Equador

Partido de Rafael Correa denuncia risco de morte de ex-vice-presidente

Organização sublinhou que ele enfrenta uma "pena antecipada", o que viola a Convenção Americana sobre Direitos Humanos

O ex-vice-presidente do Equador, Jorge Glas Espinel, foi transferido injustificadamente na segunda-feira (10) de novembro, para a nova prisão de segurança máxima do “Encuentro”, em Santa Elena.

A organização política Revolução Cidadã denunciou que a justiça do Equador violou os direitos fundamentais de Jorge Glas ao negar um habeas corpus corretivo. O movimento qualificou a atuação do juiz Jean Valverde como uma manobra que expõe o ex-vice-presidente a um risco real de morte.

O magistrado Valverde determinou que não houve violação à saúde nem à integridade pessoal do detido, apesar dos alertas apresentados pela defesa. O médico particular Edison Barreto informou que Glas apresenta um risco de morte permanente devido aos tratamentos degradantes recebidos.

Por sua vez, a Revolução Cidadã assinalou que o juiz decidiu com base em informações incompletas e errôneas, omitindo a responsabilidade direta do Estado em garantir a vida das pessoas privadas de liberdade. Durante a audiência telemática a partir da Prisão do Encuentro, Jorge Glas descreveu sua transferência como um “show midiático” que deteriorou seu estado físico e mental.

Embora o ex-funcionário tenha cumprido suas condenações anteriores em 2 de outubro de 2025, o sistema judicial mantém sua reclusão por um processo relacionado à Reconstrução de Manabí. A defesa ressaltou que o envelhecimento biológico acelerado do ex-mandatário requer atenção especializada que o sistema penitenciário atual não garante.

Exame médico (19 de dezembro): Registrou 18 patologias ativas, incluindo desnutrição e anemia severa, que colocam sua vida em perigo imediato.

Denúncia da defesa: Notificação tardia de sentenças para prolongar a detenção e tratos cruéis na nova prisão de Santa Elena.

Dias atrás, a Associação Americana de Juristas também denunciou a reclusão ilegal de Jorge Glas. A organização sublinhou que ele enfrenta uma “pena antecipada”, o que viola a Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Os juristas enfatizaram que a falta de notificação da sentença impede o exercício da defesa e transforma a detenção em um ato de força ilegítimo por parte do Estado equatoriano. Apesar das medidas cautelares concedidas pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos, o juiz Jean Daniel Valverde resolveu negar o habeas corpus solicitado neste domingo, 28 de dezembro.

A defesa reiterou que o deterioramento físico e o risco de suicídio do ex-mandatário exigem hospitalização urgente, enquanto organizações sociais classificam a situação como um “sequestro institucionalizado”.

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