O jornalista Alex Solnik publicou recentemente um artigo intitulado O apologista do Apocalipse, no qual comenta a mais recente ofensiva do imperialismo norte-americano contra a Venezuela. Em um texto carregado de adjetivos como “insano”, “besta-fera” e “monstro”, Solnik tenta convencer o leitor de que o mundo acabou de descobrir a barbárie. Entretanto, por trás do tom messiânico de quem clama pelo “Juízo Final”, esconde-se o cretinismo de quem não está horrorizado com o imperialismo em si, mas apenas com o aquele que o próprio imperialismo elegeu como bicho papão.
A comparação de Solnik é, antes de tudo, um desrespeito com as vítimas dos crimes cometidos pelo imperialismo ao longo dos anos. Ao afirmar que o sequestro de Nicolás Maduro “é pior que duas bombas de Hiroshima”, o autor insulta as centenas de milhares de mortos para fazer um jogo de palavras barato. Esse jogo tem um objetivo claro: pintar Donald Trump como um desvio psiquiátrico extraordinário, ocultando o fato de que o Estado norte-americano é criminoso em si. Onde estava o pânico de Solnik quando o “civilizado” Barack Obama assassinou Muammar Gaddafi? Onde estava sua indignação quando Joe Biden iniciou a nova etapa da guerra genocida de “Israel” contra o povo palestino? Para Solnik, o imperialismo só é “apocalíptico” quando não usa luvas de pelica.
Ao clamar que “os americanos têm que tirá-lo do poder”, Solnik revela uma subserviência constrangedora. Ele delega a salvação da América Latina às mesmas instituições que pariram o problema. É a negação da soberania em favor de uma esperança messiânica nas cortes dos Estados Unidos. Solnik não quer o fim da ditadura mundial; ele quer a volta de um imperialismo “palatável”, aprovado pela grande imprensa, que bombardeie em nome da “democracia” e não da “Lei do Mais Forte”.
Sua apelação à “opinião pública” e ao “Dia da Paz Universal” completa o quadro da estética da impotência. Embora a pressão internacional seja uma arma fundamental — como vemos no isolamento de “Israel” diante do massacre na Palestina —, ela só faz sentido quando serve de apoio à resistência real. Solnik, porém, usa o pedido de “protestos mundiais” como um substituto para a luta. Ele sugere que milhões de pessoas nas ruas são a “única solução”, ignorando deliberadamente que contra a força física do império, o que se impõe é a resistência concreta, armada, dos povos invadidos.




