O Brasil encerra o ano de 2025 mergulhado em uma crise entre a imprensa e o Judiciário que, sob o pretexto de “salvar a democracia”, busca apenas preservar seus próprios privilégios. De um lado, o aparato da rede Globo, que impulsionou a Operação Lava Jato e, do outro, um Judiciário que acumulou poderes imperiais. Para a classe trabalhadora, a única posição honesta possível é a denúncia de ambos: não se escolhe lado em uma briga onde o povo é o saco de pancadas.
A tentativa de transformar magistrados em heróis nacionais é um estelionato político. O que se convencionou chamar de “rigor jurídico” nada mais é do que o arbítrio institucionalizado. Esse suposto rigor, tão ágil para punir manifestantes populares e perseguir opositores conforme a conveniência do momento, desaparece quando o tema é a promiscuidade entre a toga e o sistema bancário. O caso do Banco Master é o sintoma de uma doença terminal do regime: quando o escritório de advocacia da esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal firma contratos milionários com instituições financeiras que possuem interesses diretos em decisões da Corte, a imparcialidade morre e dá lugar ao balcão de negócios.
Os “justiceiros” de hoje são, em sua essência, homens do sistema — herdeiros diretos do governo golpista de Michel Temer. São figuras que construíram suas carreiras na repressão a movimentos sociais e que agora usam a “defesa das instituições” como um biombo para esconder relações espúrias com o capital financeiro e a destruição dos direitos democráticos.
Enquanto a esquerda pequeno-burguesa celebra índices econômicos, a economia real real impõe uma situação de miséria aos lares brasileiros. O país possui hoje mais de 20 milhões de brasileiros na subutilização, sobrevivendo de bicos e da chamada “uberização”, sem qualquer proteção previdenciária. O salário mínimo, devorado pela inflação invisível dos itens básicos, é insuficiente: hoje, um trabalhador precisa comprometer quase 60% de sua renda líquida apenas para garantir a cesta básica de sua família. Carne e café tornaram-se artigos de luxo em um país que bate recordes de exportação de grãos e proteína.
A “democracia” que se pretende defender não pode ser uma cidadela de mármore habitada por uma casta que não deve satisfações a ninguém. A verdadeira democracia exige transparência e, sobretudo, a submissão dos poderosos ao interesse público. Blindar magistrados suspeitos sob o pretexto de evitar “instabilidade” é aceitar o sequestro do país por uma ditadura de toga.





