Nesta sexta-feira (28), muçulmanos de todo o mundo, bem como apoiadores da causa palestina, celebram o Dia Internacional de Al-Quds, data estabelecido pelo líder da Revolução Iraniana de 1979, o Imã Ruhollah Khomeini. Celebrado sempre na última sexta-feira do mês sagrado de Ramadã, quando os muçulmanos realizam um ritual intenso de purificação, Dia de Al-Quds é um momento dedicado à solidariedade com o povo palestino e à resistência contra a ocupação israelense de Al-Quds (Jerusalém), uma cidade sagrada tanto para muçulmanos quanto para judeus e cristãos.
“Durante muitos anos, avisei os muçulmanos sobre o perigo do regime usurpador de Israel, que agora intensificou seus ataques selvagens contra os irmãos e irmãs palestinos, especialmente no sul do Líbano, bombardeando repetidamente suas casas com a intenção de destruir os combatentes palestinos. Peço a todos os muçulmanos do mundo e aos governos islâmicos que se unam para cortar as mãos desses usurpadores e seus apoiadores. E convoco todos os muçulmanos do mundo a escolherem a última sexta-feira do mês sagrado do Ramadã, que é um dos dias mais poderosos, e que pode determinar o destino do povo palestino, como o ‘Dia de Al-Quds’, e, através de uma cerimônia, proclamarem a solidariedade internacional dos muçulmanos em apoio aos direitos legítimos do povo muçulmano. Peço a Deus Todo-Poderoso que conceda vitória aos muçulmanos sobre os infiéis.”
Quarenta e seis anos após a emissão dessa mensagem histórica por parte de Khomeini, a importância deste dia ficou ainda mais clara. Se, naquele tempo, o Dia de Al-Quds era limitado ao Irã e talvez a alguns poucos países, hoje, graças à resistência, a bandeira da Palestina está ondulando em cidades de todos os continentes, e a solidariedade internacional com o povo palestino, juntamente com a condenação do regime usurpador e criminoso de “Israel”, alcançou seu ponto máximo.
Desde que foi estabelecida por Khomeini, a data é marcada por manifestações, comícios e protestos que ocorrem em vários países, especialmente nos muçulmanos, com o objetivo de denunciar as violações cometidas pela ocupação israelense e afirmar o compromisso com a libertação de Jerusalém e de toda a Palestina. Durante esta data, os muçulmanos também aproveitam para lembrar o caráter sagrado de Al-Quds, que é o terceiro lugar mais sagrado do Islã, após Meca e Medina. A mesquita de Al-Aqsa, localizada em Al-Quds, é um símbolo espiritual e cultural de enorme importância para os muçulmanos, e o Dia de Al-Quds reafirma o compromisso de proteger este patrimônio.
Nessa quarta-feira (26), às vésperas do Dia de Al-Quds, o também tradicional Pódio de Al-Quds reuniu líderes e representantes de diversos grupos de resistência, principalmente da região do Oriente Médio, com o objetivo de reafirmar o compromisso com a causa palestina e a luta contra a ocupação israelense. Os presentes reafirmaram a unidade dos campos de batalha e a continuidade da resistência até a libertação da Palestina ser alcançada.
O Secretário-Geral do partido libanês Hesbolá, Sheikh Naim Qassem, expressou sua confiança de que a luta sairá vitoriosa e enfatizou que “a Resistência está atualmente envolvida em batalha, mas a batalha não terminou”. Ele acrescentou que “o inimigo israelense está enfrentando uma crise existencial”.
O líder do Hesbolá também saudou o povo palestino, afirmando que eles “apresentaram um modelo lendário, ofereceram líderes mártires no caminho para al-Quds, e sacrificaram grandemente para permanecer em sua terra”.
De acordo com Sheikh Qassem, o objetivo de “Israel” é “dividir a região, controlar o Oriente Médio como bem entender, eliminar completamente a causa palestina, deslocar o povo da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e ocupar terras dos países vizinhos”.
Sobre o Líbano, que também está sob ataques de “Israel”, Sheikh Qassem enfatizou que a Resistência tem apoiado Gaza e que o povo libanês fez sacrifícios significativos, sendo o mais notável o martírio de Saied Hassan Nasseralá. Ele reiterou que a ocupação israelense falhou em alcançar seu objetivo de erradicar a Resistência.
Também falando no Pódio de Al-Quds, Esmail Qaani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, reafirmou que o país persa continua firme em seu apoio à Resistência, apesar de todas as ameaças e desafios.
Qaani enfatizou que a resiliência e a determinação do Irã “continuarão até que o objetivo final seja alcançado – a libertação do sagrado al-Quds”. Ele destacou o apoio inabalável de seu país à Palestina ocupada, ajudando os combatentes da Resistência nas linhas de frente e por meio de operações militares como a Operação Promessa Cumprida, que consistiu no maior ataque militar contra “Israel” nas últimas décadas.
“A Resistência demonstrou sua capacidade e está se tornando mais forte”, afirmou Qaani. Ele continuou: “não importa o quanto os Estados Unidos exagerem em seu apoio à agressão sionista, a Resistência continua a crescer e se expandir a cada dia”.
Por sua parte, o líder do partido revolucionário iemenita Ansar Alá, Saied Abdul Malik al-Houthi, reafirmou o apoio inabalável do Iêmen à Resistência em Gaza, prometendo apoio contínuo ao povo palestino “sem retroceder, apesar da agressão norte-americana”. Ele disse que a ocupação israelense, com o apoio norte-americano, está perseguindo “um objetivo claro: eliminar a causa palestina”.
Saied al-Houthi afirmou que “Israel” “não pode deslocar o povo palestino, a menos que haja cumplicidade árabe, e isso é algo que deve ser evitado”. Ele advertiu que, “se a ocupação conseguir deslocar os palestinos, os países árabes vizinhos serão os próximos”.
Enquanto isso, Khalil al-Hayya, chefe do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas, na sigla em árabe) em Gaza, enfatizou que “a Resistência demonstrou sua capacidade de tomar a iniciativa militar e política, apesar de toda a destruição e fome”, e conseguiu expor a ocupação israelense como “o inimigo estratégico da comunidade muçulmana”.
“Estamos enfrentando uma fase sem precedentes na história da comunidade muçulmana, na qual a Resistência iniciou a Operação Dilúvio de Al-Aqsa para alterar as regras do conflito”, sublinhou al-Hayya, acrescentando que “o tempo não voltará atrás, e a Resistência continua a desenvolver suas capacidades apesar do bloqueio”.
O líder do Hamas ressaltou que “não há retrocesso neste caminho” e que, desde 7 de outubro, a Resistência tem se esforçado “para deter a agressão, os assassinatos e o terror praticados pela ocupação, bem como sua expansão de assentamentos”.
Ele também destacou que “Israel” rompeu o acordo de cessar-fogo que havia assinado e retomou sua agressão contra Gaza, enfatizando que a Resistência “tem se engajado positivamente com as propostas que recebeu recentemente, com o objetivo de alcançar uma cessação completa da guerra”.
Também presente no Pódio de Al-Quds, o Secretário-Geral da Jiade Islâmica Palestina, Ziyad al-Nakhalah, afirmou que a unidade das forças da Resistência da região permanecerá intacta e inabalável, não importando o número de sacrifícios.
Al-Nakhalah enfatizou que a Resistência permanece comprometida em libertar seus prisioneiros e garantir a retirada da ocupação israelense de Gaza, afirmando que o povo palestino “permanecerá firme em sua terra e não aceitará nenhuma alternativa”.
Seguindo o mesmo caminho, o Secretário-Geral Adjunto da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), Jamil Mezher, sublinhou que “a ocupação não conseguirá alcançar por meio de sua política de fome o que não conseguiu alcançar por meio do fogo”, enfatizando a “continuação da resistência até que a libertação seja alcançada”.
Em mensagem televisionada, o líder máximo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei, declarou, nessa quinta-feira (28), um dia antes do Dia de Al-Quds:
“As marchas do Dia de Quds sempre foram um símbolo da unidade e força do povo iraniano e uma indicação de que o povo iraniano está comprometido e firme em seus objetivos importantes, fundamentais e políticos. Não é apenas um slogan que ele levanta em apoio à Palestina e depois o abandona depois de um ou dois anos. Por mais de quarenta anos, o povo iraniano tem participado das marchas do Dia de Quds, em climas frios, quentes, em jejum e em todo o país, não apenas nas cidades, mas em vilas e aldeias grandes e pequenas. Portanto, as marchas do Dia de Quds são uma fonte de orgulho para o povo iraniano. Acredito que esta marcha é ainda mais importante este ano. As pessoas do mundo estão conosco, e aqueles que nos conhecem apoiam o povo iraniano. Mas algumas forças políticas e governos que se opõem a nós estão agindo contra o povo iraniano. Elas retratam as diferenças e fraquezas entre nós. Suas marchas no Dia de Quds refutarão todos esses truques e falsidades. Espero que Deus lhe conceda sucesso, se Deus quiser, e que as marchas do Dia de Quds estejam entre as melhores, maiores e mais elevadas dos últimos anos.”
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, em comunicado, renovou a solidariedade com o povo oprimido da Palestina e convidou todos a participarem das cerimônias do Dia de Al-Quds e apoiarem o povo palestino oprimido.
“Agora, a violência do regime sionista, a opressão do povo palestino e a legitimidade do caminho da resistência para concretizar o direito à autodeterminação do povo palestino estão mais evidentes do que nunca para a opinião pública mundial. O objetivo do regime de apartheid sionista ao usar as formas mais extremas de violência, tortura e humilhação ao longo desses anos tem sido erradicar o espírito de resistência dos palestinos e de todo o mundo islâmico, por um lado, e normalizar os crimes com o intuito de forçar a região e o mundo a aceitar um mundo sem a Palestina, por outro. Sem dúvida, todos os países que de alguma forma apoiaram o regime sionista com ajuda armamentista, financeira e política, ou impediram ações concretas das Nações Unidas e outras entidades internacionais competentes, incluindo o Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Internacional de Justiça, para parar o genocídio e processar os líderes criminosos de Israel, especialmente os EUA, o Reino Unido e a Alemanha, são cúmplices dos crimes cometidos contra o povo palestino e devem ser responsabilizados perante a história e a consciência humana.”
Neste ano, o Dia de Al-Quds, além de sua importância para a causa palestina, tem também uma importância para o povo iraniano, que, ao longo de todos esses anos, esteve na linha de frente dessa luta. O imperialismo e o sionismo, apesar de um ano e meio de crimes implacáveis contra o povo sofrido de Gaza, não conseguiram alcançar seus objetivos, e a República Islâmica do Irã é vista como um dos principais fatores de sua falha nesse campo.
“Os inimigos usaram e ainda usam muitas táticas para atingir seus objetivos. Uma das táticas principais atualmente em vigor é a propaganda massiva e a guerra psicológica sobre a opinião pública iraniana”, disse a Linha do Partido de Deus, do Irã. “Essa guerra psicológica tem várias frentes; a primeira é tentar convencer que a oposição ao regime sionista e o apoio à Palestina são políticas caras e irrelevantes para o Irã, e que os interesses do povo iraniano estão em abandonar essa política. A outra face dessa guerra psicológica é o medo; alegando que o regime sionista é uma potência invencível e aterrorizante, e que o Irã é muito fraco para enfrentá-lo, sugerindo que seria melhor se render”.
No Brasil, organizações como o Partido da Causa Operária (PCO) e o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) também realizarão uma manifestação em apoio à Palestina no final do Ramadã. O ato ocorrerá no dia 29 de março, em São Paulo.





