Após vários meses de grandes mobilizações, os atos do dia 20 de novembro, Dia de Luta do Povo Negro — conhecido oficialmente e divulgado pela burguesia como Dia da Consciência Negra — foram completamente esvaziados, dando mais um claro sinal de como as direções da esquerda brasileira têm atuado na sabotagem das manifestações.
Anteriormente, o ato marcado pelo Movimento Fora Bolsonaro teria sido para o dia 15 de novembro, mas foi adiado para o dia 20, tendo sido, inclusive, anunciado publicamente através da golpista Folha de S. Paulo a mudança de data, demonstrando que se tratava de uma manobra operada pela frente ampla e apoiada por vários setores da esquerda. Essa manobra de mudar a data nacional de mobilização do movimento já havia sido denunciada pela nossa imprensa, antecipando que essa mudança desmobilizaria os atos de rua.
Essa data, assim como várias outras que fazem referência à luta dos negros, muitas vezes é desvirtuada por conta de interesses eleitoreiros e de palanque pessoal de figurões do movimento negro. Ao invés de se organizarem grandes manifestações públicas e com uma política bem definida, colocando abertamente a pauta “fora Bolsonaro” e outras fundamentais do movimento negro, como por exemplo a dissolução da Polícia Militar e fim do encarceramento em massa, muitas vezes a data é tomada por manifestações simbólicas e por espetáculos de demagogia.
A operação de sabotagem foi tão intensa que os atos realizados no último sábado foram menores do que outras datas organizadas pelo movimento negro, como por exemplo os atos contra a chacina na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que ocorreram em várias cidades do país e levaram milhares às ruas. Isso se deve principalmente à falta de uma política clara e bem definida. A frente ampla, composta pela direita golpista e setores como PCdoB, PSOL e outros partidos, vem atuando para destruir a mobilização nas ruas, que ameaçam frontalmente a burguesia.
O último ato do calendário do movimento Fora Bolsonaro deste ano foi, no final das contas, um verdadeiro escárnio com os trabalhadores diariamente atacados pelo governo Bolsonaro. Da mesma forma, a população negra não foi contemplada com nada mais do que atos simbólicos e apresentações culturais.
No Rio de Janeiro, por exemplo, houve apresentações como uma roda de capoeira realizada pela Guarda Municipal. A alvorada em frente ao Monumento a Zumbi dos Palmares foi realizada com apoio dos governos estadual e municipal e contou com a presença minúscula de setores da esquerda comprometidos com a frente ampla. Cabe lembrar que a descentralização dos atos no Rio foi igualmente absurda, a ponto que houve atos nos dias 18, 19, 20 e 21 de novembro. Só no dia 20, três “atos” diferentes foram marcados, um no amanhecer do dia, no centro da cidade; outro em Madureira, no horário de almoço e finalmente, um no baile charme, também em Madureira, já no horário da noite.
Em outros lugares, manifestações minúsculas foram realizadas, contando com a presença somente de parlamentares e supostas lideranças do movimento negro, que utilizam desse tipo de evento somente como trampolim político.
Em São Paulo tivemos o maior dos atos, que foi realizado mesmo sem uma ampla convocação, o que mostra a enorme disposição dos trabalhadores de manter as manifestações de rua constantes. O maior obstáculo que enfrentamos agora é a política da frente ampla que faz de tudo para destruir a mobilização já existente. Apesar do ato fraco, foi importante para observar a necessidade de se manter as manifestações e mostrar que a luta do povo negro só pode ser levada de forma concreta se for unificada na luta por “fora Bolsonaro” e por “Lula presidente”.
Para não deixar o clima de mobilização morrer na mão da frente ampla, convocamos desde já todos os setores de trabalhadores para a realização de um ato nacional, no próximo dia 12 de dezembro, para fortalecer a luta nas ruas e barrar de vez a política de alianças com os abutres da direita.





