Palestina

Dia de Al-Quds: manifestantes se reúnem em defesa da Palestina

Na manifestação, o PCO "tomou à frente desse esforço e fomos responsáveis pelo maior bloco", afirma João Pimenta, da juventude do partido

Na manhã deste sábado (29), manifestantes se reuniram na Praça Oswaldo Cruz, no centro de São Paulo, em protesto contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza e em solidariedade ao povo palestino. A atividade foi convocada pela Frente Palestina, o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), além do Partido da Causa Operária (PCO) e outras organizações.

A manifestação ocorre em meio à intensificação dos bombardeios em Gaza e ao final do mês sagrado do Ramadã. A data é uma celebração do Dia de Al-Quds, tradição iniciada pelo líder da Revolução Iraniana de 1979, Ruhollah Khomeini, que propôs que a última sexta-feira do Ramadã fosse dedicada à causa palestina.

Apesar do número ainda modesto de participantes, mais da metade do ato foi composta por militantes e simpatizantes do PCO e contou com a participação de outros grupos da esquerda brasileira, coletivos independentes e grupos de estudantes ligados a USP (Universidade de São Paulo) e a PUC (Pontifícia Universidade Católica).

Durante o protesto, cartazes, faixas e palavras de ordem denunciaram o que o genocídio promovido pelo Estado de “Israel” e exigiram o rompimento das relações diplomáticas e econômicas do Brasil com Estado sionista. A posição foi repetida por diversos grupos presentes, que cobraram do governo brasileiro uma postura mais firme diante das atrocidades cometidas contra o povo palestino.

Em meio à manifestação, o companheiro João Jorge, dirigente nacional do PCO, destacou a importância da mobilização e criticou duramente os obstáculos que ainda impedem a construção de um movimento sólido e coeso:

“A manifestação foi proveitosa do ponto de vista de continuar a mobilização. O nosso partido tomou à frente desse esforço e fomos responsáveis pelo maior bloco. O calcanhar de Aquiles do movimento continua o mesmo e necessita da abertura de um debate no interior da esquerda: é preciso que as organizações de massa rompam com a política de evitar temas que poderiam desagradar os setores da direita supostamente democrática, o que resulta numa paralisia em toda a linha. Já no campo da esquerda pequeno-burguesa menor, como os partidos ditos socialistas, temos um quadro ainda pior. Estes preferem ver o mundo queimar, para reinarem sobre as cinzas.

Colocam, inclusive, a luta miúda, e ridícula, diga-se de passagem, na frente do bem-estar da luta palestina. Nessa manifestação, por exemplo, preferiam usar um carro de som de brinquedo (literalmente) ao usar um carro de verdade (que estava lá), apenas e tão somente para não aceitar uma oferta feita pelo nosso partido, sem nenhuma exigência de nossa parte. Além desse fato, é visível a política de arranjar pequenos atritos e usar qualquer desculpa para espalhar intrigas. A atitude é coroada pela total falta de trabalho, que resulta em ter 30 organizações que, juntas, levam 50 pessoas.

Isso precisa mudar: colocar interesses mesquinhos eleitorais ou, como no caso do som, totalmente incompreensíveis, na frente da questão palestina escancara o fato de que, para eles, a luta do povo palestino é apenas um discurso. Não vejo, contudo, que essa seja a opinião de muitos militantes dessas organizações, mas é, sim, a política levada pelas direções destas. É preciso um amplo debate sobre essa questão, se continuar assim, estes setores estão fadados ao mais profundo esquecimento.”

Para o PCO, o objetivo agora é ampliar a mobilização, convocando novas manifestações, levando a discussão às ruas e pressionando o governo federal a romper com o Estado de “Israel”, como parte do esforço de solidariedade concreta à resistência palestina.

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