Diversos órgãos e porta-vozes da imprensa burguesa e golpista estão projetando um suposto “aumento” do salário mínimo, para o ano de 2022, baseado apenas no reajuste anual da inflação — em uma política declarada de arrocho salarial que vem sendo imposta aos trabalhadores brasileiros desde 2019, com a eleição ilegítima do atual desgoverno fascista. Segundo o portal G1, o atual valor do salário mínimo, que é de R$1100,00, pode chegar a R$1200,01 no ano que vem. Isso porque, como informou na semana passada o secretário especial do Tesouro e Orçamento, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), no ano de 2021, subiu de 8,4% para 9,1%, o que permitiria um acréscimo de R$31,1 sobre a última proposta oficial do governo para o salário mínimo de 2022, divulgada em agosto, que era de R$1.169.
O próprio redator do G1 reconhece, porém, que “o salário mínimo de R$1.100 não repôs a inflação do ano passado. A correção aplicada pelo governo foi de 5,26%, mas a inflação medida pelo INPC somou 5,45% no ano passado. Para que não houvesse perda de poder de compra, o valor do salário mínimo deveria ter sido reajustado para R$1.101,95, neste ano”. E embora “em agosto, o então secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, que deixou o cargo recentemente (!!!), tenha informado que a compensação dos R$2 devidos pelo governo será feita no fim deste ano, quando for enviada a medida provisória que corrigirá o salário mínimo em 2022″, o fato é que os trabalhadores e pensionistas que dependem da correção anual do salário mínimo estão sem aumento real de salário desde o início do processo de desmonte total das políticas de assistência social do Estado brasileiro.
Para que não houvesse perda de poder de compra, o valor do salário mínimo deveria ter sido reajustado para R$1.101,95 neste ano. Em 2022, o reajuste do salário mínimo, sem nenhum aumento real do poder de compra da população, será de, no máximo, R$1.192,40. Ou seja, apenas acompanhará a inflação, não superando-a. Diante disso, o piso nacional terá um aumento de apenas R$92,40, em comparação com atual (R$1.100). No entanto, o detalhe sórdido que não consta das reportagens e análises da imprensa capitalista, é o de que a inflação para os mais pobres é sempre muito maior do que o número oficial – o que faz com que, na prática, ocorra uma redução salarial esmagadora, para a imensa maioria da população, que não se reflete nos índices que aferem a média anual da inflação. Caso a inflação avance de modo a aumentar o preço de produtos essenciais – tais como alimentos, medicamentos, conta de energia elétrica e de água – e o piso nacional não acompanhar esse aumento, as famílias dos trabalhadores serão as mais prejudicadas pela perda em seu poder real de compra.





