América Latina

Ataque dos EUA à Venezuela matou ao menos 80 pessoas

Seis soldados norte-americanos ficaram feridos durante tentativa de sequestro de Nicolás Maduro

Apesar das alegações do governo norte-americanos de que o bombardeio criminoso sobre a Venezuela teria cumprido um papel exclusivamente tático, a ação teria deixado pelo menos 80 mortos, entre militares e civis. É o que diz uma reportagem do jornal norte-americano The New York Times, citando autoridades venezuelanas.

A ofensiva, segundo o presidente Donald Trump, teve como objetivo a captura de seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. De acordo com o General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, as aeronaves norte-americanas enfrentaram resistência durante a tentativa de extração. Em coletiva de imprensa realizada em Mar-a-Lago, na Flórida, ao lado de Trump, Caine afirmou que helicópteros dos Estados Unidos foram recebidos sob fogo pesado.

“Uma de nossas aeronaves foi atingida, mas permaneceu em condições de voo”, afirmou o General Caine, garantindo que, apesar dos danos materiais, “todas as aeronaves dos EUA retornaram à base”.

Embora o comando militar tenha focado no sucesso da retirada de suas tropas, autoridades norte-americanas sob anonimato confirmaram que a operação não saiu ilesa: cerca de seis soldados ficaram feridos durante o esforço para sequestrar Maduro.

A própria reportagem destaca que Trump falou em transmissão da emissora Fox News que nenhum soldado norte-americano foi morto, mas indicou que alguns militares haviam ficado feridos. Cerca de meia dúzia de soldados foram atingidos na operação de sequestro, de acordo com duas autoridades anônimas.

Logo após o ataque, veio à tona a morte de uma civil venezuelana em Catia La Mar, uma área costeira pobre a oeste do Aeroporto de Caracas. Lá, um ataque aéreo atingiu um complexo de apartamentos civis de três andares e destruiu uma parede externa. O ataque matou Rosa González, de 80 anos, disse sua família, e feriu gravemente seu sobrinho, que quase perdeu um olho. Ele levou três pontos na lateral do rosto.

“O Sr. González, que parecia atordoado horas depois, mostrou aos jornalistas onde os armamentos dos EUA haviam atingido. Questionado sobre para onde iria agora que perdeu sua casa, ele disse apenas: ‘Não sei’. Ele falou pouco enquanto se curvava e procurava por quaisquer objetos de valor que pudesse salvar. Ele pegou um guarda-chuva velho e carregou uma cômoda.”

Um vizinho, um homem de 70 anos, disse a um correspondente The New York Times ter perdido tudo no ataque aéreo.

Os moradores disseram que quatro homens tentaram resgatar a Sra. González após o ataque aéreo. Eles a carregaram em uma motocicleta e a levaram para um hospital, mas ela foi declarada morta ao chegar. Outra mulher também foi levada ao hospital; os moradores foram informados posteriormente que ela havia sobrevivido, mas estava em estado crítico.

Esses são apenas alguns dos relatos apresentados por um dos mais importantes porta-vozes do grande capital norte-americano. Contudo, como a mesma reportagem destacou, outras dezenas de venezuelanos perderam a vida que que o governo norte-americano pudesse sequestrar o presidente da Venezuela, expondo a total falta de escrúpulos do imperialismo.

32 cubanos assassinados durante a operação

O governo cubano informou que 32 cubanos perderam a vida em ações de combate, que cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, a pedido de órgãos homólogos do país sul-americano.

“Fiéis às suas responsabilidades com a segurança e a defesa, os nossos compatriotas cumpriram digna e heroicamente o seu dever e caíram, após resistência ferrenha, em combate direto contra os atacantes ou como resultado dos bombardeamentos às instalações”, declarou o governo.

O presidente Miguel Díaz-Canel prestou homenagem aos mortos numa publicação no X:

“Honra e glória aos bravos combatentes cubanos que caíram enfrentando terroristas em uniforme imperial, que sequestraram e retiraram ilegalmente do seu país o presidente da Venezuela e sua esposa, cujas vidas ajudavam a proteger as nossas a pedido dessa nação irmã.”

Também foi decretado luto nacional, a partir das 6h do dia 5 de janeiro até às 0h do dia 7 de janeiro de 2026.

Imprensa estatal venezuelana fornece detalhes sobre o sequestro de Maduro

Segundo o governo norte-americano, um grupo de elite das Forças Especiais dos Estados Unidos, conhecido como “Delta Force”, chegou à residência do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por volta das duas da manhã deste sábado (3). Os agentes integravam um destacamento que envolveu 150 aeronaves, conforme detalhou o General Dan Caine, atual Chefe do Estado-Maior Conjunto. Maduro e sua esposa, segundo esta versão, estavam em “uma casa que era mais uma fortaleza”, e foram rendidos quando o presidente venezuelano tentou entrar em um local seguro reforçado com aço. Ele teria chego à porta, mas não conseguiu fechá-la.

No entanto, esses detalhes ocultam uma história mais profunda”, diz artigo publicado pela teleSUR, emissora estatal venezuelana controlada pelo chavismo. A presidente da plataforma, Patricia Villegas, afirmou ter recebido acesso ao que “realmente aconteceu naqueles minutos em que os soldados do império executavam a ignomínia”.

Segundo apurou Villegas, naquele momento ocorreu um fato “que marca essa história”, que não era conhecido até agora e “que é, antes de tudo, uma história de amor”.

Enquanto os helicópteros que sobrevoavam esperavam do lado de fora, após a neutralização de todos os sistemas de defesa antiaérea da Venezuela por uma série de bombardeios, “eles iam levá-lo sozinho”, relata Villegas. No entanto, Cilia Flores, esposa e companheira de vida de Maduro, não permitiu. Segundo o relato, ela “exigiu ir junto com o líder, seu marido, seu companheiro”.

Foi o atual presidente da Venezuela quem a batizou durante a campanha presidencial de 2013, após a morte de Chávez, como “a primeira combatente”. Naquele momento, Maduro manifestou: “Cilia não será a primeira-dama porque esse é um conceito da alta linhagem”, disse o então presidente encarregado perante uma multidão no dia em que registrou sua candidatura presidencial, advertindo que ela não seria nenhuma “coadjuvante”.

Cilia Flores tem origens humildes e nasceu em 1956 em um ambiente rural. Natural de Tinaquillo, estado de Cojedes, sua família mudou-se logo para Caracas, onde cresceu nos populosos bairros de Catia e Boquerón. Graduou-se em Direito aos 32 anos e especializou-se em direito penal e trabalhista. Sua vida profissional deu uma guinada decisiva após a tentativa de golpe de Estado de 4 de fevereiro de 1992, que marcou o início da Revolução Bolivariana.

Flores fez parte da equipe jurídica que defendeu os militares envolvidos, incluindo Hugo Chávez. A trajetória de Flores somou, assim, neste 3 de janeiro, um novo capítulo na história do continente. “Em meio a uma das maiores violações de todos os direitos, impôs-se a força de seu amor e de sua convicção”, destacou Patricia Villegas em sua publicação.

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