Retrospectiva 2025

O cerco contra Venezuela e o acordão ‘com o Supremo e com tudo’

O ano 2025 se encerra com os principais setores da burguesia golpista se submetendo à política do imperialismo

A política interna e a internacional, neste final de 2025, expõe os planos da burguesia golpista e do imperialismo para o País, bem como para toda a América Latina.

De um lado, os Estados Unidos intensificam o cerco naval à Venezuela. A perseguição a petroleiros, como o Bella 1 e o Centuries, e a declaração de “bloqueio total” por Donald Trump sinalizam uma escalada da agressão imperialista. Acertadamente, o presidente Nicolás Maduro chamou os EUA de “corsários que assaltaram petroleiros“, enquanto ex-diplomatas venezuelanos reconhecem os roubos como uma resposta à evasão de sanções e crimes internacionais, como contrabando e pirataria.

Fica ainda mais claro que toda essa operação, desde o começo, nada tem a ver com o “combate ao narcotráfico”, mas visa roubar e submeter a Venezuela e toda a região.

Em meio a este cenário de tensão, o reacionário secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, destacou o que considerou uma “trajetória positiva” e “boa interlocução” entre Donald Trump e Lula. A diplomacia morna com Brasília contrasta com a hostilidade contra Caracas, sugerindo que o governo brasileiro, ao não se opor de fato ao cerco (em nome da “neutralidade”), sinaliza uma inaceitável submissão ao imperialismo.

Isso, depois do governo dos EUA ter anunciado a retirada das sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, na mesma semana em que o Congresso Nacional aprovou o PL que reduz penas de Bolsonaro e demais acusados no processo pelo golpe que não existiu, de 8 de janeiro de 2023.

A acomodação externa encontra seu espelho na política interna, onde o “acordão” entre as cúpulas dos Três Poderes se consolidou. A manobra jurídica do ministro Gilmar Mendes, do STF, permitiu a suspensão de sua própria liminar, voltando à regra que autoriza qualquer cidadão a denunciar ministros por crime de responsabilidade.  Mendes, em atos oficiais insólitos, chegou a elogiar a “prudência e notável coragem cívica” dos presidentes do Senado por arquivarem dezenas de pedidos, consagrando o STF como uma corte imune ao controle popular e parlamentar.

O pacto por cima se escancarou no Legislativo com a aprovação, a toque de caixa, do Projeto de Lei da Dosimetria (PL), para reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A votação no Senado não deixou dúvidas de que o texto é fruto de um “grande acordo” de bastidores envolvendo o governo, parte da oposição e, notavelmente, o ministro Alexandre de Moraes, que teria atuado nos bastidores. A manobra de classificar a emenda como “de redação” para evitar o retorno à Câmara (suprimindo etapa essencial da deliberação) escancara o caráter de negociação de cúpula.

A imprensa burguesa tratou de dar sua contribuição para a “pacificação” momentânea, abafando escandalosamente, com nenhuma ou pouca repercussão, as denúncias de que o escritório da mulher de Moraes assinou contrato com o falido banco Master no total de R$129 milhões para defendê-lo junto ao STF e órgãos públicos.

O próprio ministro foi denunciado na imprensa capitalista na última semana por procurar ao menos quatro vezes o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para fazer pressão em favor do Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro.

O ano 2025 se encerra com os principais setores da burguesia golpista, o comando das carcomidas instituições do falido regime “democrático” brasileiro, se submetendo à política do imperialismo.

A esquerda parlamentar e seu governo, que gastaram horas de discursos e milhões em publicações de que “defenderia” a soberania, curvou-se miseravelmente, adotando uma política externa de conciliação com os EUA em meio à agressão regional, demonstrando que, da mesma forma que a burguesia, seus interesses de classe se sobrepõem a qualquer projeto de soberania ou democracia real.

A crise terminal do regime político surgido após o fim do regime militar coloca aos setores classistas e revolucionários de luta, da classe operária, a tarefa de se levantar diante da falência da política de frente ampla, de colaboração, em uma luta pela ruptura com a burguesia golpista, para apontar uma alternativa própria, revolucionária, dos trabalhadores diante da crise.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.