A campanha da esquerda pequeno burguesa contra todos os governos nacionalistas do planeta é clara. Atacam Lula, Maduro, Putin e também o governo do Irã. O último caso foi o da Revista Movimento, ligada ao Movimento de Esquerda Socialista, uma das correntes fundadoras do PSOL. Esta publicou o texto ”Qual é a situação no Irã?”, uma tradução de um artigo publicado por Behrouz Farahany. É uma reprodução da campanha imperialista que afirma que o governo está ameaçado por atos de rua protagonizados pelas feministas, estas que por algum motivo levantam sua pauta em inglês: “Woman, Life and Freedom”.
O texto começa apresentando a campanha da imprensa imperialista: “De setembro a janeiro, ocorreram manifestações diárias nas ruas de todo o país. Esse não foi um evento repentino que surgiu do nada. As experiências das revoltas de 2017 e 2019 estavam lá e foram usadas pelos jovens envolvidos nessa luta.” e depois segue: “O caráter feminino desse levante o diferencia de todos os outros. A presença ativa das mulheres é inegável.” Aqui fica claro como o identitarismo é utilizado para atacar os países atrasados. As mulheres estão sendo usadas de campanha contra o governo do Irã, assim como foram usadas na campanha para atacar o Talibã. A verdade é que o imperialismo não tem interesse nenhum na defesa da mulher, quer apenas roubar o petróleo do país, que tem uma das maiores reservas do planeta.
Outro ponto levantado é a participação da juventude nos protestos: “A dispersão geográfica das universidades fez com que sua participação ampliasse o escopo dos protestos. Ao mesmo tempo, deu um impulso considerável às demandas do movimento, graças à heróica história moderna do movimento estudantil”. Aqui também fica claro o fator identitário, as universidades são o principal foco de dispersão dessa ideologia imperialista. O governo do Irã inclusive fez questão de iniciar uma campanha política nas universidades após as manifestações para se contrapor a ideologia identitária que se espalha. Não é um caso isolado, estudantes identitários também foram usados para atacar Erdogan, Maduro, e agora também o governo Lula.
O artigo afirma depois: “Ocorreram greves de solidariedade, inclusive no Bazaar de Teerã, a base histórica do regime islâmico. Isso também é novo e é uma característica distintiva do movimento Mulheres, Vida e Liberdade.” Aqui o PSOL fala de greves, mas ignora o fato de que o movimento não tem esse nome em português, muito menos na língua persa. O movimento se chama “Woman, Life and Freedom”. É uma clara intervenção imperialista no Irã, organizada pelos EUA e também pela Inglaterra. Aqui vale lembrar que a British Petroleum antes da Revolução do Irã era quem controlava todo o petróleo iraniano, ela se chamou por décadas Anglo-Iranian Petroleum. Os ingleses, portanto atuavam em conjunto aos EUA para manter a ditadura sanguinária do Xá.
O próprio texto dá mais indícios de que os atos foram impulsionados pelo imperialismo: “Grupos sociais como médicos e advogados, que não estavam envolvidos nos protestos de 2017 e 2019, estavam presentes, à sua maneira, nesse movimento.” E também: “A solidariedade da diáspora iraniana com a atual revolta é particularmente notável. A manifestação em Berlim, em dezembro passado, que reuniu mais de cem mil iranianos de toda a Europa, não teve precedentes na história da diáspora iraniana.” Os médicos e advogados demonstram o caráter pequeno burguês das manifestações. Já o ato na Europa demonstra que os exilados, ou seja, defensores da ditadura do Xá estavam envolvidos nos protestos. Algo semelhante aos gusanos de Cuba que moram em Miami.
O artigo solta outra informação importante sobre o caráter dos atos: “Mulheres, curdos e estudantes foram os três principais pilares do movimento”. Sobre as mulheres e estudantes já foi explicado acima, mas os curdos dão mais uma pista de quem está por detrás do movimento. A realidade da população curda no Oriente Médio há 20 anos era complexa, contudo agora que os governos do Oriente Médio todos se alinham contra o imperialismo os curdos estão sendo cooptados como um todo para atacar esses governos. No Iraque o Curdistão é uma base dos EUA desde a invasão, na Síria o mesmo aconteceu durante a guerra civil. Na Turquia esse processo acontece agora que Erdogan se choca cada vez mais com o imperialismo. No Irã a situação ainda não havia explodido, mas agora os EUA também cooptaram esse setor para atacar o governo.
Todos os elementos apontam para que o imperialismo está por detrás dessas manifestações. Inclusive a própria exaltação pelo PSOL, que só elogia atos golpistas no mundo inteiro. E o texto ainda completa com mais uma indicação do caráter imperialista dos atos: “Mas houve uma grande ausência nesse movimento: a greve política dos trabalhadores como uma classe, não como cidadãos que participam de protestos de rua. O Irã é um país dominado por relações capitalistas de produção. Os assalariados urbanos, em toda a sua diversidade, constituem a maioria da população.” Isso significa que não houve adesão da classe operária aos atos, isso porque ela apoia o governo em sua luta contra o imperialismo. Foi a classe operária que colocou os Aiatolás no governo, e ela os apoiará enquanto eles não capitularem ante o imperialismo.
O texto ainda apresenta um argumento real: “O sucesso das manifestações urbanas e estudantis exige que elas sejam acompanhadas de greves de trabalhadores, conforme demonstrado pela revolução antimonárquica de 1978-1979.” Contudo os estudantes para terem a adesão dos operários precisam estar lutando pelas reivindicações dos operários. Lutar contra o governo sendo apoiado pelos EUA não levará a adesão nenhuma. Caso os estudantes lutem contra o imperialismo, para que o governo tome ações cada vez mais radicais e ainda apresentem um programa socialista real, e não nacionalista, assim tenderão a ter uma grande adesão da classe operária. Mas sobre o movimento operário o PSOL tem muitas dificuldades de compreender.
O texto é basicamente uma campanha esquerdista em defesa do golpe de Estado no Irã. Algo que o PSOL apoia em diversos países do mundo. O texto é bom, pois mostra todas as características pequeno burguesas e pró imperialistas das mobilizações. O PSOL nesse sentido segue sendo uma ótima bússola para a política internacional, se o partido apoia algum protesto é porque ele provavelmente também é apoiado pelo imperialismo.