O Partido da Causa Operária promoveu um debate neste sábado (9), sobre a luta da mulher palestina, dando continuidade à luta diária que o Partido trava em defesa dos palestinos.
O evento foi realizado no Centro Cultural Benjamin Péret, no centro da cidade de São Paulo, um dia depois das mulheres militantes do PCO, do Coletivo Rosa Luxemburgo, terem sido censuradas, impedidas de falar no ato do dia internacional da mulher trabalhadora.
A apresentação do debate ficou a encargo da militante Izadora Dias, que denunciou o genocídio que “Israel” comete com as mulheres palestinas, o silêncio da esquerda pequeno-burguesa, adepta do identitarismo, e a necessidade de se travar a luta a lado das mulheres palestinas, pois o assassinato dessas mulheres é uma política da burguesia:
“As mulheres palestinas são mais de 50% das vítimas do genocídio que ‘Israel’ está promovendo na Faixa de Gaza. Escolheram elas como alvo principal, junto com as crianças, que são alvos frágeis, porque são quem vai dar continuidade ao povo palestino, então é um alvo que expressa claramente qual é o objetivo do Estado de ‘Israel’, que é exterminar o povo palestino.
Nós vemos toda uma campanha de demagogia em torno da mulher, mas não vemos esse setor defendendo as mulheres palestinas, desde que o massacre começou.
Nós, mulheres do PCO, não vamos deixar de lado a defesa das mulheres palestinas. Estaremos nas ruas, no debate político. Pois, se as mulheres palestinas são tratadas dessa maneira, bombardeadas, estão tendo que fazer cesárea sem anestesia, estão sendo mutiladas, perdendo seus filhos, seus maridos; se há algo no mundo onde as mulheres são tratadas dessa maneira, significa que a burguesia apoia que todas as mulheres sejam tratadas assim.”
Iniciado o debate, a militante Stefania Robusteli encarregou-se de apresentar dados sobre a violência sexual que as mulheres palestinas estão sofrendo nas mãos dos sionistas.
Mas antes de apresentar os dados, Robusteli apontou a hipocrisia dos sionistas e da imprensa imperialistas de acusarem o Hamas de praticar estupros, uma mentira que vem sendo desmascarada desde outubro de 2023, por diversos órgãos de imprensa independentes, tais como o The Grayzone e este Diário.
A violência sexual é realizada, na verdade, pelas forças de ocupação sionista. E Robusteli apontou ainda que isto ocorre contra as próprias soldadas israelenses, algo que ocorre muito antes do 7 de outubro:
“Em 2020, as forças armadas de ‘Israel’ divulgaram dados, segundo os quais há pelo menos 1.542 queixas de violência sexual, que incluem violação sexual, atos obscenos, inclusive casos de distribuição de fotos e vídeos íntimos das mulheres do exército israelense. São várias as denúncias”.
Expôs também que de todas essas acusações, “menos de 35 viraram acusações formais”, mostrando a hipocrisia dos sionistas ao acusarem os revolucionários do Hamas de estuprarem mulheres.
Indo além em sua exposição, Robustelli, citando representante da ONU, expôs a monstruosidade que as tropas sionistas vêm cometendo contras as mulheres e meninas palestinas na Faixa de Gaza, desde o 7 de outubro:
“Relatora da ONU sobre a violência sexual dentro do conflito em Gaza cita acusações de violência sexual contra mulheres e meninas palestinas tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, atribuídas às forças israelenses […] ‘Centenas de mulheres palestinas foram capturadas em Gaza entre os 3 mil prisioneiros levados […] As mulheres presas foram expostas, submetidas a revistas corporais por soldados homens. Há caso em que mulheres foram obrigadas a assistir a execução de suas famílias. Quando foram presas, foram fotografadas, às vezes nuas em posições muito degradantes […] houve muitas ameaças de estupro, tais como ‘vou estuprar você, suas irmãs e sua mãe’”.
Um cenário tão monstruoso (senão mais) que a Alemanha Nazista, servindo para mostrar que a luta armada do povo palestino é a única maneira de acabar com a opressão do sionismo contra a mulher palestina.
A terceira palestrante foi Natália Pimenta, que se encarregou de desmascarar o mito a respeito da mulher árabe, da mulher muçulmana, e das mentiras que a máquina de propaganda imperialista conta sobre sua realidade, com a finalidade justificar intervenções contra seus países, com o pretexto de libertá-las do que seria uma vida de opressão sob o Islã.
Pimenta cita que, já na época da Guerra do Iraque, nos anos 2000, o imperialismo tinha a política oficial de utilizar a questão da mulher para conquistar o apoio para dar continuidade à guerra, na medida em que popularidade dos EUA caia em face dos massacres que eram revelados:
“Conforme a guerra foi avançando, vindo à tona as atrocidades que eles estavam cometendo, a popularidade deles, que já não era muito grande, foi caindo ainda mais, e a rejeição à guerra só crescendo. No meio daqueles documentos divulgados pelo Wikileaks, havia um em que constava claramente de usar a questão a mulher para conquistar o apoio durante a guerra”.
Então, a campanha contra a mulher muçulmana foi uma campanha consciente do imperialismo para exercer sua ditadura contra aqueles países oprimidos. Pimenta então expõe a correlação dessa política com o identitarismo, fazendo constar que foi “nesses últimos anos que o identitarismo tomou conta completamente da situação, que o imperialismo vem tentando impor essa política de todas as maneiras, com a imprensa, os bancos e mais atuando em conjunto”.
A respeito da realidade das mulheres muçulmanas, Natália diz que é uma farsa apresentar apenas elas como sendo mulheres oprimidas. A opressão existe também sobre as mulheres de países não muçulmanos. A militante esclarece também que muito do que se considera uma situação de opressão sobre a mulher muçulmana, é apenas uma questão cultural, por exemplo, o uso de véu, que em muitos países sequer é obrigatório o uso, mas as mulheres usam assim mesmo.
Outro aspecto da farsa apontado por Natália Pimenta, é que países árabes que são aliados dos Estados Unidos jamais são criticados pela sua opressão à mulher, como o caso da Arábia Saudita
Ao falar da campanha que o imperialismo faz contra o Islã, utilizando como pretexto a mulher muçulmana, a palestrante cita o caso do Afeganistão e do Talibã, um caso muito utilizado pelo imperialismo para fazer a campanha de que a mulher muçulmana é oprimida.
Nisto, Pimenta destaca um ponto fundamental de sua exposição: o atraso cultural de determinada sociedade é decorrente de seu atraso econômico. E o Afeganistão é um país economicamente muito atrasado, tribal. Mas não é o imperialismo que irá resolver esse atraso, muito menos o atraso cultural, é o próprio povo afegão, inclusive as mulheres:
“Por exemplo, o Afeganistão, que é um caso de um país muito atrasado, muito primitivo, onde tem uma opressão maior da mulher, o que não é na verdade na Palestina. […] Nós, marxistas, sabemos que a os direitos, as conquistas, a maior ou menos opressão, decorre do desenvolvimento econômico […]”.
Pimenta também apontou que as conquistas que as mulheres obtiveram nas diversas sociedades decorreram da luta da classe operária, de forma que a luta dos palestinos e dos árabes em geral contra o imperialismo irá resultar em conquista para as mulheres, inevitavelmente.
Estes, e muitos outros temas foram abordados na “Palestra-debate: a luta da mulher palestina”, deste dia 9 de março de 2024.
Veja na íntegra:




