“Quem fizer da Lituânia sua inimiga”, disse George W. Bush, “terá também a inimizade dos Estados Unidos da América. Diante de uma agressão, os corajosos povos da Lituânia, Letônia e Estônia jamais terão de lutar sozinhos novamente”. Essa foi a fala de Bush quando ele visitou a Lituânia em 2002, logo após os Países Bálticos terem recebido a oferta de adesão à Otan, segundo revela o jornalista Michael Gerson nesta reportagem.
Para quem acompanha os acontecimentos internacionais de perto e não se compromete com os interesses da burguesia, o interesse do Imperialismo em aumentar a influência da Otan no Leste Europeu não é assunto recente e é o principal motivo da ação da Rússia na Ucrânia atualmente.
A OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, teve origem em 1949 e não parou de se expandir desde então, mesmo após inúmeros debates em relação aos riscos e consequências negativas que essa expansão poderia causar.
A imprensa imperialista e os seus consórcios nacionais tentam dia após dia convencer as pessoas que a Rússia é imperialista e que sua ação na Ucrânia nada mais é do que uma sanha por conquistar outros países e expandir suas fronteiras.
Uma farsa! E essa farsa é desmontada a cada dia que passa. E não precisamos de especialistas, peritos, e investigadores. A realidade se impõe porque a farsa é tão rasa quanto um pires. Apesar da tentativa forçada de alterar a realidade, a crise do imperialismo não dá conta de manter o manto democrático que sempre quiseram vestir.
Recentemente, Putin afirmou considerar uma série de medidas para ampliar a segurança da Rússia caso Finlândia ou Suécia entrem na Otan. E está coberto de razão. Rússia e Finlândia têm 1,3 mil km de fronteira terrestre, número próximo ao tamanho da fronteira terrestre entre Brasil e Paraguai (1367 km), por exemplo.
Há poucos dias o ex presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que “nenhuma pessoa sã gostaria de ver as consequências do movimento cogitado por Suécia e Finlândia’’, que “se a Suécia e a Finlândia entrarem na Otan, a extensão das fronteiras terrestres da aliança (Otan) com a Rússia mais do que dobrará (…) e naturalmente, essas fronteiras terão que ser reforçadas.” Ou seja, a adesão dos Países Bálticos à Otan traria como consequência o reforço da Rússia na região e esta não seria a causa, como tenta alegar a imprensa burguesa.
Obviamente se sabe que essas decisões tendem a ser muito delicadas por inúmeros motivos, mas entre os principais seria o quanto uma medida como essa teria apoio popular e a crise que poderia se abrir dentro desses países. Recentemente publicamos que os suíços são contra a adesão à OTAN e que rejeitam o envio de armas à Ucrânia. Pesquisas recentes do início do ano também mostravam que os finlandeses se opõem e que historicamente têm mostrado rejeição a esta medida, mostrando uma oposição na ordem de 40% numa pesquisa de janeiro deste ano.
Em um artigo recente, de fevereiro de 2022, publicado pelo Wilson Center, uma think tank norte americana, intitulado “Irmãs, mas não gêmeas: perspectivas da adesão da Finlândia e da Suécia à OTAN’’ discute os problemas e opções destes países em aderir à Otan. Apesar de toda panfletagem pró Otan e pró-Imperialista, trechos do artigo revelam informações interessantes sobre o histórico de cooperação entre esses países, especialmente Finlândia-Rússia.
Sobre a popularidade do tema entre a população Finlandesa, por exemplo, o artigo traz uma imagem que revela o tamanho do problema.

Apesar de os analistas pró Otan sempre olharem o copo meio cheio, ou tentarem sempre encher o copo artificialmente, e tentarem dizer que o apoio à Otan vêm aumentando, o fato é que para a população não há consenso e que a rejeição ainda é alta.
Um trecho traduzido do texto revela fatos como que “Os opositores enfatizam (i) a perda do status militar não alinhado da Finlândia, (ii) um encargo financeiro considerável e (iii) a prontidão para fornecer soldados e equipamentos militares finlandeses para causas comuns da OTAN como argumentos contra a adesão à OTAN. Além disso, o argumento é que, como a Finlândia já gasta uma quantia ampla em defesa (4,87 bilhões de euros ou aproximadamente 2% do PIB[14] em 2021), ela prefere investir recursos adicionais em outras áreas, como educação e saúde. A Rússia provavelmente reforçaria sua fronteira com a Finlândia.’’
Em outro trecho salienta questões econômicas chave que trariam consequências graves à Finlândia, como: “A adesão finlandesa à OTAN também enfraqueceria significativamente a confiança fino-russa, um vínculo que os dois países repararam e mantiveram cuidadosamente desde meados da década de 1940, e poderia levar à agressão russa à Finlândia. Atualmente, a Finlândia depende das importações de energia da Rússia. A partir de 2019, a Finlândia importa aproximadamente 60% de sua energia da Rússia. Além disso, a Finlândia tem importantes relações comerciais bilaterais com a Rússia: a Rússia foi o quarto maior importador de produtos finlandeses em 2017.’’
Biden, em um vídeo que viralizou nas redes sociais recentemente, disse em um discurso no ano de 1997 que “Acho que o único lugar onde a maior consternação seria causada no curto prazo para a admissão [na OTAN], não tendo nada a ver com o mérito e a preparação do país para entrar, seria admitir Países Bálticos agora em termos de Relações OTAN-Rússia, EUA-Rússia”, disse Biden em seu discurso. “Se alguma vez houvesse alguma coisa que pudesse mudar a balança, se ela fosse derrubada, em termos de uma reação vigorosa e hostil na Rússia, não me refiro a militares, seria isso.”
Ou seja, a ação russa na Ucrânia é extremamente acertada. A ameaça da OTAN à Rússia é real e tem aumentado a cada dia. É preciso barrar a ofensiva imperialista na região em nome dos interesses de todos os países oprimidos pelo imperialismo, e por isso o apoio à Rússia é fundamental. Não nos enganemos, o imperialismo pode tentar vestir todas as roupas, da democracia, do identitarismo, mas sua verdadeira face é revelada a cada dia que passa.




