Daqui a duas semanas, vai começar o maior curso de formação marxista de toda a esquerda brasileira. Promovida pelo Partido da Causa Operária há mais de duas décadas, a Universidade Marxista, ministrada pelo companheiro Rui Costa Pimenta, já discutiu diversos temas, dentre eles o fascismo, o stalinismo, a democracia burguesa, a revolução chinesa e muito mais, todos sob a ótica do marxismo.
Agora, chegou a vez da história do Brasil. Em 2022, a independência completa 500 anos, um marco de extrema importância para todo o Brasil e que, nesse sentido, não poderíamos deixar passar.
Ao longo de todo o ano, o companheiro Rui, Presidente Nacional do PCO, discutirá a história do Brasil, passando desde o período antes da chegada dos portugueses, até os dias de hoje. Verdadeiramente um curso imperdível, principalmente com as recentes polêmicas envolvendo toda a cultura brasileira
O identitarismo e o anti-nacionalismo

Nos últimos dois anos, a principal ideologia defendida pela esquerda pequeno-burguesa no Brasil foi o identitarismo. Importado diretamente do meio acadêmico norte-americano, o identitarismo representa uma política imperialista que, nesse sentido, serve aos interesses da burguesia.
É a substituição do marxismo, com sua análise material dos acontecimentos e sua construção operária, por uma ideologia farsesca, que age por meio da demagogia com os povos oprimidos. Substitui-se, por exemplo, a luta do negro contra a polícia militar pela luta do negro contra “o preconceito da sociedade”; a luta pela emancipação da mulher pela luta por seu “empoderamento”, e por aí vai.
Ou seja, são engodos que, no final, confundem a luta dos trabalhadores que, segundo materialismo histórico, não é outra senão contra a burguesia e seu aparato de dominação, o capitalismo.
Como qualquer ideologia que favorece o imperialismo, o identitarismo também ataca fervorosamente a cultura nacional. Exatamente como uma forma de esconder a história do Brasil e, principalmente, seus exemplos revolucionários que devem ser levados em conta por todos aqueles que se dizem progressistas.
O exemplo mais claro disso é o próprio descobrimento do Brasil. Os identitários defendem que se tratou de um acontecimento racista, como se a análise devesse ser feita baseado na dicotomia de brancos portugueses contra povos indígenas. Isso, obviamente, não faz sentido algum.
Finalmente, a história se baseia no desenvolvimento dos povos, principalmente no desenvolvimento econômico. Esse sim é um bom parâmetro que, de fato, determina em que pé determinada civilização se encontra. O avanço da medicina fez com que as pessoas se preocupassem menos com doenças e mais com o desenvolvimento da humanidade propriamente dito, como ciência, arte, filosofia etc.
Nesse sentido, a vinda dos portugueses ao Brasil representou, de fato, um avanço gigantesco para o país. Tachá-lo de racista ou algum palavreado sem conteúdo não passa de uma tentativa de moralizar um momento do passado, ou seja, tirá-lo do contexto do desenvolvimento dos povos por meio da aplicação de uma moral que não estava presente naquele momento. E convenhamos: no caso do identitarismo, atualmente, essa moral só está presente nas universidades e círculos pequeno-burgueses, é uma verdadeira bolha.
Esse tipo de consideração distorcida acerca do patrimônio histórico do Brasil só pode ser remediada por meio de uma discussão à luz do marxismo. E é isso que o atual curso da Universidade Marxista pretende fazer, pôr um fim, assim como fizemos com o stalinismo, de uma vez por todas nos ataques contra a história de nosso país.
Expressão na imprensa burguesa

Mais uma prova de como o ataque à história do Brasil serve aos interesses da burguesia é o fato de que é reproduzido pela própria imprensa burguesa. Este ano, tivemos diversos exemplos disso, principalmente com a Semana de Arte Moderna que, em 2022, completa 100 anos.
A burguesia procura criar a imagem – mais uma vez, utilizando o identitarismo – de que a semana de 22 foi racista, elitista etc. Atacam o que, na realidade, representou uma verdadeira revolução na arte brasileira, inaugurando o modernismo.
E mais, veja como o alvo desse tipo de análise é exatamente a cultura brasileira. Monteiro Lobato, que foi um ferrenho opositor ao modernismo, foi, nos últimos anos, duramente atacado pela esquerda pequeno-burguesa e a imprensa capitalista como sendo um racista. Chegaram, inclusive, a propor sua censura.
Temos, então, que a semana de 22 era racista, mas, um de seus principais opositores também o era. Logo, todos são racistas. Um silogismo que evidencia bem a falta de coerência do identitarismo.
Como, então, funcionará o curso?

Serão quatro módulos, cada um relativo aos principais períodos da formação nacional no Brasil.
O primeiro de todos será sobre a colonização portuguesa e o início do que conhecemos como a nação brasileira, a partir de 1500. Nesta primeira etapa, o companheiro Rui fará uma abordagem geral sobre como funcionava a sociedade indígena antes mesmo da chegada dos portugueses. Mais uma vez, com base na análise marxista acerca do desenvolvimento das sociedades.
Em seguida, após a colonização, o curso tratará dos principais acontecimentos que compuseram o que, hoje, conhecemos como “Brasil Império”. Aqui, a análise vai desde os governos monárquicos brasileiros, com especial destaque para a regência de Dom Pedro I, até o fim do império e a proclamação da república.
Finalmente, esta edição da Universidade Marxista analisará até os dias de hoje, com o golpe de 2016, passando pela chamada política do café com leite, na velha república, pela Era Vargas, pela ditadura de 64, pela constituição de 88 e muito mais.
A formação econômica e política do Brasil é, até o momento, um assunto extremamente polêmico e nebuloso. Em meio à confusão engendrada pelo imperialismo contra a cultura nacional, o PCO servirá como uma verdadeira vanguarda para desmistificar muito do que se fala sobre o Brasil.
Será discutido, sob a égide do marxismo, como, de fato, foi formada a nação que hoje conhecemos como Brasil. Nesse sentido, não perca nem mais um segundo e inscreva-se agora mesmo por meio da plataforma do curso site!





