Nesta semana, o jornal norte-americano Financial Times publicou um artigo com o título Otan tem apenas 5% das defesas aéreas necessárias para proteger o flanco leste, no qual faz uma defesa do aumento do orçamento militar dos países membros com a justificativa de que isso seria necessário para se defender da Rússia. O artigo argumenta que, com os recursos atuais, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não seria capaz de proteger nenhum de seus países de um ataque aéreo russo.
Segundo a matéria, os correspondentes do jornal teriam conversado com diplomatas e militares da OTAN que disseram que um plano de defesa para a organização deveria abarcar toda a Europa Ocidental para ser eficiente, mas que no momento não é capaz de defender efetivamente nem um único país. Também de acordo com essas fontes, a organização está colocando a defesa aérea como prioridade. No entanto, os documentos são secretos; portanto, não foram revelados detalhes de como essa operação será realizada. A matéria destaca a relação entre a dificuldade dos países europeus em fornecer equipamentos aéreos para a Ucrânia e a vulnerabilidade de seus próprios países.
A incapacidade da OTAN em garantir essas necessidades militares fez com que várias ações independentes surgissem. A Alemanha vem organizando um sistema de defesa aérea com mais de uma dezena de países membros da União Europeia, enquanto a França lançou uma iniciativa semelhante com outro grupo menor. Recentemente, Grécia e Polônia encaminharam uma proposta à Comissão Europeia com o mesmo objetivo, e a presidente da comissão declarou apoio. Essa falta de unidade revela a profundidade da crise do imperialismo europeu, que tem dificuldade em administrar todas as contradições que se agravam tanto em seus países quanto nos que dominam. Para que o setor mais poderoso da burguesia mundial mantenha sua dominação, seria necessário anular as reações dos países atrasados. Conforme essa tarefa se torna inviável por meios relativamente pacíficos e baratos, o imperialismo precisa utilizar métodos mais violentos, inclusive contra os trabalhadores de seus próprios países. Segundo a reportagem do Financial Times, algumas capitais da União Europeia sugeriram aumentar sua dívida para financiar projetos de defesa.
Desde a vitória do Talibã, no Afeganistão, seguida pela operação militar russa contra a OTAN na Ucrânia, o imperialismo vem sendo confrontado com dificuldades cada vez maiores em responder à altura e estabilizar a situação. Métodos como governos fantoches e regimes de opressão regional, como “Israel”, têm se provado inúteis para frear o levante dos países atrasados, conforme percebem a fraqueza do imperialismo. A dificuldade da OTAN em chegar a um acordo sobre como aumentar o orçamento de defesa também revela o conflito interno no bloco imperialista, na medida em que não consegue encontrar uma solução que beneficie todos os setores. O imperialismo francês foi vitimado por um duro golpe no Níger, por exemplo, e também é contestado pela população da própria França. Especialmente a partir do 7 de outubro, quando o Hamas liderou a resistência palestina em uma heroica operação militar contra a ocupação colonial de “Israel” na Faixa de Gaza, os trabalhadores dos países imperialistas têm se enfrentado com seus governos, que respondem com uma dura repressão.
A tendência principal nesse momento é o aumento dos gastos com defesa e a preparação para uma guerra aberta. A censura é uma política de guerra e vem escalando rapidamente. O aumento da repressão às organizações e movimentos populares, como as prisões dos estudantes nos EUA, e as medidas restritivas a mobilizações em vários países da Europa também apontam para um esfacelamento dos resquícios de democracia nos principais países imperialistas. A mudança da imprensa burguesa para um tom mais violento contra os países oprimidos é outra demonstração, como o editorial do jornal O Globo chamando o ex-presidente iraniano de “carniceiro de Teerã”, apenas um dia após a sua morte. Diante das derrotas internas e externas do imperialismo e do fortalecimento das organizações dos países oprimidos internacionalmente, a burguesia mundial tenta sacrificar os trabalhadores em uma violenta guerra para restabelecer seu domínio. No entanto, a inevitável reação da classe operária internacional poderá ser a sua ruína.





