O jornal britânico Financial Times incluiu, nesta sexta-feira (5), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista das 25 pessoas mais influentes do ano, na categoria “heróis”. A publicação internacional reconhece Moraes como símbolo de “democracia e justiça” em um mundo em que várias cortes supremas sucumbiram diante de autocratas, destacando sua atuação “firme” durante a crise política brasileira.
O reconhecimento ocorre em meio a um cenário de forte repercussão política, no qual o ministro comandou investigações que levaram à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de militares envolvidos na suposta tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Segundo o Financial Times, “a transparência e o rigor jurídico foram evidentes em um julgamento transmitido em rede nacional, marcando uma resposta institucional rara diante de líderes populistas e de extrema direita.”
Tais ações reforçam a influência do imperialismo — ou seja, o reconhecimento dos principais países imperialistas sobre aqueles que, como Moraes, atuam para tirar figuras populares do cenário eleitoral e político, preservando assim a chamada “ordem democrática” alinhada aos interesses estrangeiros. Ao retirar Bolsonaro da disputa eleitoral e garantir seu afastamento por medida judicial, o ministro reforçou a política imperialista não só no Brasil, mas no cenário internacional de preservação da fachada do sistema ‘’democrático liberal’’.
A historiadora brasileira Lilia Moritz Schwarcz, responsável pelo texto sobre Moraes no Financial Times, ressalta “que embora o ministro utilize instrumentos jurídicos excepcionais e demonstre uma atuação centralizadora, isso traduz uma complexa tensão entre firmeza e excesso” — uma admissão velada do papel autoritário e persecutório do STF, no regime político brasileiro. Ao mesmo tempo, a historiadora tenta amenizar os fatos utilizando a expressão “complexa tensão”.
“Tensões complexas” exigem soluções complexas, o que significa que, a depender da “complexidade”, o autoritarismo do ministro é, para todos os efeitos, admissível. O palavreado da senhora Schwarcz serve para esconder seu posicionamento político reacionário.
A lista do Financial Times é elaborada a partir de consulta a repórteres, colunistas e editores do jornal, reunindo pessoas que “realmente fizeram diferença no ano” nos campos da política, negócios, mídia, artes e esportes. Ao lado de nomes como a escritora canadense Margaret Atwood e a ativista Jane Fonda, Alexandre de Moraes é destacado justamente pelo impacto de suas decisões jurídicas no fortalecimento das políticas do imperialismo para as instituições brasileiras.



