Palestina

Meta ajuda a promover assentamentos ilegais na Cisjordânia

Professora da Queen’s University Belfast, afirma que, se o governo de 'Israel' facilita essas vendas, viola a Terceira Convenção de Genebra e Meta pode ser responsabilizada

Uma investigação da emissora catarense Al Jazeera revelou que a Meta, empresa dona do Facebook, hospedou mais de cem anúncios pagos promovendo assentamentos ilegais e atividades de colonos de extrema direita na Cisjordânia ocupada, levantando suspeitas de que a gigante das redes sociais lucra com conteúdos que podem violar o direito internacional. Os anúncios incluem desde ofertas de imóveis em colônias como Ariel e Ma’ale Adumim até campanhas para demolir casas, escolas e parques infantis palestinos, além de arrecadações para unidades militares de “Israel” em Gaza. Especialistas alertam que a plataforma pode estar sendo cúmplice de crimes ao aprovar e lucrar com essas publicações.

A investigação identificou 52 anúncios de empresas imobiliárias israelenses, como Ram Aderet e Gabai Real Estate, divulgando vendas de propriedades em assentamentos na Cisjordânia desde março de 2024, muitos ainda ativos. A Ram Aderet, financiada pelo First International Bank of Israel, promoveu apartamentos em Ariel, a 20 km da Linha Verde, enquanto Gabai Real Estate anunciou casas em Ma’ale Adumim e Efrat, parte de uma expansão aprovada em março pelo governo da ditadura sionista, sob o comando do ministro das Finanças Bezalel Smotrich. Yaniv Gabbay, co-proprietário da Gabai, declarou à Al Jazeera: “infelizmente, só conseguimos publicar 48 anúncios por limitações de orçamento, mas com mais vendas, ampliaremos a publicidade”. Outros 50 anúncios, do grupo Regavim, fundado por Smotrich, pediam a destruição de estruturas palestinas, como uma escola na reserva de Herodian, demolida após petição do grupo.

A Meta informou à rede catarense que revisa os anúncios antes da publicação, usando tecnologia automatizada e equipes manuais, e removeu alguns por violarem políticas sobre questões sociais e políticas, mas não esclareceu se promover assentamentos ilegais é infração. Especialistas como a professora Aoife O’Donoghue, da Queen’s University Belfast, afirmaram que, se o governo de “Israel” facilita essas vendas, viola a Terceira Convenção de Genebra, e a Meta pode ser responsabilizada por lucrar com isso. O deputado britânico Brian Leishman chamou os achados de “extremamente preocupantes”. A ONG Peace Now estima que, em 2025, o enclave imperialista aprovou 14.392 unidades de assentamentos, número que pode chegar a 50 mil até o fim do ano.

Entre os anúncios, nove pediam doações para militares em Gaza, como tripés de tiro para snipers em Jabalia, segundo o cantor Mayer Malik. Isso contraria as diretrizes da Meta, que proíbem promoção de armas. O professor Neve Gordon, da Queen Mary University, disse: “o Facebook lucra com atividades criminosas, normalizando atos que violam o direito humanitário”. O movimento BDS já pressiona bancos como o First International, que perdeu investimentos da holandesa PGGM em 2014 e da francesa AXA em 2022 por financiar colônias.

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