O ano de 2025 se encerra com um saldo amargo para o movimento operário brasileiro, cujas lutas foram em grande parte contidas pela política de conciliação das direções sindicais majoritárias. A ausência de combate ao chamado “Plano Haddad”, pacote econômico apresentado no final de 2024, permitiu que ataques neoliberais se consolidassem, minando direitos históricos e a base social de apoio ao próprio governo.
Sob efeito do ‘Plano Haddad’
O pacote do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seguiu o receituário neoliberal de governos anteriores, propondo cortes em benefícios sociais e restrições a direitos trabalhistas.
Entre os ataques contidos no plano, destacou-se a limitação do reajuste do salário mínimo a 2,5% ao ano, medida que, segundo projeções, irá retira mais de R$109 bilhões dos trabalhadores nos próximos cinco anos, impactando diretamente aposentadorias e pensões. O plano também reduziu o acesso ao Abono Salarial (limitado a quem ganha até 1,5 vezes o mínimo) e impôs novas exigências ao Bolsa Família e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), retirando recursos das camadas mais vulneráveis e aprofundando a crise social, com mais de 39 milhões de pessoas na informalidade e 78% das famílias endividadas.
A política das grandes centrais sindicais, ao não levar adiante uma campanha para pôr abaixo o pacote, serviu para conter o movimento operário, como se viu nos primeiros anos do atual governo Lula. Isso ocorre quando a implementação desse plano fortalece os inimigos da classe trabalhadora e enfraquece o governo perante os trabalhadores que o elegeram.
A mesma política de submissão à política do governo levou ao quase silêncio diante do gigantesco roubo de todo o povo provocado pelas taxas de juros de 15% a.a. e suas consequências na fraudulenta dívida pública, retirando quase metade de todo o orçamento federal para pagar amortizações, juros e serviços aos bancos.
Uma tendência de reação: Correios e petroleiros
Em meio a esse cenário, as greves em curso nos Correios e no Sistema Petrobrás no final de 2025 emergem como uma importante tendência de reação dos trabalhadores, mostrando que a luta operária não está de todo paralisada.
Nos Correios, a paralisação começou na noite do último dia 16. O movimento ocorre em meio a uma grave crise econômico-financeira da estatal, que acumula prejuízos bilionários que a direção da ECT busca descarregar nas costas dos trabalhadores, dentre outras medidas, com um plano de demissão de 15 mil ecetistas e o não pagamento do abono de fim de ano (“vale-peru”).
A greve dos petroleiros, por sua vez, enfrentou a intransigência da direção de Petrobrás em não negociar e demonstrou força ao arrancar avanços significativos da Petrobrás, como: abono de 1,6 remunerações com piso de R$15 mil e teto de R$42 mil e vale-alimentação de R$400,00 mensais.
Desafios
Para os setores classistas do movimento operário, que defendem os interesses dos trabalhadores de forma independente dos patrões, o momento exige um impulso decisivo. É fundamental não apenas apresentar um programa próprio de defesa dos interesses da classe – de forma independente dos patrões e do governo -, mas também enfrentar a crescente intervenção do Poder Judiciário.
A determinação liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de manter 80% dos funcionários dos Correios em atividade durante a greve, sob pena de multa de R$100 mil por dia aos sindicatos, reafirma a ditadura do Judiciário que atropela o direito constitucional de greve.
Essa decisão, que compromete o poder de paralisação da categoria e que vem se repetindo contra vários setores, exige uma posição firme do movimento para garantir o pleno exercício do direito de greve.
A grande tarefa para o movimento operário em 2026 é romper com a política de conciliação, combater o ajuste fiscal e as medidas neoliberais e, principalmente, reverter os limites impostos pelo Judiciário para que o movimento possa exercer sua força e garantir que o ônus da crise não recaia sobre as costas da população trabalhadora.



