Diante da operação russa na Ucrânia, apareceram uma série de posições conservadoras sobre a guerra. Além daquelas contra a reação russa, natural diante do avanço da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte), existe a posição pacifista, muito comum dentro da esquerda pequeno burguesa. A posição da paz.
Essa é uma posição impossível de ser alcançada dentro do imperialismo. Em qualquer conflito mundial, é preciso tomar uma posição, especialmente em razão de que o imperialismo, os grandes capitalistas, são os que promovem os conflitos e guerras atuais. Nesse sentido, é impossível pedir a “paz” genericamente. No caso russo, como isso se daria? Ou a Rússia recua e a OTAN toma conta da região, com violência, do jeito que foi feito até o momento, ou apoia os russos até o fim. Não existe paz.
A política do imperialismo é muito clara: torturar a população dos países, trocar governos, manipular e corromper todo o sistema político de qualquer país. Essa é a política atual do imperialismo, e que precisa ser combatida. Como os ricassos do planeta não aceitam argumentos, é preciso reagir com o que se tem às mãos, com a força. Não existe paz.
Os intelectuais de quinta categoria falam que não se pode ser “binário”, ou seja, se colocar contra ou a favor da Rússia. Em várias situações, é isso sim: ou é um ou é outro. É binário sim, é preciso tomar posição, tal como o golpe de Estado que o Brasil sofreu em 2016. Não é possível ficar neutro, em cima do muro, “pela paz”. Isso faz parte do arsenal anticientífico dos conservadores filósofos modernos.
A paz, neste momento, só pode significar a derrota da Rússia e a vitória do imperialismo, por meio da OTAN. A paz é o avanço da OTAN sobre o globo, é o fortalecimento dos tradicionais donos do mundo, que mantém guerras em dezenas de países e quando encontram uma resistência mobilizam sua imprensa e seus capachos para pedir a paz.
No Brasil posição semelhante foi adotada pelo PSTU, quando do golpe de 2016, e o partido defendeu “fora todos”, que era a defesa do golpe. O que mais poderia acontecer? E deu no que deu. É preciso tirar as consequências de uma determinada palavra de ordem.
No caso presente, só tem uma possibilidade: ou os russos impõem uma derrota à ordem imperialista, ou são derrotados. Não adianta alegar a soberania da Ucrânia, porque isso não é uma questão fundamental. Pela paz significa a paz mundial? Se for assim, é preciso ser a favor da dominação imperialista, dos norte-americanos sobre o mundo. Não é possível ser a favor da paz em abstrato.
Na verdade, ser a favor genericamente da paz significa a derrota da Rússia, vitória do imperialismo, vitória da OTAN, e para Ucrânia, enquanto país, não vai melhorar em nada a vida do povo, porque a vitória da OTAN vai consolidar a dominação imperialista e ditadura contra o povo.




