Banco Central

Sem mobilização, juros reais seguem os mais altos do mundo

Não adianta apelo ou atos demonstrativos, é preciso uma mobilização real do povo trabalhador contra os banqueiros sanguessugas

Reunido nos últimos dias 12 e 13, o Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a definir a taxa básica de juros (Selic), que mesmo não sendo as que são usadas nas operações dos bancos com a população de um modo geral, servem de referência e ditam o custo fundamental da fraudulenta dívida pública que suga 45% do orçamento público federal.

Mantendo a férrea defesa dos interesses dos bancos, e sob a presidência do playboy bolsonarista Campos Neto, o comitê aprovou novo corte de apenas 0,5 ponto percentual, seguindo o ritmo das últimas três reuniões e em meio a uma significativa queda da inflação, o que mantém os ganhos dos banqueiros em níveis superiores aos do governo Bolsonaro.

Com tal decisão, os juros reais (formado pela taxa de juros nominal do país subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses.) continuam sendo, no Brasil, os maiores do Mundo, estimados em 6,9% ao ano (conforme tabela do site Poder 360, ao lado).

As maiores taxas (acima de 2% a.a.) são todas de países pobres, evidenciando que nestes países se concentra a política de expropriação dos banqueiros por meio de altas de juros reais.

A taxa de juros real no Brasil é mais de 400% maior do que nos EUA, fazendo do País um verdadeiro paraíso para os banqueiros.

Mais uma vez, um punhado de sindicalistas realizou atos demonstrativos, reunindo – quando muito – algumas dezenas de manifestantes em frente as sedes do Banco Central sem qualquer mobilização dos trabalhadores, com o claro objetivo de apenas marcar presença e encenar uma luta, que não existe.

Esse tipo de medida – obviamente – nem de longe pressiona os tubarões do sistema financeiro que, por sua vez, seguem pressionando o governo em favor de sua política de cortes dos gastos públicos com o que interessa ao povo trabalhador. Querem todos os recursos para si.

Também de nada adianta os apelos, como o que foi feito pelo presidente Lula, na véspera da decisão, afirmando que é preciso “’mexer com o coração do presidente do Banco Central’, Roberto Campos Neto, para que ele baixe mais os juros no ano que vem. Lula também pediu que os governadores pressionem o executivo nesse sentido”.

A única força capaz de fazer uma efetiva mudança da situação é a da mobilização dos trabalhadores e de suas organizações de luta, que não pode ser impulsionada sem uma ruptura com a política de conciliação e capitulação diante da direita que defende – com unhas e dentes – os interesses dos banqueiros, que continuam a controlar não só o BC, mas também estruturas fundamentais do regime politico como o Congresso Nacional, o Judiciário, a imprensa capitalista etc.

Para realizar uma verdadeira mobilização, como a que foi sinalizada com o ato do sindicato dos metalúrgicos do ABC contra as taxas de juros, nas ruas, meses atrás, é preciso romper a paralisia das direções sindicais e a política de ficar aplaudindo as listadas e contidas medidas do governo, e contrapor à pressão dos bancos e de suas máfias políticas uma pressão real em defesa das reivindicações dos trabalhadores diante da crise, como a de um drástico corte nas taxas de juros, fim da “autonomia” do Banco Central (de fato controlado pelos banqueiros) e a estatização de todo o sistema financeiro sob o controle dos trabalhadores.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), os sindicatos e todas as organizações de luta dos trabalhadores precisam colocar em debate esta situação atual, que serve apenas aos interesses dos tubarões do mercado financeiro e apontar uma perspectiva própria diante da crise.

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