Segundo matéria de O Globo e BBC (06/12), a equipe de transição que prepara o novo governo Lula deu indícios de que o novo governo pretende acabar com o programa bolsonarista de escolas cívico-militares. A direita brasileira usou o bolsonarismo para colocar como ponto capital que “…um dos principais problemas da educação no país seria a falta de disciplina e uma suposta doutrinação ideológica de esquerda praticada em sala de aula”. (BBC)
O problema da educação brasileira não é falta de disciplina. É preciso disciplina para estudar e entender o que está escrito nos livros. O que provoca a falta de disciplina e desinteresse pelos estudos é a baixa qualidade do ensino e a falta de investimento na área. Muitas pessoas desanimam por saberem que não conseguirão concluir os estudos por causa de injustiças sociais.
A burguesia impede que a maior parte da população dê educação para os seus filhos. A população, todos os anos, tem dificuldade de inscrever seus filhos nas escolas públicas porque faltam vagas, ou não oferecem período integral e os pais não têm como deixar seus filhos em casa. No ensino superior é a mesma coisa, além de faltarem vagas, o acesso é restringido por um artifício chamado Vestibular que é um funil que acaba privilegiando quem estudou em escolas pagas.
Até o ingresso nas escolas militares é restrito, só entra quem a burguesia deixa entrar. É preciso, por exemplo, dinheiro para se preparar, o que. como se sabe, falta à maioria das famílias trabalhadoras, o que se agravou com o golpe de 2016, com o aumento do desemprego. O “sucesso” da disciplina nas escolas militares não é seu formato pedagógico, já foram relatados inúmeros casos de abuso de poder e autoritarismo. O curioso é que a direita vive acusando a esquerda de doutrinação no ensino
A política das cotas aplicadas desde 2017 , no ano de 2021 resultou, por exemplo, na USP, o preenchimento de 50% nas vagas de pessoas vindas do ensino público. Foi uma maneira ainda que ainda que paliativa, conseguiu diminuiu um pouco o caráter excludente do direito à educação de qualidade e gratuita.
A escola não precisa de disciplina militar para ter qualidade. Não podemos tratar os alunos como se fossem pessoas preguiçosas que precisam de um regime autoritário para irem bem nos estudos. Precisamos de investimentos, de escolas bem equipadas e professores e funcionários bem remunerados. As escolas devem oferecer uma boa alimentação e horário integral para que os pais possam trabalhar e ficar despreocupados quanto à segurança de seus filhos.
É necessário também o fim do vestibular e que o acesso ao ensino superior seja livre, apenas assim poderemos formar as pessoas e assim desenvolvermos na nossa sociedade. Existem cursos, como o de Medicina, que está restringindo o número de vagas nas universidades, pois o número restrito de profissionais aumenta artificialmente o salário desses profissionais.
Pelo fim das escolas militares, não podemos admitir um ensino com caráter fascista que tente doutrinar as crianças, pois é disto que se trata. A escola tem que ser pública, gratuita e de qualidade, para oferecer um ambiente para a educação e desenvolvimento de nossa juventude.


