Na sexta-feira (25), o Ministro do do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes – do alto do pedestal em que encontram os ministros do STF – determinou que o aplicativo Telegram bloqueasse três perfis de usuários responsáveis por propagar “discurso de ódio e informações falsas”.
A pena para o não cumprimento da determinação seria o pagamento diário e por perfil no valor de R$ 100 mil e a suspensão inicial por 48 horas da plataforma.
Os perfis que são alvos de bloqueio – @allandossantos, @artigo220 e @tercalivre -, estão todos ligados a Allan dos Santos, blogueiro bolsonarista, foragido nos EUA, alvo de prisão preventiva decretada pelo próprio Moraes, acusado pelos mesmos crimes imputados aos perfis.
As chamadas “fake news” e o “discurso de ódio” estão entre aquelas pegadinhas que a direita que deu no golpe de 2016: elegeu como carro-chefe de uma campanha moral, muito reacionária, mas muito ao gosto da esquerda moralista, em que supostamente condena a extrema-direita por mentiras e discursos de ódio divulgados nas redes sociais, mas que tem como objetivo central censurar a própria esquerda, a começar por buscar o controle das redes sociais nas eleições de outubro próximo.
Ensaio para isso não falta. Além do combate às “fake news” e ao “discurso de ódio”, houve uma expressiva dedicação por parte do Judiciário, mas que envolveu a direita, a esquerda e até a extrema-direita políticas na condenação por crime de opinião, Monark, apresentador do Flow Podcast, por ter defendido o direito dos nazistas terem seu partido legalizado.
Uma questão fundamental na tentativa de censurar o Telegram é que ele foge do controle dos monopólios que buscam controlar toda a internet. O caso das fake news é apenas pretexto. Até porque os meios de comunicação convencionais são divulgadores de fake news e do discurso do ódio em escala gigantesca, como se viu com a campanha para derrubar a presidenta Dilma Rousseff. O que se publicou de mentira e se instigou o discurso para varrer o PT e a esquerda da política tendo como eixo a corrupção não fica atrás de atrás da campanha contra o povo judeu e a superioridade da raça ariana pelos nazistas nos anos 30 do século passado.
Aliás, a política dos golpistas brasileiros é abrir novamente o caminho para dar continuidade ao golpe de Estado. A campanha contra o PT – infelizmente, para eles – não foi suficiente para destruir o Partido e muito menos Lula. O ex-presidente tem grandes possibilidades de ganhar as eleições e isso é tudo o que a direita não quer. Controlar os meios de comunicação e agora controlar a internet, e ainda sob aplausos da própria esquerda, parece ser uma segunda oportunidade para impor um ferrenho controle sobre as eleições e garantir a vitória de seu candidato, nem que ele seja o próprio Bolsonaro, como em 2018.




