Nos dias 6 e 7 de setembro, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, ministrou a primeira parte do módulo 3 do curso Brasil: 500 anos de história. O curso é oferecido pela Universidade Marxista, plataforma impulsionada pelo PCO.
Lançado em 2022, quando a Independência do Brasil completou 200 anos, Brasil: 500 anos de história se propõe a uma tarefa nunca antes feita: analisar a história do Brasil sob a ótica do marxismo. Após ministrar o módulo 1 — Os 3 primeiros séculos — e o módulo 2 — O Império Tropical —, Pimenta deu início ao estudo sobre a fundação da República brasileira.
Na primeira aula, o dirigente do PCO se dedicou a contestar os principais mitos acerca da proclamação da República, que hoje cumprem o objetivo de desmoralizar a história e a cultura do País. Pimenta explicou que, curiosamente, foram os republicanos que iniciaram o partidarismo da história nacional, procurando distorcer alguns acontecimentos para engrandecer a luta contra a monarquia. Como exemplo, citou o caso de Tiradentes e da República de Palmares, explorados pelos republicanos para mostrar que o republicanismo teria sido um ideal atemporal, presente a todo momento na história nacional.
Hoje, os identitários se voltam contra os republicanos. Entre as falsificações, estão a de que a proclamação da República teria sido um evento aleatório, motivado por questões pessoas do Marechal Deodoro da Fonseca, e de que o núcleo dirigente do golpe que estabeleceu a República seria reacionário. Pimenta explicou que, na verdade, a proclamação da República foi uma revolução, e que esta, como toda revolução, aconteceria de qualquer maneira, independentemente da vontade dos personagens envolvidos na história.
Deodoro da Fonseca, ainda que não fosse da ala mais radical das forças armadas, aderiu ao movimento republicano. E quando faz isso, as forças armadas inteiras já estavam a favor do fim da monarquia. Isto é, a proclamação aconteceria de qualquer jeito. Pimenta também lembrou que as tropas decidiram exilar Dom Pedro II imediatamente, não por medo do restauracionismo, mas receio de que o imperador fosse assassinado como produto da revolta popular contra a monarquia.
O mentor do movimento que destronou Dom Pedro II era Benjamin Constant, personagem frequentemente esquecida. No entanto, Deodoro da Fonseca aparece como líder do movimento justamente porque seu caráter mais conservador favorecia a unidade entre as diferentes alas das forças armadas.
A próxima parte do módulo 3 do curso sobre história do Brasil está prevista para o mês de outubro, ainda sem data definida.




