Polêmica

PSTU fecha com Trump: que Maduro mofe na cadeia

Partido não defende liberdade de presidente venezuelano sequestrado pelo imperialismo

A Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), organização internacional que no Brasil tem como principal representante o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), publicou recentemente um manifesto sobre os mais novos ataques do imperialismo norte-americano contra a Venezuela. Sob o título Abaixo a agressão ianque! Defendamos a Venezuela!, o documento tenta disfarçar sua colaboração com o imperialismo por meio de uma fraseologia pretensamente revolucionária. Ao centrarem fogo no “Nenhuma confiança em Maduro” no exato momento em que a Venezuela sofre um golpe com o sequestro de seu presidente, a LIT-QI e o PSTU se alinham inequivocamente ao imperialismo.

É impossível analisar o crime que o PSTU comete neste texto sem evocar a lição que Leon Trótski deu em 1938, em sua famosa entrevista ao sindicalista italiano Mateo Fossa. Trótski, o fundador da Quarta Internacional — que a LIT-QI diz representar de forma espúria —, foi cristalino ao explicar que a tarefa do revolucionário em um conflito entre uma nação oprimida e uma potência imperialista não depende do “caráter democrático” do governo local.

Trótski usou o exemplo do Brasil sob o regime de Getúlio Vargas, que ele classificava como um regime semifascista. Ele afirmou categoricamente que, se a Inglaterra fascista atacasse o Brasil de Vargas, ele estaria ao lado do “fascista” Vargas contra a “democracia” britânica. Por quê? Porque a derrota do imperialismo nas mãos de uma nação oprimida é o maior golpe que se pode dar no sistema capitalista mundial. A LIT-QI inverteu essa política: ela condiciona o apoio à defesa nacional a uma lista de exigências supostamente democráticas, agindo como liberais que exigem um oprimido “civilizado”.

A gravidade do documento do PSTU/LIT-QI reside na sua completa desconexão com os fatos. O texto reconhece o bloqueio naval e as mortes no Caribe, mas ignora o fato político central: Nicolás Maduro foi sequestrado pelas forças especiais do governo norte-americano. Os bombardeios cessaram porque o objetivo da decapitação estatal foi atingido.

Ao gritar “Nenhuma confiança em Maduro” enquanto o presidente está sendo mantido como refém, o PSTU está atacando o oprimido em vez de focar no sequestrador. A palavra de ordem que deveria abrir o manifesto, em letras garrafais, é a DEVOLUÇÃO IMEDIATA DE NICOLÁS MADURO. Sem o retorno do chefe de Estado, qualquer discussão sobre “ajuste econômico”, “salário mínimo” ou “Chevron” é pura distração burocrática. O governo, tal como existia, foi suspenso pela força bruta; criticá-lo agora é como criticar a integridade moral de um refém enquanto ele está com uma arma na cabeça.

Ao dividir as fileiras da resistência com ataques ao regime chavista neste momento crítico, a LIT-QI cumpre o papel de ala esquerda do Departamento de Estado norte-americano. O PSTU pede “unidade de ação”, mas sabotam qualquer unidade ao sugerir que o inimigo interno é tão perigoso quanto os mísseis de cruzeiro de Trump. Para um revolucionário sério, no momento da invasão, o inimigo é apenas um.

A insistência em pautas econômicas internas — como o aumento de salários em um país sob bloqueio total — é de um cinismo atroz. É a tentativa de usar as dificuldades geradas pelo próprio imperialismo para jogar a classe trabalhadora contra quem está na linha de frente da defesa soberana. É, em última instância, preparar o terreno para que a população aceite a “salvação” imperialista de María Corina Machado.

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