Luta pela terra

FNL publica nota em defesa da Venezuela

Organização do campo denunciou o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos

A Frente Nacional de Luta – Campo e Cidade (FNL) divulgou neste sábado (3) uma nota pública em defesa da Venezuela, denunciando a agressão dos Estados Unidos e exigindo o retorno imediato do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, além da retirada das forças norte-americanas mobilizadas no Caribe.

Na noite desta sexta-feira (2) e na madrugada deste sábado (3), tropas especiais do governo dos Estados Unidos conduziram um ataque no território venezuelano: após semanas de cerco naval e execuções sumárias no Mar do Caribe, os EUA bombardearam diversas localidades, inclusive Caracas e os estados Miranda, Aragua e La Guaira, e, em meio ao ataque, sequestraram o presidente Nicolás Maduro.

Na nota, a FNL afirma que o sequestro configura violação do direito internacional, da soberania venezuelana e da imunidade de chefes de Estado, qualificando a ação como a agressão mais grave cometida na América do Sul no século XXI. O texto sustenta que o objetivo da ofensiva é o saque das riquezas do país, citando as reservas de petróleo e jazidas de minerais estratégicos.

A entidade relaciona o ataque à escalada da ofensiva imperialista contra a Venezuela e denuncia que a mobilização militar no Caribe não tem relação com “combate ao narcotráfico”, mas com a imposição de um cerco contra o país e a intimidação de governos e povos da região. A FNL também convoca mobilização no Brasil e em toda a América Latina, chamando sindicatos, movimentos sociais, intelectuais e forças democráticas a se colocarem em solidariedade ativa com o povo venezuelano.

A agressão foi acompanhada por medidas adicionais de guerra. Autoridades norte-americanas impuseram restrições ao tráfego aéreo, proibindo companhias comerciais de operar no espaço aéreo venezuelano sob a alegação de “atividade militar em andamento”, enquanto a embaixada dos EUA em Caracas emitiu alerta máximo desaconselhando viagens ao país. A operação mobilizou destróieres, submarino nuclear, o porta-aviões USS Gerald R. Ford e mais de 4.000 militares.

Em coletiva na Flórida, na tarde deste sábado (3), Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem governar a Venezuela até a conclusão de uma “transição” e ameaçou uma segunda onda de ataques caso haja resistência. Antes disso, o senador republicano Mike Lee declarou, em publicação no X, ter conversado por telefone com o secretário de Estado Marco Rubio e afirmou que a operação de bombardeio serviu de cobertura para a captura de Maduro, sustentando que as ações cessaram depois que o presidente venezuelano ficou sob custódia norte-americana.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) divulgou comunicado convocando governos e povos de todo o mundo a protestarem contra a agressão e a se mobilizarem “de maneira imediata e permanente” com pronunciamentos, protestos e ações diante de parlamentos, embaixadas e organismos internacionais. Em Cuba, moradores de Havana se reuniram na Tribuna Anti-imperialista com palavras de ordem contra o imperialismo norte-americano; Miguel Díaz-Canel classificou o ataque como “brutal, traiçoeiro, inaceitável e vulgar” e cobrou responsabilidade dos EUA pela integridade física do presidente sequestrado.

A seguir, a nota da FNL na íntegra.

NOTA PÚBLICA DA FRENTE NACIONAL DE LUTA – CAMPO E CIDADE (FNL)

EM DEFESA DA VENEZUELA E CONTRA O SEQUESTRO IMPERIALISTA

A Frente Nacional de Luta – Campo e Cidade (FNL) denuncia com indignação revolucionária o sequestro ilegal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, perpetrado na madrugada deste sábado (3) por forças militares dos Estados Unidos em flagrante violação do direito internacional, da imunidade dos chefes de Estado e da soberania da República Bolivariana da Venezuela. Trata-se do ato de agressão mais grave já cometido na América do Sul no século XXI — uma operação de guerra criminosa, executada com explosões, apagões e aviões furtivos sobre Caracas, com o único propósito de assaltar as maiores reservas de petróleo do mundo e as jazidas estratégicas de lítio, coltan e outras terras raras, essenciais à hegemonia tecnológica e energética do Império.

Essa ofensiva não nasce do vácuo. Ela é a expressão mais brutal da reedição da Doutrina Monroe, agora codificada em uma nova política de segurança nacional do governo Trump, que declara abertamente a América Latina como “área de interesse estratégico” — ou seja, seu quintal, onde se pode invadir, depor governos e extrair riquezas à força, sob o silêncio cúmplice de elites submissas e traiçoeiras. É a mesma lógica que massacrou o Iraque, destruiu a Líbia e sangrou o Afeganistão: primeiro a mentira, depois a bomba, e por fim o saque. O povo paga com sangue; as corporações, com lucros. É o mesmo projeto que, nas palavras de Eduardo Galeano, em As Veias Abertas da América Latina, “continua sangrando, enquanto cada nova ferida anuncia outra promessa de lucro”.

A mobilização da maior força militar no Caribe desde a Guerra Fria não foi para “combater o narcotráfico”, como falsamente alegam. Foi para impor medo — aos governos que ousam resistir, aos povos que sonham com soberania, às nações que não aceitam ser colônias do século XXI. Mas o imperialismo subestima a memória histórica e a capacidade de luta do povo venezuelano, que há décadas constrói, mesmo sob cerco brutal, uma alternativa popular, anti-imperialista e bolivariana.

Não aceitaremos que a Venezuela seja transformada em mais uma terra de ossos e escombros para alimentar a ganância do capital. Repudiamos este sequestro como crime político e exigimos:

  • O retorno imediato e incondicional de Nicolás Maduro e Cilia Flores ao território venezuelano;
  • O fim do bloqueio naval e aéreo imposto pelos EUA;
  • A devolução dos petroleiros sequestrados;
  • A retirada imediata de todas as tropas, navios e bases militares estadunidenses do Caribe.

Convocamos todos os setores populares, sindicatos, movimentos sociais, intelectuais e forças democráticas do Brasil e da América Latina a se levantarem em solidariedade ativa com o povo venezuelano. Que fique claro aos senhores do Pentágono: a América Latina não é seu quintal. É terra de povos em luta, que sangraram demais e não se curvarão.

Que fique claro aos imperialistas: a América Latina não é seu quintal. É terra de povos livres, em luta permanente por soberania, justiça e socialismo.

Brasília, 3 de janeiro de 2026

Viva o povo venezuelano!

Fora o imperialismo da América Latina! Tire suas botas de nosso continente!

FRENTE NACIONAL DE LUTA – CAMPO E CIDADE (FNL)

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