O jornalista Breno Altman publicou no sábado (28) uma série de mensagens na rede social X em que critica setores da esquerda que fazem “defesa incondicional” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas publicações, o editor-chefe do Opera Mundi sustenta que parte da militância petista e de outras organizações tem se mobilizado para defender o magistrado, enquanto a direção do PT e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanecem em silêncio diante do tema.
Em uma das mensagens, Altman questiona se os defensores do ministro já se deram conta de que “o presidente Lula e seus ministros estão calados” e de que “tampouco a direção do PT se manifestou”. Ele conclui perguntando: “será que a prudência da liderança petista não deveria servir de orientação?”.
O pessoal que está na defesa incondicional do ministro Alexandre de Moraes já se deu conta que o presidente Lula e seus ministros estão calados sobre o tema? E que tampouco a direção do PT se manifestou? Será que a prudência da liderança petista não deveria servir de orientação?
— Breno Altman (@brealt) December 28, 2025
Ainda no sábado (28), Altman contrapõe a mobilização em torno de Moraes a outras causas políticas. “Se a energia que boa parte dos petistas e demais militantes de esquerda dedicam para defender o ministro Alexandre de Moraes fosse empregada na solidariedade à causa palestina e à Venezuela bolivariana, o Brasil certamente seria um bastião inigualável da luta anti-imperialista”, escreveu.
Se a energia que boa parte dos petistas e demais militantes de esquerda dedicam para defender o ministro Alexandre de Moraes fosse empregada na solidariedade à causa palestina e à Venezuela bolivariana, o Brasil certamente seria um bastião inigualável da luta anti-imperialista.
— Breno Altman (@brealt) December 28, 2025
A crítica já havia sido registrada em 23 de dezembro, quando Altman avaliou como “constrangedor” o que chamou de “efeito manada” em setores da esquerda para defender “incondicionalmente” o ministro do STF. Na mesma publicação, ele afirma que a Moraes deve ser garantida a “presunção de inocência”, mas diz que “as suspeitas de atuação em favor do Banco Master precisam ser rigorosamente apuradas”.
Constrangedor o efeito manada, entre alguns círculos de esquerda, para defender incondicionalmente o ministro Alexandre de Moraes. Claro que a ele deve ser assegurada presunção de inocência, mas as suspeitas de atuação em favor do Banco Master precisam ser rigorosamente apuradas.
— Breno Altman (@brealt) December 23, 2025
Caso Banco Master
Novas revelações publicadas na última segunda-feira (22) pela colunista Malu Gaspar detalham uma suposta ofensiva do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, junto à cúpula do Banco Central (BC), visando favorecer Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso por suspeita de fraude. Segundo a reportagem, Moraes teria contatado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, por pelo menos quatro vezes.
Conforme já revelado anteriormente pela mesma jornalista, o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, possui um contrato milionário com o próprio Banco Master.
De acordo com seis fontes ouvidas pela coluna, os contatos entre Moraes e Galípolo incluíram três chamadas telefônicas e um encontro presencial. O objetivo seria agilizar a aprovação da venda de créditos do Master para o Banco de Brasília (BRB).
Durante essas conversas, Moraes teria defendido o banqueiro Daniel Vorcaro. Malu Gaspar relata que o ministro afirmou gostar de Vorcaro e reproduziu um argumento recorrente do empresário: a ideia de que o Master estaria sofrendo perseguição por estar “tomando espaço dos grandes bancos”.
Em resposta ao cenário de tensão e às investigações que agora correm no STF sob relatoria de Dias Toffoli, Gabriel Galípolo utilizou uma coletiva de imprensa para sinalizar transparência e colaboração.
Ele declarou abertamente sua disponibilidade para colaborar com a justiça:
“Eu em especial, como presidente do Banco Central, estou à disposição pra ir lá prestar todo tipo de suporte e apoio ao processo de investigação”, afirmou Galípolo.
O caso Master está sob sigilo total no STF, após o ministro Dias Toffoli avocar o processo para si. Enquanto isso, o Tribunal de Contas da União (TCU), através do ministro Jhonatan de Jesus, também passou a exigir esclarecimentos do BC sobre o processo de liquidação, embora a competência do TCU para intervir em transações entre bancos privados tenha sido questionada por analistas do setor.



