Diante da posse de Lula que se aproxima, o presidente eleito em 2022 divulgou os primeiros nomes da composição ministerial do próximo governo, e, na realidade, à exceção de Fernando Haddad e do ministro das relações exteriores, os demais não merecem a menor confiança, como é o caso de Flávio Dino, em especial.
Os nomes, até o momento, são: Ministério da Fazenda: Fernando Haddad (PT), Ministério da Defesa: José Múcio Monteiro, Ministério da Justiça: Flávio Dino (PSB), Casa Civil: Rui Costa (PT), Ministério das Relações Exteriores: Mauro Vieira.
De tempos em tempos, o passado dos políticos burgueses é escondido, ou limpado, para que amanhã ou depois o cidadão possa cumprir uma outra função dentro do regime. Um desses casos é o de José Múcio Monteiro, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e que esteve à frente da instituição quando do golpe de 2016.
Múcio esteve ligado diretamente ao golpe de Estado que destituiu ilegalmente a presidenta eleita Dilma Rousseff. Naquela época, ele comentou que, no caso da chamada pedalada fiscal, “Na realidade, o governo quis bancar que aquilo estava correto. Eu ia dizendo, se o governo tivesse a humildade de dizer assim, ‘nós estamos devendo’… Em junho julgamos. Houve as pedaladas e dissemos: ‘eu quero que vocês paguem’. Se o governo dissesse assim: ‘nós vamos pagar, nós erramos” e apresentasse no balanço isso…”.
A indicação desta pessoa para o Ministério da Defesa é, para dizer o mínimo, preocupante. Na realidade, era preciso listar todas as pessoas que tiveram algum envolvimento com o golpe de Estado de 2016, que ajudaram a derrubar o PT do governo, e manter uma distância quilométrica desse tipo de gente.
Outro nome macabro da composição ministerial é o de Flávio Dino para o Ministério da Justiça. Esse ministério já foi liderado por José Eduardo Cardozo, nos tempos do governo federal do PT. Foi ele quem permitiu que a Polícia Federal fizesse o que fez com o PT e seus líderes, como no próprio caso de Lula, tendo o líder petista ficado preso por 580 dias ilegalmente, injustamente.
Quer dizer, se existe um local para conspirações golpistas, este local é o Ministério da Justiça, e deveria ser composto por elementos da mais alta confiança do PT e que tivessem sua história associada à luta dos trabalhadores, o que não era o caso de Cardozo e não o é de Flávio Dino.
O novo ministro da justiça é ex-juiz e, como tal, ligado à direita do estado maranhense. Defensor da Polícia Militar, ainda em 2014, Dino recebeu apoio aberto do golpista Aécio Neves naquelas eleições. “As realidades regionais se sobrepõem à conjuntura nacional. E no Maranhão sou Flávio Dino da cabeça aos pés”, disse o agora já esquecido Aécio Neves.
Demonstrando o perigo gigantesco dessa nomeação, delegados da Polícia Federal emitiram uma nota de apoio à nomeação de Dino para o Ministério da Justiça, e dizem desejar “aos futuros ministro e ao diretor-geral uma gestão eficiente e pautada nos bons princípios da administração pública, desejando, como se espera, que a PF tenha sempre um tratamento de Polícia de Estado, com estabilidade para seu melhor desempenho e valorização constante do seu efetivo”.
A Polícia Federal, como ficou demonstrado no golpe de Estado, é controlada por organizações internacionais, mais propriamente, o imperialismo. O Estado nacional não controla a ação da PF que, como ficou comprovado em centenas de casos, obedece aos interesses antinacionais do poder político e econômico internacional.
A PF deveria ser controlada pelo governo federal, mas não é o que acontece e a nomeação de Flávio Dino para o Ministério da Justiça comprova que o golpismo da PF ainda estará dentro do governo PT, o que é um perigo gigantesco.
No geral, as indicações aos ministérios do governo pelo PT deveriam ser de pessoas da mais alta confiança do partido e de suas lideranças, pessoas ligadas à luta popular, dos trabalhadores, e essa lição é uma das mais importantes advindas do golpe de 2016 e do seu desenrolar até os dias atuais.





