Em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (12), o presidente nacional do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, comentou a condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou um “resultado que já havia sido dado lá atrás”. Ele descreveu o processo como “um processo para condenar o Bolsonaro, não é um processo para investigar nada”.
Ele criticou a euforia que, segundo alguns, marcaria o fim de um “ciclo que começou em 1964”. Para Pimenta, isso é um “mar de ilusões”. Ele ironizou a ideia de que a condenação “encerra uma idade das trevas, que não vai mais haver golpe no Brasil, que os militares a partir de agora vão ser obedientes”.
O voto do ministro Luiz Fux foi um ponto de destaque na análise de Pimenta. Ele considerou que o voto de Fux “denuncia toda a loucura que foi esse processo” e que o ministro “deixou ali uma porta aberta para uma futura anulação da sentença”. Pimenta ainda descreveu o Supremo Tribunal Federal (STF) como “um circo, um picadeiro com 11 palhaços”, criticando a intervenção de Alexandre de Moraes na fala de Fux.
A conversa abordou as implicações da inelegibilidade de Bolsonaro para as eleições de 2026. Pimenta afirmou que “o processo foi adiantado em função do cronograma eleitoral”.
O dirigente alertou que a condenação de Bolsonaro pode ser uma manobra para “eleger um Tarcísio.” Pimenta interpretou as ações de Tarcísio de Freitas como “jogo de cena,” argumentando que ele precisava do apoio dos bolsonaristas. Pimenta explicou que a estratégia de Tarcísio seria mostrar que “ele está fazendo tudo pela anistia do Bolsonaro”, para depois dizer que tentou, mas não conseguiu a anistia. A análise sugere que a burguesia “vai entregar o governo para o Tarcísio, o que significa entregar parcialmente o governo para o a extrema direita”.
A entrevista também se aprofundou na política internacional, começando pela situação na Argentina. Pimenta observou que Javier Milei, apesar de ser derrotado nas eleições em Buenos Aires, “não recuou em nada, pelo contrário, ele foi para cima de outros programas sociais”. Ele interpretou o cenário como um indicativo de uma “grande polarização” no país. Pimenta citou a situação de Cristina Kirchner, afirmando que “prender uma pessoa não garante nada em termos políticos e eleitorais.”
Sobre o Nepal, Pimenta classificou a decisão do governo de bloquear redes sociais como um “erro muito grave”, um “tiro no próprio pé“. Ele criticou o governo por “plantar uma bomba dentro da própria casa”. O político viu a mobilização como uma “revolução colorida”, com “o dedo do imperialismo”, e destacou a presença de ONGs estrangeiras. Ele também chamou a atenção para cartazes em inglês nas manifestações, sugerindo uma interferência externa.
Ao falar da França, Pimenta considerou que a crise do governo de Emmanuel Macron é parte de uma crise mais ampla dos regimes democráticos. “Macron não é governante, ele é rei da França”, disse, criticando a atitude de Macron em governar “à revelia do parlamento”.
A situação em “Israel” também foi discutida com Pimenta, que classificou as ações do estado de “Israel” como “uma coisa monstruosamente criminosa“. Ele considerou os bombardeios ao Catar como um exemplo da “lei da selva.” Pimenta elogiou a “resistência palestina,” destacando a luta “gigantesca” e “heróica do Hamas”. Ele afirmou que o fato de o Hamas ter resistido por quase dois anos é um “desespero” do governo israelense.





