os EUA estão interferindo em todas as eleições na América Latina desde sempre. Aliás, o imperialismo interfere nas eleições dentro mesmo dos Estados Unidos.

O mundo pós-Trump não é qualitativamente pior do que aquilo que havia antes. A única diferença é que hoje está tudo às claras. As falcatruas são feitas à luz do dia. Jogar a culpa em apenas um presidente americano, serve apenas para acobertar o que os criminosos anteriores já fizeram.

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