Nessa terça-feira, dia 6 de novembro, a União Europeia determinou uma nova lei para os países membros. A lei impede empresas de venderem para todos os países do bloco uma série de produtos que estariam relacionados ao desmatamento, como café, soja, carne bovina, cacau, madeira, óleo de palma, dentre outros produtos derivados. A lei exige das empresas uma declaração de diligência, que demonstre que a cadeia de suprimentos não está contribuindo para a destruição de florestas, antes de venderem seus produtos para a UE. Caso contrário, as empresas serão penalizadas com multas altas.
A demagogia ambiental é uma vez mais utilizada para perseguir os países atrasados, e abre precedente para a expansão desse tipo de sanção, uma verdadeira chantagem para impor uma política de outros países, um atentado à soberania nacional. Dos produtos elencados, o Brasil tem destaque na exportação de vários deles para o mercado mundial, como a carne bovina, café, soja e seus derivados.
A cobrança de política ambiental relacionada à medida de sanções a determinados produtos pode muito bem se traduzir e expandir numa política de pressão sobre a Amazônia, campanha que se notabilizou no último período. Os olhos de rapina do imperialismo se direcionam à maior floresta tropical do planeta e, pelo argumento ambiental, pressionam pela internacionalização da mata, o que nada mais é que ceder o controle do território nacional e sul americano para o próprio imperialismo. Agora, essa política pode, com uma campanha de propaganda forte o bastante, se misturar a sanções contra o Brasil.
Não apenas isso, a generalização desse tipo de manobra pode afetar as mais diversas áreas da vida econômica do País, com os mais diversos pretextos, para impor cada vez mais políticas vinculadas ao imperialismo. Tal política não se dá também em qualquer momento. O governo Lula demonstra já um atrito com o neoliberalismo, e expressou uma derrota parcial do golpe imperialista no Brasil. A tendência é do acirramento dos choques da política brasileira sob o governo de Lula com o imperialismo, visto que o governo se apoiará, como demonstrado na campanha, numa base operária, que lhe exige no mínimo uma política nacionalista, isso é, de oposição à rapina imperialista.
Os produtos ainda se direcionam, por exemplo, ao não considerar os produtos do desmatamento vindo das mineradoras, uma medida notória de rapina dos países atrasados e especificamente do Brasil, onde mineradoras estrangeiras atuam livremente destruindo o ecossistema brasileiro. Exemplo notório disso foi o caso da Samarco, com o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais, que deixou uma destruição sem precedentes em território nacional, em 2015. A Samarco é controlada por uma parceria entre a Vale S. A., controlada por fundos de investimento estrangeiros após sua privatização, e a anglo-australiana BHP Billiton. Não só esse, em 2019 houve o rompimento da barragem de Brumadinho, que também gerou uma destruição gigantesca. Sobre a destruição ambiental nos países atrasados provocada pelo imperialismo, aí não há lei, não há sanção. Enquanto o minério bruto for exportado a preço de banana para ser refinado fora dos países explorados, então não importa o meio ambiente. Uma demagogia barata.
A política de tipo ambientalista não passa de um entrave aos países atrasados. Enquanto o imperialismo destruiu todo seu território e se desenvolveu com a indústria, quer impedir que a industrialização chegue aos povos do mundo. Indo além, quem mais defende o meio ambiente são os trabalhadores, que tem interesse num desenvolvimento racional. O imperialismo para os países atrasados está apenas interessado na dominação e exploração dos recursos. Isso fica demonstrado também quando a Alemanha, em meio às sanções contra a Rússia, passou a desmatar o que resta das florestas ancestrais do continente, como na Romênia, para fazer carvão para alimentar sua indústria e suas usinas termelétricas. O gás russo servia a esse propósito, mas a dominação imperialista se sobrepõe, a agressão contra a Rússia, com o golpe de Estado na Ucrânia, interessa mais que o “bem do mundo”, “o meio ambiente”, “o pulmão do mundo”, uma palhaçada, um escárnio.
A esquerda deve ter uma política independente e rejeitar essa concepção ambientalista. Ela nada tem a oferecer aos trabalhadores e aos povos explorados. No Brasil, cabe lutar pela soberania nacional completa, com o governo Lula devidamente sustentado por uma base trabalhadora organizada que imponha sua política própria e impulsione o enfrentamento do governo com o imperialismo. Lula presidente, por um governo dos trabalhadores!