Durante o programa Análise Política da Semana, transmitido no último sábado (6) pela Causa Operária TV, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), criticou a posição do governo Lula em relação às ameaças do governo norte-americano sobre a Venezuela. Para ele, a “neutralidade” defendida pelo presidente brasileiro significa, na prática, um alinhamento ao imperialismo.
Segundo reportagem citada pelo próprio Pimenta, publicada no portal Brasil 247, Lula teria afirmado que “é contra a guerra” . O dirigente do PCO rebateu a declaração: “é como se a guerra fosse um furacão, um tsunami provocado pela natureza. Não, não é assim. Isso não é uma guerra, é uma agressão de um país imperialista contra um povo e um país oprimido, que é a Venezuela”.
Para Pimenta, trata-se de uma ofensiva semelhante a outras intervenções históricas promovidas pelos Estados Unidos. Ele comparou a situação a episódios ocorridos em países como Nicarágua, Cuba, Panamá e Granada. Em suas palavras, “essa é a maior agressão direta do imperialismo contra um país da América Latina e da América do Sul em muito tempo”.
O líder do PCO também acusou o governo Lula de incoerência em relação ao discurso sobre respeito às normas internacionais. “O presidente Lula enche a boca para falar da lei internacional. Mas quando o imperialismo norte-americano passa por cima da lei internacional para agredir um país vizinho nosso, ele fala que é neutro. Como assim, neutro?” – questionou.
Rui Costa Pimenta explicou que a neutralidade não existe nessa situação: “neutralidade é um apoio à agressão imperialista. Se você vê um homem adulto batendo em uma criança e você fala que é neutro, você não é neutro, você é a favor do espancamento”. Para ele, os Estados Unidos, como maior potência militar do planeta, representam uma ameaça real e criminosa à sobrevivência do povo venezuelano.
O dirigente considera a posição de Lula como “o ponto mais baixo da política do governo desde que foi eleito”. E acrescenta: “essa posição expressa um acordo do governo brasileiro com o imperialismo contra a Venezuela. É da maior gravidade”.
Além da crítica, Pimenta anunciou a convocação de um ato em defesa da Venezuela e conclamou toda a esquerda a se posicionar. Segundo ele, não basta apenas manifestar contrariedade às agressões norte-americanas sem mobilização: “falar que é contra a agressão imperial, mas não fazer absolutamente nada, é a mesma coisa que declarar neutralidade, só que com um pouquinho mais de hipocrisia”.
Leia na íntegra a fala de Rui Pimenta:
“Bom, já que estamos nas loucuras do PT, vamos destacar uma das maiores loucuras do governo, a maior de todas. Esta matéria eu peguei no 247, então considero que é uma fonte de absoluta confiança. Segundo o 247, a posição do governo brasileiro na questão da Venezuela é a seguinte: o governo brasileiro é neutro no conflito.
Segundo Lula, citado pela matéria, ele é contra a guerra. “Na guerra todo mundo perde, a guerra causa empobrecimento”. Então, ele é contra a guerra. É como se a guerra fosse um furacão, um tsunami provocado pela natureza. Não, não é assim. Não há guerra. Não há guerra nenhuma. Isso não é uma guerra. Isso é uma agressão de um país imperialista contra um povo e um país oprimido, que é a Venezuela. É isso.
Eu diria, inclusive, que depois de outras operações que os norte-americanos já fizeram de invasão de países como a Nicarágua e Cuba, essa é a maior agressão direta do imperialismo contra um país da América Latina e da América do Sul em muito tempo. Eu acho que o último caso foi o quê? Foi o Panamá ou foi Granada. O imperialismo mobilizou tropas para agredir a Venezuela. É isso. Não é guerra, é um ato de pirataria, é um ato de agressão.
O presidente Lula enche a boca para falar da lei internacional. Mas quando o imperialismo norte-americano passa por cima da lei internacional para agredir um país vizinho nosso, ele fala que é neutro. Como assim, neutro? O Trump e os Estados Unidos não têm que respeitar a lei internacional? Então, ele que fala tanto de lei internacional, de ONU, de tudo, que tipo de posicionamento é esse?
A neutralidade aqui, vamos deixar absolutamente claro, neutralidade é um apoio à agressão imperialista. Todo mundo sabe disso. Se você vê um homem adulto batendo em uma criança e você fala que é neutro, você não é neutro, você é a favor do espancamento da criança. A Venezuela não é um país que possa competir com os Estados Unidos. Os Estados Unidos são a maior potência militar do planeta. A agressão contra a Venezuela é criminosa. Se eles decidirem, por alguma eventualidade, invadir a Venezuela, vão morrer milhões de pessoas. E tudo isso está sendo causado pelo imperialismo, não pela Venezuela.
A posição do governo brasileiro é o ponto mais baixo da política do governo Lula desde que ele foi eleito. Ele já havia adotado uma posição pró-imperialista na questão da eleição e agora o posicionamento dele mostra que essa posição não era gratuita. Essa posição expressa um acordo do governo brasileiro com o imperialismo contra a Venezuela. É da maior gravidade. Eu acho que nós temos que chamar os dirigentes do PT, os militantes do PT, para se pronunciar. Não é possível que um governo de esquerda e um partido de esquerda tenha uma posição como essa. Não é possível.
Aí a gente pode fazer todo tipo de conjectura: vai invadir, não vai invadir… Isso não tem a menor importância. O que tem importância é que as tropas, a Marinha norte-americana, estão lá ameaçando a Venezuela. Saiu a notícia de que atacaram o barco. Inclusive, veja só que tipo de coisa eles estão fazendo: eles não pararam o barco e revistaram, eles bombardearam o barco. Mas eu não sei, apareceu uma notícia que dizia que isso não era verdade, que era uma propaganda do Trump, de intimidação. Não sei, mas não dá para ser neutro nem nada.
Nós estamos convocando um ato em defesa da Venezuela, porque também você falar que é contra a agressão imperial, mas não fazer absolutamente nada, é a mesma coisa que declarar neutralidade, só que com um pouquinho mais de hipocrisia. Nós estamos convocando toda a esquerda brasileira a comparecer ao ato. Aí não tem para onde fugir. Você não gosta do governo da Venezuela? Não tem problema. Se você é de esquerda, se você é contra o imperialismo, você não pode ficar a favor da agressão, nem que fosse o pior governo do mundo, a não ser que você acredite que o governo norte-americano vai resolver os problemas do país, que é uma coisa muito louca. Mas a gente viu que uma boa parte da esquerda acredita nisso, quando houve a crise no Afeganistão, eles choraram porque os norte-americanos saíram de lá. Então, eles acreditam que a OTAN, que os norte-americanos, eles vão resolver o problema do povo do Afeganistão.
Os acontecimentos estão colocando à prova a política da esquerda. Tudo bem, no caso da Ucrânia, a Ucrânia é “na casa do chapéu”, como se diz. Mas Venezuela não, Venezuela é fronteira com o Brasil. Se a esquerda continuar com essa política pró-imperialista, vai falir completamente e, possivelmente, até mereça falir, porque com esse tipo de colocação política é uma coisa complicada. Então, nós estamos chamando todo mundo. É preciso, nós estamos iniciando uma campanha.
Está aqui o nosso material de convocação do ato da Venezuela. Nós estamos chamando todo mundo para fazer a campanha. O ato é apenas um momento da campanha. Nós temos que fazer uma campanha junto ao povo brasileiro para se mobilizar em defesa da Venezuela. Não adianta falar que você é contra a agressão em Gaza se você não se mobiliza contra o imperialismo em todos os lugares.”




