Inglaterra

Ativistas em greve de fome do Ação Palestina estão à beira da morte

Quatro presos do grupo Ação Palestina foram descritos por apoiadores como em “estado crítico” após mais de seis semanas de greve de fome

A Plataforma de Solidariedade com Palestina informou nesta quinta-feira (8) que Kamran Ahmed, Heba Muraisi, Teuta Hoxha e Lewie Chiaramello, ligados ao grupo Ação Palestina, apresentam quadro grave em razão da greve de fome realizada dentro do sistema prisional britânico. Segundo a entidade, outros quatro detidos que aderiram ao protesto encerraram a greve após internações hospitalares.

De acordo com o informe, Ahmed, Muraisi e Hoxha estão presos desde novembro de 2024, acusados de ações de sabotagem contra a sede, em Filton, da empresa israelense de armamentos Elbit Systems. Chiaramello foi preso em julho de 2025, acusado de participação em um ato contra a Real Força Aérea britânica.

A situação mais preocupante seria a de Heba Muraisi, de 31 anos. A plataforma afirmou que ela já estava há mais de 65 dias sem se alimentar, com dificuldade para falar, e mantida em isolamento, a centenas de quilômetros da família. Muraisi teria declarado que não encerraria a greve enquanto não fosse transferida para perto de seus familiares.

No mesmo sentido, diz a rede Al Jazeera que Muraisi “parece muito pálida e muito magra”, com espasmos musculares, falta de ar, dor intensa e contagem baixa de glóbulos brancos, tendo sido internada três vezes em nove semanas. Uma amiga, Amareen Afzal, relatou à emissora que Muraisi “fala de si mesma como alguém que está morrendo” e que, ainda assim, permanece decidida a continuar até que as exigências sejam atendidas.

Ainda segundo a plataforma, Teuta Hoxha estava havia cerca de 59 dias sem comer e começava a apresentar falhas de memória. Kamran Ahmed, por sua vez, teria sido hospitalizado pela terceira vez e completado quase dois meses de greve. Já Al Jazeera atribui ao quadro de Ahmed episódios repetidos de internação, com nova admissão hospitalar nesta semana, além de dores no peito, falta de ar, tonturas e bradicardia, segundo relato de sua irmã, Shahmina Alam, que afirmou temer que “cada visita possa ser a última”.

O caso de Lewie Chiaramello também foi descrito como grave. Conforme a plataforma, ele adota jejum intermitente e é diabético tipo 1, com episódios de tontura, confusão e fraqueza após semanas de protesto. À Al Jazeera, sua companheira disse temer risco elevado de coma diabético.

As exigências anunciadas pelos grevistas incluem liberdade sob fiança, garantia de julgamento justo, fim do bloqueio de comunicações pessoais, com denúncias de retenção de cartas, ligações e livros, revogação da proscrição do Ação Palestina e fechamento das instalações da Elbit Systems no Reino Unido.

O grupo Ação Palestina foi fundado em 2020 e atua em campanhas contra a indústria de armamentos associada a “Israel”. Em julho de 2025, o parlamento britânico aprovou sua proibição, classificando-o como “organização terrorista”. Após a medida, de acordo com a Plataforma de Solidariedade com Palestina, mais de 1.600 pessoas foram presas em três meses por atos de solidariedade ao grupo.

Os apoiadores também relacionam a greve de fome atual à de prisioneiros republicanos irlandeses em 1981, liderada por Bobby Sands, que terminou com 10 mortos. A comparação aparece em manifestações e declarações públicas citadas pela Al Jazeera.

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