Política internacional

Um empregado disposto a afundar no navio de seus patrões

Rodrigo Constantino sai em defesa da política genocida da fase final do capitalismo

O pseudo-brasileiro Rodrigo Constantino, que acha que é norte-americano, mas que os norte-americanos acham que é um mero lavador de privadas seu, acaba de “escrever” um artigo intitulado Por que o Ocidente não vence mais guerras?. Embora o texto tenha sido publicado em seu nome pelo jornal paranaense Gazeta do Povo, Constantino é, na melhor das hipóteses, apenas o tradutor daquilo que os seus patrões já escreveram nos jornais em que Constantino sonha um dia poder ver sua foto.

O autointitulado economista não apresenta qualquer ideia original. Ele procura investigar o motivo pelo qual o imperialismo não tem conseguido vencer, de maneira incontestável, uma única guerra nas últimas décadas. Trata-se da mesma investigação realizada, por exemplo, pelo jornalista conservador Bret Stephens, autor do artigo Nós ainda somos capazes de entender como se vencem as guerras?, publicado no periódico norte-americano The New York Times. O objeto é o mesmo, e as circunstâncias são as mesmas. A única diferença é que, enquanto Stephens, na condição de representante do lobby sionista, defende os interesses da classe que de fato integra, Constantino não passa de um puxa-saco, que reproduz o que dizem os seus ídolos na esperança de ser notado. Constantino não é dono de uma petroleira, nem controla uma fábrica de armas. É apenas um alpinista social que preferiu ser uma prostituta dos donos do mundo a ter um trabalho digno na terra em que nasceu.

Constantino inicia seu artigo a partir de um lugar-comum:

“Talvez desde a guerra da Coreia o Ocidente não vence uma guerra para valer. Sim, é verdade que objetivos foram parcialmente atingidos no Iraque e em outros locais, mas se pensarmos bem, o fato é que inúmeras guerras se mostraram fiascos do ponto de vista ocidental. Isso apesar do enorme aparato militar americano e da evidente superioridade bélica [grifo nosso].”

Ainda que o pateta reconheça os fracassos militares do imperialismo, já chama a atenção que ele considere que “objetivos” teriam sido “parcialmente atingidos”. Ocorre que, no Iraque, o único “objetivo atingido” foi o assassinato de mais de 600 mil pessoas – de acordo com os números mais conservadores. A infraestrutura do país foi completamente destruída, as doenças se alastraram, a fome se tornou uma epidemia. Todo esse sofrimento, por sua vez, sequer trouxe alguma vantagem de acordo com os próprios interesses do imperialismo: com a execução de Sadam Hussein, os setores mais próximos à Revolução Iraniana tomaram o poder.

O Iraque era um país parecido com o Brasil em uma série de questões. Era um dos mais desenvolvidos da região, foi palco de um forte movimento nacionalista e era alvo de uma sabotagem sistemática por parte do imperialismo. O que os Estados Unidos fizeram com o Iraque, poderiam muito bem fazer com o Brasil. Em nome do roubo do petróleo brasileiro, da destruição da indústria brasileira ou mesmo da mudança forçada de sua política externa, os Estados Unidos, se tiverem condições para tal, transformariam o Brasil em um imenso cemitério tropical.

Que Bret Stephens defenda esse tipo de política, é compreensível. Agora, que um brasileiro defenda, é incompreensível. Ou melhor, pode apenas ser explicado pelo seu total servilismo aos norte-americanos.

Depois de introduzir o problema, Constantino apresenta então o que seria a sua solução:

“Para vencer uma guerra, o ânimo precisa estar presente, e a consciência de que se luta uma guerra justa e necessária é fundamental […] A base democrata flerta abertamente com os inimigos da América, como o Hamas, pois odeiam o que a América representa. E eis, possivelmente, a principal razão para a falta de vitórias expressivas nas últimas guerras: no fundo a esquerda americana despreza a missão militar do próprio país. Na Guerra Fria, num mundo mais bipolar e com clareza moral, tanto democratas como republicanos não discutiam muito a necessidade de vitória ocidental para se preservar liberdades básicas.”

É uma piada. Para Constantino, o problema é que falta “ânimo” em defender essa sociedade podre que é a sociedade norte-americana. Em outras palavras, o rato nascido no Brasil está mais animado em defender os Estados Unidos que os próprios norte-americanos. Será que o problema é realmente dos norte-americanos?

Se os norte-americanos estão “desanimados”, é porque perceberam que não vale à pena defender o lixão no qual vivem. Não vale à pena morrer nos campos de batalha ou praticar crimes de guerra para defender uma sociedade que foi descrita em detalhes pelo mártir Osama Bin Laden como “a pior civilização testemunhada pela história da humanidade”.

Em sua Carta aos Estados Unidos, Bin Laden resumiu o que é a sociedade norte-americana:

“Vocês são a nação que permite a usura, algo proibido por todas as religiões. No entanto, constroem sua economia e investimentos com base na usura. Como resultado disso, em todas as suas formas e disfarces, os judeus assumiram o controle de sua economia, por meio do qual tomaram controle de sua mídia e agora controlam todos os aspectos de sua vida, tornando-vos seus servos e alcançando seus objetivos às suas custas; exatamente o que Benjamin Franklin os alertou. (…) Vocês são uma nação que permite a produção, comércio e uso de intoxicastes. Vocês também permitem drogas e apenas proíbem seu comércio, embora a sua nação seja a maior consumidora delas. (…) Vocês são uma nação que permite atos de imoralidade, considerando-os pilares da liberdade pessoal. (…) Vocês são uma nação que explora mulheres como produtos de consumo ou ferramentas de publicidade, chamando os clientes para comprá-las. Vocês usam mulheres para servir passageiros, visitantes e estranhos para aumentar suas margens de lucro. Em seguida, gabam-se de apoiar a libertação das mulheres. (…) Aquilo pelo qual vocês são destacados na história da humanidade é que vocês usaram sua força para destruir a humanidade mais do que qualquer outra nação na história; não para defender princípios e valores, mas para apressar a segurança de seus interesses e lucros. Vocês que lançaram uma bomba nuclear no Japão, mesmo quando o Japão estava pronto para negociar o fim da guerra. Quantos atos de opressão, tirania e injustiça vocês cometeram, ó defensores da liberdade?”.

É uma sociedade tão doentia que, há poucos meses, um soldado norte-americano ateou fogo a seu próprio corpo porque era incapaz de conviver com as atrocidades que o seu exército apoiava na Faixa de Gaza.

A falta de “ânimo” dos norte-americanos com o seu país se deve, por um lado, ao fato de que, após muita luta da classe operária mundial, os setores mais dinâmicos daquela sociedade estão cada vez mais conscientes dos crimes que são cometidos por seus governantes. Por outro, se deve também ao fato de que mesmo os setores mais facilmente cooptados pelo regime político hoje veem o seu país como incapaz de manter os seus privilégios, uma vez que sua autoridade está ruindo a cada dia que se passa.

Os fatores são a expressão de um mesmo fenômeno: a crise do imperialismo. O sistema de dominação mundial, a ditadura conhecida pelo nome de imperialismo, está em sua crise terminal. E, por isso, é incapaz de vencer uma única guerra de maneira definitiva. Os países imperialistas se tornaram tão parasitários que sua capacidade de reprimir os países atrasados vem diminuindo cada vez mais. O “ocidente” perder guerras é, neste sentido, algo inevitável.

É aqui que Constantino se revela não apenas como um mero empregado de genocidas, mas um daqueles empregados que, de tão submissos aos seus senhores, são executados quando os seus senhores o são. O “economista” está algemado de tal maneira aos seus patrões que, quando o navio afundar, irá parar no fundo do oceano junto com eles.

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