Há 382 anos, neste dia 11 de março, iniciava uma das principais guerras da história do Brasil, a Guerra do M’bororé, que marca o fim das bandeiras na região do atual Rio Grande do Sul. Os bandeirantes foram personagens importantes da história nacional. Durante o período colonial, suas explorações, onde estavam misturados portugueses, luso-brasileiros e índios, permitiram a expansão do território brasileiro para além do que era estipulado pelo Tratado de Tordesilhas (1497).
A Guerra do M’bororé envolveu cerca de 10 mil pessoas e durou uma semana, sendo vencida pelos jesuítas espanhóis e índios guaranis em 18 de março de 1641. Um dado incomum foi o uso de arma de fogo por parte dos indígenas. A região, na época, pertencia à Coroa Espanhola. Os bandeirantes paulistas, buscando mão-de-obra escrava para suas posses, estavam liderando diversas expedições que ultrapassavam os limites da colônia portuguesa.
Os jesuítas, que formaram aldeias de povoamento em toda a América Latina, buscando converter os índios ao cristianismo, montaram um exército para se proteger da invasão bandeirante. Ao contrário de outras regiões que foram conquistadas pelos bandeirantes com menos dificuldade, essa região foi muito difícil por já ter bem estabelecida uma redução (ou aldeamento) jesuíta. Os guaranis, bem treinados, e liderados por Ignácio Abiarú, conseguiram vencer as forças lideradas pelos paulistas Jerônimo Pedroso de Barros e Manuel Pérez.
Ao final do conflito, um tratado de paz foi assinado entre as partes, garantindo o território dos jesuítas, e marcando o fim das bandeiras na região. No entanto, o território sempre continuou em disputa. Com a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, parte do território espanhol explorado pelos bandeirantes (e já povoado por brasileiros) foi, de fato, incorporado ao Brasil.
O tratado estabelecia que o limite entre as duas nações era demarcado pelo Rio Uruguai, com Portugal possuindo o território a leste do rio e a Espanha a oeste. Assim, os jesuítas que se encontravam no território português, tiveram de passar para o lado espanhol, gerando uma resistência da ordem religiosa e seus aliados guaranis. Isso levaria à Guerra Guaranítica (1753 – 1756). Para conter a rebelião, as Coroas de Espanha e Portugal se uniram, vencendo os insurgentes.