Na primeira Análise Política da Semana do ano, transmitida pela Causa Operária TV, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, abordou o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo norte-americano.
Antes disso, Rui Costa Pimenta iniciou sua fala, como de costume, tratando da liberdade de expressão. Ele citou o caso da plataforma britânica MintPress, que teve uma campanha de arrecadação de 51 mil libras cancelada arbitrariamente pela plataforma Indiegogo por motivos políticos. “Isso mostra bem como todo mundo está caindo aí sob o controle ditatorial das redes sociais”, disse Rui Costa Pimenta. Ele argumentou que as leis atuais, inclusive no Brasil, aumentam o poder de censura das grandes empresas de tecnologia, criando um ambiente onde a esquerda terá que atuar fora desses meios.
Pimenta analisou a implosão do “centro político” no Brasil após o golpe de 2016. Segundo ele, parte do antigo PSDB migrou para a extrema-direita, enquanto outra ala passou a fazer “pose de esquerdista” para contrabandear políticas direitistas para dentro do chamado campo progressista. “Você fazer pose de apoiar o governo não quer dizer que você é de esquerda; apoiar o governo é um ato de tudo quanto é oportunista”.
Sobre o cenário nacional, Rui Costa Pimenta abordou as denúncias envolvendo um contrato milionário entre a esposa do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master. Ele criticou a postura de setores da esquerda que o atacaram pessoalmente após ele comentar o caso. “Não há refutação de argumentos, apenas ataques de caráter pessoal”, observou Pimenta, refutando acusações de que o PCO receberia fundo partidário e apontando que o método de ataque pessoal é tipicamente direitista.
O dirigente rebateu a ideia de que as acusações contra Moraes seriam “fake news”. Para ele, o fato de o contrato existir torna a denúncia legítima para o escrutínio público. “As autoridades políticas ficam blindadas contra a crítica do cidadão”, disse Rui Costa Pimenta ao criticar o uso de novas teses jurídicas para cercear a liberdade de expressão e o fato de o processo ter sido colocado sob segredo de justiça pelo ministro Dias Toffoli.
Pimenta defendeu que a esquerda deve adotar o método de “dizer a verdade às massas, doa a quem doer”, em vez de ocultar fatos desconfortáveis. Ele criticou a briga entre setores da burguesia financeira que estaria por trás do caso Banco Master e afirmou que o poder público deve ser aberto à transparência total. “Falar em democracia é bobagem se não existe o direito de o povo saber o que está acontecendo”, pontuou.
O presidente do PCO comparou a situação atual com crises históricas, como o caso Stavisky na França. Para ele, o regime político brasileiro está em frangalhos e a esquerda, ao se abraçar com instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) por oportunismo eleitoral, caminha para um desastre. “O regime político brasileiro está nas últimas; não há como esconder esse fato”, declarou Rui Costa Pimenta, ressaltando que a política reformista do PT se esgotou e não consegue mais oferecer soluções reais para a classe trabalhadora.
Sobre o evento central da semana, Pimenta classificou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ato criminoso de banditismo comum” do imperialismo norte-americano. Apesar do golpe, ele avalia que isso não significa uma derrota total da Venezuela. “O regime chavista não depende de uma única pessoa; o povo está armado”, explicou. Ele defendeu que a resposta do governo venezuelano deve ser a radicalização política.
“Um segundo aspecto do problema é a repercussão internacional”, disse Rui Costa Pimenta ao criticar duramente a nota emitida pelo governo brasileiro. Para ele, o uso do termo “captura” em vez de “sequestro” e o apelo à ONU são demonstrações de capitulação. “A nota do governo brasileiro é uma capitulação medonha; o Lula não fala do caráter criminoso da agressão”, criticou. Pimenta afirmou que o Brasil deveria tratar o ataque como uma agressão à sua própria soberania por ser um país vizinho.
Por fim, Pimenta reforçou a necessidade de uma luta anti-imperialista independente. Ele criticou organizações como o PSTU e setores do PT que, segundo ele, adotam uma postura ambígua sobre a Venezuela. “Se nós queremos luta anti-imperialista, nós temos que fazer a gente mesmo um movimento”, disse Rui Costa Pimenta, convocando todos para o ato do dia 11 de janeiro para exigir a libertação imediata de Maduro e ações concretas contra o imperialismo.




